Minas de Borralha: a aldeia de Montalegre que nasceu com a exploração de volfrâmio

As Minas da Borralha, Montalegre, guardam a história de uma aldeia que nasceu e cresceu com a exploração de volfrâmio, que chegou a mobilizar 2.000 trabalhadores e deixou memórias de um trabalho difícil a 210 metros de profundidade.

A exploração mineira começou depois de um engenheiro francês ter registado a concessão em 1902. Com o fecho definitivo das minas, em 1986, a localidade da Freguesia de Salto esvaziou-se de gente e o património ficou abandonado até começar a ser recuperado pela Câmara de Montalegre que, em 2015, abriu um centro interpretativo.

Foi escombreiro, maquinista, entivador (colocava madeiras para escoramento em minas) e depois passou a capataz. Vivia em Salto e inicialmente ia a pé até às minas, onde descia até às entranhas da terra para trabalhar. A descida era feita por “escadas e escadas e escadas”. Mais tarde foram colocados elevadores.

A todos os trabalhadores era oferecida casa, água e energia elétrica. Havia GNR, Correios, posto médico, refeitório, um cinema e a escola (década de 50), a primeira entre Braga e Chaves e onde alunos aprendiam uma profissão para os diversos trabalhos na mina.

Na aldeia industrial foram construídas lavarias, uma fundição única na Península Ibérica e onde se fazia a transformação do volfrâmio no ferro tungsténio, para além oficinas, armazéns, carpintaria, britadores, o ‘stockwerk’ e bairros que chegaram a albergar cerca de 5.000 pessoas. Atualmente, tem cerca de 170 moradores.

O auge da exploração foi nas décadas de 30, 40, 50 do século passado, na altura da II Guerra Mundial e da Guerra da Coreia. O couto mineiro tinha 2.000 hectares e o volfrâmio era usado para o revestimento de armamento, encontrando-se ainda em peças de automóveis e nos filamentos das lâmpadas.

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