'Histórias de Sucesso em NY' por Davilmar Santos

A chegada foi no final do verão. No aeroporto, tomou um taxi e foi ao encontro da irmã, que trabalhava durante a semana com uma família, em Manhattan e, aos sábados para um casal de idosos. O programa dos domingos era olhar as lojas e comprar uma coisinha ou outra. Na hora do almoço, iam para casa preparar a comida. Assim passou o verão. 

O outono chegou e ela nem percebeu a beleza do colorido típico da estação; só enxergava as folhas caindo e a nudez das árvores. A irmã era medrosa, mas gostava de assistir filmes de suspense na televisão, daqueles em que todos os tipos de crimes acontecem nas ruas ou nos estacionamentos. Por isso, evitava sair. Ela não estava vendo uma luz no final do túnel.

Uma amiga, que era cozinheira, a convidou para ajudá-la em uma festa para oito pessoas. Ela ficaria encarregada da pia. Não entendeu quando viu a quantidade de pratos e copos que tinha de lavar e, muito menos quando a amiga explicou que eles usavam pratos e copos para cada tipo de comida e bebida, etc. Gente doida! -deve ter pensado. Mas deu um sorriso quando recebeu o pagamento: que sujem quantos pratos e copos quiserem, assim tenho trabalho e ganho o meu dinheirinho! 

Em casa, disse para a irmã que precisava arranjar um trabalho fixo. Assim, não dependeria dela para comprar o cigarro de cada dia. A patroa da irmã a recomendou como baby-sitter para uma família americana. Trabalhava de segunda à sexta, e aproveitava os finais de semana para estudar inglês. Com o tempo, os patrões a ajudaram conseguir o tão sonhado Green Card. Mas chega um momento em que os pais já não necessitam de alguém para cuidar dos filhos. Além do salário e uma boa gratificação deram-lhe uma carta de referência. Após oito anos de trabalho, achou que era hora de tirar umas férias prolongadas e curtir os pais, no Brasil. Aproveitou para rever os amigos e fazer um curso de Primeiros Socorros.

Ao retornar a New York, inscreveu-se em uma agência de emprego e foi trabalhar para uma família que, na época tinha, apenas, um filho. Dois anos depois, o casal teve outro filho e ela passou a cuidar de duas crianças. Quando os patrões tiravam férias, ela ia para o Brasil ao encontro da família e dos amigos. 

Quando completou dez anos de trabalho, os patrões a ajudaram comprar um pequeno apartamento, onde passou a morar. Hoje ela reconhece que, algumas vezes, não ver aquela luz no fim do túnel, nos ajuda a sair da zona de conforto que nos impede de construir um futuro melhor.

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