Kênia Esteves entrevista Danielle de Araújo - uma mulher de múltiplas vertentes

Olá amigos! Para fechar em grande estilo este Mês da Mulher; convidei Danielle de Araújo,  uma carioca “arretada” como dizem os baianos; a qual acredito, que por apresentar uma característica bem similar a maioria das mulheres, ou seja , uma mulher “multifacetada”; representa muito bem a todas nós: pró ativa , corajosa , apaixonada pela família e linda em sua real…ESSÊNCIA. Que seja bem vinda! 

K.E.1: Danielle, você tem exemplos de justiça e pró-atividade multidisciplinar em sua família. Podemos dizer que está no seu DNA essa sua personalidade multifacetada? 

Como certeza! Sou influenciada por uma ancestralidade de muita força e resistência, além de ser cercada de mulheres incríveis desde a minha infância, como a minha avó Ormezinda (in memoriam), minha mãe Marly Ferreira, Tia Fia e minhas irmãs Vanessa, Priscila e Sâmella. Sempre fomos incentivadas a buscar nossos sonhos e a ter a educação como caminho de sucesso.  Eu me inspiro muito na minha mãe que também é professora, escreve poesia e ficção, canta e sempre busca alcançar seus objetivos. É assim que crescemos explorando e investindo em nossas habilidades.

K.E. 2. Como você define o papel da mulher nos dias de hoje? 

Defino como um papel múltiplo que querer de cada uma a convicção de suas potencialidades e a determinação para chegar onde se quer. Nosso papel foi ampliado a partir de muita luta coletiva, e hoje tentamos romper com as representações sociais tradicionais assumindo nos lugares em setores antes dominados apenas por homens.

K.E.3: Você acredita que a igualdade de gêneros e conquistas já acontecem ou ainda temos um longo caminho a percorrer? 

Nós já conquistamos muito quando revisitamos a história, rompemos com muitos preconceitos, e também começamos a integrar novos espaços na esfera pública. Mas ainda existe muito caminho a se percorrer estudamos mais e temos os menores salários, os espaços políticos e de alta gestão são ainda pouco representados por mulheres. Além disso não podemos generalizar os ganhos pois grupos historicamente marginalizados, como as mulheres negras e indígenas, possuem ainda mais dificuldades para ascensão social.

K.E. 4: Sua trajetória nacional e internacional é marcada por projetos distintos que você liderou e obteve resultados super positivos, inclusive ao ganhar um prêmio significativo no segmento de Empreendedorismo. Conte-nos a respeito. 

Eu sempre fui movida por um senso de justiça muito grande e isso me levou a tomar decisões nada tradicionais. Ainda na Faculdade de Direito na PUC/RJ reuni amigos para montar uma ONG no centro do Rio de Janeiro, e foi o caminho que me levou a novas experiências como trabalhar como consultora para a Planet Finance. Nesse caminho pela justiça pude atuar em projetos da ONU Habitat como docente no curso Reflexões sobre Segurança Pública e Policiamento Comunitário, quando trabalhava no ISER. E projetos como a Semana de Visitas a Delegacias de Polícia vinculados a Altus Global Alliance. Cada experiência agregou muito em minha formação pessoal e profissional, e as premiações dos projetos ou a minha em 2015 pela Laureate Brasil – Jovens Empreendedores Sociais,apenas externalizam e potencializam a força de um propósito, fico feliz com isso. 

K.E.5: Qual a dica que você deixa para as mulheres, empreendedoras ou não, de forma que essas se fortaleçam ainda mais nos dias de hoje? 

Estamos vivendo tempos difíceis e nossa criatividade e resiliência farão diferença na construção de uma nova sociedade. Nunca enfrentamos momentos fáceis, por isso acredito que temos dentro de nós a força e sabedoria para superar os grandes desafios do nosso tempo, fazendo história e concomitantemente ajudando uma as outras. Acredito que assim vamos superar as dificuldades individuais e coletivas, e vencer.

K.E.6: Você saiu do RJ e veio para Eunápolis. Portanto encontrou realidades super distintas. Como foi essa adequação as novas “leis”? 

Foi difícil a adaptação de forma geral, mas com o tempo fomos aproveitando a qualidade de vida de se morar em uma cidade menor. As atividades sociais desempenhadas na periferia da cidade também foram importantes para o que eu acredito ser a efetividade de direitos, e quando temos um propósito o que está ao redor é apenas um detalhe. Além disso, se tornou uma temática que também tenho estudado no doutorado na UFSB. Crescemos e aprendemos muito aqui, além disso, nossa filha Bettina, que vai fazer 5 anos, nasceu aqui e é nosso elo maior com a cidade.

K.E. 7: Ser casada, ter duas filhas e ainda trabalhar como Chefe de Gabinete de Vinicius Parracho, um dos vereadores mais votados na região, está sendo o seu maior desafio administrar uma plataforma que é pura inovação e exige dedicação ímpar?

É muito desafiador sim gerenciar tantos papéis (principalmente em tempos de pandemia), eu não abro mão de estar sempre em família e acompanhar o crescimento das minhas filhas. Para isso tenho a sorte de ter um marido super parceiro em tudo, o Timóteo, com quem divido todas as minhas conquistas. O convite para trabalhar com o Vinicius foi aceito pois sei do comprometimento dele com a valorização da cultura e recursos naturais do território, e somar forças a esse propósito faz sentido para mim, por isso tenho me empenhado em aprender ainda mais para atuar de forma eficiente.

K.E. 8: Qual é o seu maior foco atualmente dentro dessa administração? 

Penso que o maior foco é ajudar a construir uma cidade sustentável, que preza pelo bem viver de todos, respeitando a riqueza de nossa cultura e também protegendo nossos recursos naturais. Além disso, é importante motivar a juventude e população a participar, o que temos feito através de projetos como o Câmara Jovem e o Aplicativo Tem Meu Voto. Tem muito trabalho a ser feito, seja na elaboração de ações ou projetos de lei, e para isso acredito que o Vinicius escolheu uma equipe técnica de altíssima qualidade, e isso já tem trazido benefícios para a cidade. 

K.E.9: O que dentro deste contexto administrativo podemos dizer que é SONHO e o que é REALIDADE? 

Nossa que pergunta difícil (risos). Sou professora de Filosofia do Direito e penso que precisamos de utopia, é um horizonte que nos faz caminhar e não nos deixa parar. Construir uma cidade mais sustentável e inclusiva é possível, para isso temos construído leis melhores, temos pensado de forma inovadora para resolver velhos problemas. Se isso é um sonho? Não sei, mas o que importa é trabalhar muito para torná-lo factível para nossa geração e para as vindouras.

K.E. 10: Para concluir em grande estilo nossa entrevista, conte-nos qual o lifestyle dessa super mulher que é você. De mais obrigada pela atenção, e conte sempre com a REVISTA do VILLA para os devidos apoios e divulgação desses projetos inovadores e com uma ESSÊNCIA diferenciada. 

Confesso que sou um pouco workaholic (risos). Preciso gerenciar inúmeras atividades de trabalho, gestão, docência, pesquisa e militância, o que me agrada muito. Mas não abro mão de ter meu momento de conexão com Deus, de praticar caminhadas durante a semana, e de curtir a socialização em família e com os amigos. Precisamos buscar o equilíbrio, isso ajuda muito na nossa saúde física, mental e espiritual, e é o que tenho buscado a cada dia.

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