Espetáculo “Harpas do Mondego” homenageia o Dia Mundial da Poesia

Com transmissão ao vivo por streaming, o recital “Harpas do Mondego se apresentou no último domingo (14), no rio Mondego de Coimbra, em Portugal, em homenagem ao Dia Mundial da Poesia. O espetáculo reuniu poesia, intervenções artísticas e musicais e concerto de harpas ecoadas da Universidade de Coimbra, Alta e Sofia (UC), que concentra maior número de estudantes brasileiros no exterior. 

O projeto, criado pelo produtor baiano Christiano Bomfim, foi inspirado na “Coleção de Poesias d’académicos de Coimbra Harpas do Mondego” do século XIX e propõe um passeio poético e harmonioso, a desvendar vozes humanas à margem das máscaras impostas pela pandemia, na programação da XXIII Semana Cultural da Universidade.

O programa artístico contou com harpistas de diversos países, e apresentou trechos de obras de autores portugueses mescladas com autores da literatura mundial, a exemplo de Oscar Wilde (1854 -1900). O recital contou com o apoio da Reitoria e Biblioteca Geral da UC, ICOMOS Portugal, Embaixada da Irlanda, Associação Glissando das Antilhas/França e Criola Filmes.

Do Brasil foi recitado o poema “A Fonte e a Flor” do autor Vicente de Carvalho (1866-1924) pela especialista baiana em políticas públicas de enfrentamento à Violência Contra Mulher, Bruna Cavalheiro, numa metáfora ao relacionamento abusivo.

No interior da biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra, as interpretações ficaram a cargo da atriz e produtora carioca Rosi Ferh e do ator português Jorge Carvalhal acompanhados da conceituada pianista Christina Margotto.

Da Irlanda o poema Désespoir de Oscar Wilde foi recitado por Aoife Buckley, ao som da harpista Siobhan Buckley que executou obras como“ Southwind” do irlandês Donal Meirgeach MacConmara em homenagem ao Dia Nacional da Irlanda (Saint Patrick´s Day) em 17 de Março, Claire Le Fur tocou harpa entre peixes e corais no fundo do mar. 

A trilha principal foi especialmente selecionada desde “Ária” e “Minueto” do português António Fragoso, à “A Rosa Amarela” e “Valsa da Dor” de Heitor Villas-Lobos. O espetáculo transmitido por streaming pela plataforma da UC. Uma parceria entre os Patrimônios Mundiais Universidade de Coimbra, Alta e Sofia com a “Irish Harping Intangible heritage/UNESCO”.

Sobre as participantes brasileiras:

Rosí Ferh

É atriz, produtora, escritora, documentarista e contadora de histórias. Licenciada em jornalismo e pedagogia no Rio de Janeiro, tem formações também na área da Literatura e ilustração infantil. Viveu por 25 anos em São Paulo, onde consolidou projetos próprios e parcerias em teatro, música e audiovisual pela sua produtora Criola Filmes. Atualmente, morando em Lisboa desde 2017, escreveu e atuou em “Esperando Godette”, adaptação de Samuel Becket e produziu a turnê portuguesa internacional de espetáculo a “Rosa e a Semente” do Grupo Pedras em 2019. Participa de projetos humanitários de atenção à Mulher, imigrantes e refugiados pela Associação Renovar a Mouraria (RM). Recentemente participou do projeto Europeu “INTEGR8-ISQ” e na performance híbrida “Histórias daqui e além mar”. No domínio do audiovisual produziu a série documental “Krenak vivos na natureza morta”, para além dos documentários “Traço Urbano” e “A Arte de ser Músico”, ambos pelo Canal Futura.

Bruna Cavalheiro

Brasileira, residente em Salvador, é produtora cultural e de eventos, advogada, influenciadora digital e atuante pelo fim da violência contra a mulher. Especialista em Direito Público pelo CEJAS 2018 e certificada pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra/2018. Coordenou a área de Políticas Públicas da Secretaria Municipal para Mulher /2019-2021, foi gestora do Centro de Referência de Atenção à Mulher Loreta Valadares /2019-2021 e coordenou a Campanha contra a Importunação da Mulher – PARE! 2019-2020.  Tem mais de 10 anos de experiência na área cultural e de eventos.

Christina Margotto (piano)

Brasileira, residente em Portugal desde 1988. Bacharel pela Faculdade de Artes Santa Marcelina em São Paulo, licenciada em Piano de Acompanhamento pela ESMAE do Porto e Mestre em Musicoterapia pela Universidade de Estremadura, Espanha. Estudou com Sállua Assbú, Anny Cabral Coutinho e Alfredo Cerquinho, Daisy de Lucca, Homero de Magalhães, Magda Tagliaferro, Vitalli Dotsenko e Constantin Sandu. Atua como solista e camerista e há 25 anos em duo com o violoncelista Jed Barahal pela Europa, USA e Brasil. Criou o Toy Ensemble com o qual realizou várias estreias em Portugal e Brasil. Como divulgadora da música e de intérpretes portugueses recebeu vários apoios do MC português, Instituto Camões, Fundação Gulbenkian, Antena2, Delegação de Cultura do Norte e foi congratulada com a Medalha de Honra da Fundação Carlos Gomes de Belém do Pará, atribuída por decisão unânime do Conselho Geral da Fundação. Gravou o Concerto de Carlos Seixas (Numérica, 2011), a primeira edição das Melodias Rústicas Portuguesas de Lopes Graça (Coriolan, 2011, FR), a obra completa para violoncelo e piano de Fernando Lopes Graça, e a Sonata de Luís de Freitas Branco (Numérica, 2006). Com apoio da Antena2 realizou com o Toy Ensemble a primeira gravação de Domitila de João Guilherme Ripper (2019 MPMP digital) e com apoio da DGartes MC Português realizará em 2021 a gravação das Barcas de Gil Vivente, música de Fernando Lapa. Integra o quadro de professores do Conservatório de Música do Porto desde 1992.

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