André Conrado - Recife e sua doce riqueza - Parte 1

Foto do ancoradouro e alfândega - Porto do Recife 1908 - Fundação Joaquim Nabuco

Convido a todos para embarcarem nesta nova viagem, rumo a mais um destino encantador e de grande riqueza histórica.

O Recife existe como porto antes mesmo de se tornar cidade. E a cidade do Recife tem sua origem intimamente ligada à cidade de Olinda.

O pequeno porto de Olinda, capital da capitania era pouco significativo e sem profundidade para receber as grandes embarcações que cruzavam o Oceano Atlântico. Por sua vez, Recife, povoado chamado pelo primeiro donatário de “Arrecife dos navios“, segundo a Carta de Foral passada a 12 de Março de 1537, veio a ser o porto principal da capitania. Assim surgiu o Recife, com a grande função de escoar a grande e doce riqueza: o açúcar.

Pelo velho ancoradouro situado entre os arrecifes de arenito e a península, onde se misturavam as águas do mar e as dos dois rios – o Capibaribe e o Beberibe, saiam grandes quantidades, que no período colonial era considerado o ouro branco.

Imagem da pintura Carregadores de caixas de açúcar - Jean Baptiste Debret - 1834

No início do século XVII, o porto do Recife era o mais movimentado da América de domínio português, e por isso, lutava contra as frequentes tentativas de invasão por parte dos corsários franceses, ingleses e holandeses. Em 1630, os holandeses, desembarcando ao norte da cidade de Olinda, dominaram todo o litoral pernambucano e a cidade dos arrecifes, onde edificaram e fizeram prosperar, na entrada do porto, a sede dos seus domínios.

Sete anos mais tarde, o conde João Maurício de Nassau Siegen é designado governador geral com a missão de tornar mais rentável para a Companhia das Índias Ocidentais o já então vasto (do Maranhão a Sergipe) território holandês.

Imagem da primeira residência do Conde João Mauricio de Nassau - Gravura de Zacarias Wagner -sec XVII

Acompanhado por artistas, arquitetos, engenheiros, poetas, médicos, cartógrafos, astrônomos e imigrantes judeus (que fugiam da repressão religiosa da Inquisição), Nassau construiu uma cidade planejada e imprimiu um ritmo de desenvolvimento nunca visto neste continente. Fase em a cidade ganhou palácios, horto zôo-botânico, canais e pontes. Além disso, foi responsável pela construção do primeiro observatório astronômico das Américas e Hemisfério Sul, instalado em 1639 pelo pintor, cartógrafo, aquarelista, astrônomo, naturalista e desenhista, o alemão Georg Marcgrave, um contemporâneo de Albert Eckhout e de Franz Post que também integrou a expedição científica e militar de Nassau. O Observatório foi estruturado no território do atual bairro de Santo Antônio.

Imagem de Recife e Olinda pelo olhar de Franz Post - séc XVII - Arquivo Nacional

Em 1790, Dom João V elevou a cidade à categoria de vila e, a nova classe já se fazia notar pelas ruas do antigo povoado: os mascates, pequenos comerciantes oriundos de Portugal e enriquecidos com os lucros cada vez maiores, conseguidos na efervescente atividade mercantil que se criara em torno do porto. 

Imagem do Porto do Recife - séc XIX - UFRP

No início do século XVIII o núcleo central já estava bem consolidado. A cidade começou a crescer lentamente, partindo do centro para o interior acompanhando as vias de circulação que se desenvolviam obedecendo aos condicionantes topo-hidrográficos, bem como hidrovias e ferrovias. Os engenhos destas áreas foram aos poucos sendo divididos em sítios e lotes dando origem a alguns bairros como, Madalena, Torre, Derby, Beberibe, Apipucos e Várzea.

Imagem do Engenho de Itamaracá - Frans Post - UFRP

No início do século XIX, houve um grande desenvolvimento na cidade, em especial no bairro da Boa Vista que cresceu em direção ao Derby e Santo Amaro (neste momento existia a ligação com Santo Antônio e São José através das pontes da Boa vista e Princesa Isabel). Neste mesmo período ocorreram as revoluções mais conhecidas da História do Recife. A Revolução de 1817, a Confederação do Equador, de 1824 e a Revolução Praieira, de 1848 

Em 1823 a vila do Recife passou a ser cidade e, finalmente, em 1827 foi elevada à condição de capital.

Foto dos Bondes do Recife - Séc XIX - Fundação Joaquim Nabuco

O crescimento da cidade está ligado ao fato da abertura dos portos às Nações Amigas, em função da chegada da família real portuguesa ao Brasil. Não se deve esquecer, que no final do século XIX a abolição da escravatura gerou um grande movimento migratório dos escravos para a cidade do Recife em busca de melhores condições de vida, surgindo então, os Mocambos.

Foto de Mocambos - 1904 - Fundação Joaquim Nabuco

No próximo capítulo em terras pernambucanas, seguiremos contando sua vocação açucareira e a bela herança histórica. Não percam!

Fontes:
@aclubtour
Arquivo Nacional
Fundação Joaquim Nabuco
IMS
UFRP

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