André Conrado: Maranhão - Terra de Encantos - Parte 3

Praça João Lisboa final séc XIX - Museu Histórico do Maranhão

Voltando na história dessa linda terra de encantos e maravilhas, nesta edição voltamos os olhares para duas riquezas históricas da capital maranhense: O Convento Nossa Senhora das Mercês e a misteriosa Fonte do Ribeirão.

Convento das Mercês - final séc XIX - Museu Histórico do Maranhão

O Convento das Mercês, que foi posto sob invocação de Nossa Senhora da Assunção, embora o povo não o chamasse desta forma, começou a ser construído em 1654, quando chegaram à São Luís, os mercedários João Cerveira (maranhense de Alcântara) e Marcos Natividade, vindos de Belém, que se juntaram aos frades Manoel de Assunção e Antônio Nolasco, além do leigo João das Mercês. Foi erguida ali em taipa coberta de palha. No ano seguinte, em terreno adicional, reedificaram as instalações em pedra e cal, construindo a capela-mor.

Projeto Igreja e Convento Nossa Senhora das Mercês - São Luis do Maranhão Séc XVIII - Museu Histórico do Maranhão

Com a Independência do Brasil (7 de setembro de 1822), iniciou-se um processo de esvaziamento do imóvel que resultou em seu abandono. Somente em meados do século XIX o logradouro passou por intervenções, destinando-se seu espaço para sede do Seminário Menor. Em 5 de maio de 1905, o prédio foi vendido para o Governo do Estado do Maranhão, que tratou de fazer novas intervenções na arquitetura original, invertendo, inclusive, as frentes do convento e da igreja anexa (que davam para o mar) e lhes conferiu a unidade de fachada única. 

As intervenções foram de responsabilidade do Tenente Coronel Zenóbio da Costa. O motivo era simples, o local abrigaria o quartel da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros do Estado, que permaneceram ali até o final da década de 1980, quando os batalhões foram transferidos para as sedes atuais.

A entrada principal está voltada para Rua Jacinto Maia, protegida por canteiros de palmeiras. Antes, sua fachada principal de frente para o rio. Foram retirados os anexos que descaracterizavam a obra, descobertos os arcos originais e o poço. Nesta restauração, encontraram-se os alicerces da igreja demolida. Hoje, com 5.800 m² de área construída, o Convento das Mercês é detentor de um rico acervo museológico e bibliográfico que convida a todos uma rica e bela visita histórica e cultural.

Convento das Merces - atual - Domínio Público

Fonte do Ribeirão e a lenda da serpente encantada

Foto da Fonte do Ribeirão - séc XIX - Museu Histórico e Artístico do Maranhão

Mais que uma fonte é uma lenda. A Fonte do Ribeirão, localizada no antigo sítio do Ribeirão, bairro popular é famosa pelas vendedoras de “peixe frito com farinha d’água” e datada do ano de 1796. 

Foi construída pelo Tenente-Coronel D. Fernando Antônio de Noronha, português, do Conselho de Sua Majestade, que governou o Maranhão entre 1792-1798, tendo em vista a necessidade de saneamento e melhoria do serviço de abastecimento de água à população.

Seu piso é revestido de pedras de cantaria, e a água sempre farta, jorra de carrancas em um tanque lajeado. As carrancas, são figuras de aspectos disformes, usadas em fontes, chafarizes e proas de barcos para espantar maus espíritos. A da fonte representa Netuno, Deus mitológico, senhor dos mares e das águas, que abastecia a população local de água limpa que brotava de sua boca.

Fonte do Ribeirão - atual - Domínio Publico

Existem muitas histórias sobre as galerias subterrâneas da Fonte do Ribeirão; como seu uso para a comunicação entre frades entre uma igreja e a outra,  e também para transporte ou fuga de escravos, além dessas do comércio ilegal de ouro e pedras preciosas, que é muito provável. Outra história interessante, seria a serpente encantada que reside nos túneis da galeria, que cresce e poderá destruir a ilha de São Luís quando a cauda encontrar a cabeça….” Lendas seculares que ainda resistem na memória do povo local.

A bela fonte foi tombada pela SPHAN, em 1950, em razão das feições coloniais das fachadas dos velhos sobrados e casas daquela região que caracterizam uma área do século XVIII, Um verdadeiro tesouro a ser preservado por todos nós.

Fonte do Ribeirão - Atual - Domínio Público

Na próxima e última edição dessa bela série de matérias aportaremos em um paraíso natural maranhense! Não percam!

Fontes:

Arquivo Nacional

Museu Histórico e Artístico do Maranhão

Instituto Moreira Salles

Braziliana Fotográfica

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