Claudia Pamplona apresenta a série Granado, Uma História de Química e Amor desde o séc. XIX - Parte 2

Na Coluna de hoje, continuaremos a série “Granado”, com Claudia Pamplona, uma história de Química e Amor desde o século XIX, com a participação especial de Sissi Freeman.

Sissi assumiu em 2004 a diretoria de marketing da Granado. Mas foi em 1994, quando seu pai comprou o negócio, que a diretora com 14 anos iniciou o seu envolvimento com a empresa. Graduou-se em ciências políticas e econômicas no exterior, estudou temas transversais como fotografia e arte, desenvolvendo o lado criativo. Nas férias trazia muitas ideias, participava de feiras e eventos da Granado. Aproveitou o período de formação para agregar experiência, lhe capacitando a entrar na empresa com melhor qualificação profissional. Na entrevista, ela demonstra o empreendedorismo latente nas veias, apesar da delicadeza ao falar, tem uma personalidade forte e corajosa, “recuo somente estratégico” e a resiliência faz parte da técnica.

Fonte: Acervo Granado.

A executiva participou do projeto de reformatação da empresa, voltando com a marca Granado para o varejo, com uma especial singularidade. Foi implementado em 2004, o projeto de lojas conceito. Gentilmente, Sissi respondeu a todas as perguntas, diretamente para a Revista do Villa, com transparência, trazendo o esclarecimento necessário sobre o Caso Granado. Muitas curiosidades, fatos e até mesmo aquilo que parece um segredo inconfessável, que no mundo corporativo chamamos de estratégias de atuação, em sua maioria de marketing, foram abordados nesta entrevista. Acompanhe!

C.P: O segmento de saúde e beleza vem sofrendo alguns impactos negativos nos últimos anos. Como está o comportamento financeiro da Granado?

R: Sim, a alta do dólar e a inflação têm dificultado muito o mercado. Mas, apesar disso, a empresa teve um crescimento importante. Em 2020 tivemos as lojas fechadas por 4 meses e o varejo caiu 23%, o atacado cresceu 12% e a empresa 4%. Estávamos atentos à questão da pandemia, nos preparamos com adaptações no site e uma logística própria para enfrentar a situação. Estamos estáveis e nosso projeto de expansão permanece inalterado com um cronograma para trabalhar com passos pequenos e seguros, conforme o planejamento inicial.

C.P: O que a história da Granado do século XIX trouxe para o século XXI?

R: Muito! A empresa foi vendida com muitos documentos, mobiliários, instrumentos que foram conservados pela família Granado e hoje, foram restaurados por especialistas, constituindo o nosso acervo cultural. Isso possibilitou fazermos a exposição Granado no Museu Histórico Nacional, em comemoração aos 150 anos da empresa. A exposição ficou aberta por dois meses em 2020, e a empresa disponibilizou a versão on-line. O modo presencial deverá continuar por algum tempo quando o museu reabrir. Um outro fato que marca muito a nossa história, é o registro dos extratos e ervas, outra prática do nosso fundador que foi catalogado por nosso farmacêutico,  Rodolpho Albino,  na fábrica da Granado, dando origem à primeira farmacopeia brasileira. Temos também, a primeira loja na Primeiro de Março e a segunda loja da rede (construída pelo fundador em 1917) atualmente com layout recuperado, servindo de inspiração para padronização da rede. Destaca-se, que o prédio da segunda loja localizado na Tijuca está tombado pelo IPHAN, incluindo o seu interior, piso e mobiliário.

 

Vista geral loja Tijuca_credito Jorge Nascimento.

C.P: Que novidades a Granado já tem preparada para o mercado?

S.F: Em breve teremos na loja da rua Primeiro de Março onde foi o nosso escritório, na sobreloja, um espaço cultural com exposições da Granado e outras temáticas. Vamos participar do Centro Cultural do Rio janeiro, região onde está a nossa primeira loja, museus e Centros de Cultura.

C.P: Como você vê o fato do fundador ter desejado em testamento que a empresa fosse levada para o exterior por um estrangeiro, e isso tudo está acontecendo agora?

S.F: Vejo este fato como uma feliz coincidência. Damos mais valor ao fato de conseguirmos manter viável uma empresa centenária e a responsabilidade social que isso representa. Temos 1500 funcionários e sentimos que vestem a camisa. Alguns têm mais orgulho de trabalhar na empresa, de vestir o uniforme, que muitas das vezes seus pais e/ou avós vestiram também. Isso nos gera mais paixão! Isso nos gera muito compromisso!

C.P: Observei que através do parque produtivo, que a empresa atua diretamente em vários setores. Não poderiam ser terceirizados?

S.F: Sim, temos uma estrutura muito verticalizada. Nosso mix de produtos no varejo é muito diversificado. Por isso, muitas das vezes não apresentamos o melhor player junto aos fornecedores, que muitas das vezes não optam por atender e cumprir datas, por exemplo. Optamos por esta estratégia e desta forma nos adequamos melhor à nossa realidade, um crescimento controlado e evitar situações que possam tangenciar de forma negativa nossa produção e qualidade. Centralizamos algumas atividades que poderíamos terceirizar, mas não teríamos a mesma garantia.

C.P: Como foi a chegada da marca Phebo à Granado?

S.F: A Phebo era uma Joint-Venture e a fábrica em Belém do Pará era nossa, mas a marca não. Em 2004, a detentora da marca resolveu vender e nós compramos. Passamos a ser donos da PHEBO. Hoje nossa fábrica é Granado/Phebo e nas lojas conceito Granado podemos encontrar todo o mix de produtos da Phebo.

Crédito Bruno Pottier.

Finalizando esta parte série, perguntei a Sissi Freeman sobre a relação Granado e a sustentabilidade.

Sissi respondeu que desde a criação da empresa esta foi uma preocupação do fundador e que buscam dar continuidade a práticas que fazem parte da essência granado. “Temos uma empresa centenária e acreditamos que precisamos ajudar a natureza. Somos pioneiros no Brasil na produção de sabonete sem sebo animal. Em 2015, instalamos nosso parque produtivo em um antigo areal em Japeri. São 300.000 m2 e a fábrica ocupa aproximadamente 10% da área. Revitalizamos 90% do espaço com plantações e o manguezal hoje é um lindo lago. Podemos ver no local pássaros e peixes. Estimulamos um novo ecossistema. A responsabilidade ambiental na Granado é muito valorizada“.

 Na próxima coluna encerramos a série Granado falando sobre o marketing na empresa. 

Não perca a oportunidade de saber qual o segredo de 150 anos de sucesso.

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