André Conrado: Recife e sua doce riqueza – Parte 2

Foto histórica do Caís do Trapiche-( ao fundo prédio comercial a esquerda e o Cais da Lingueta prox. Marco Zero)- Museu da Cidade do Recife final séc XIX

Chegamos assim ao fim do século XIX, o Recife buscou se modernizar usando como modelo as formas arquitetônicas europeias, assim como a adoção dos costumes do Velho Mundo considerados “civilizados” tentando com isso se libertar da imagem de atraso atribuída ao seu passado colonial.

Imagem da Planta de Recife em 1906 - UFRP

A cidade era um empório comercial. Inicia-se, então, a implantação de indústrias. O desenvolvimento da Capital deu origem a fluxos migratórios causando altas taxas de desemprego e subemprego e à construção de moradias em mangues e elevações, formando os mocambos com precárias condições de vida.

Recife no Século XX

Recife (Ponte Princesa Isabel) 1920 - Museu da Cidade do Recife

Na primeira metade do século, o Recife assume o caráter de um grande centro de atração de imigrantes. Entre outros motivos que explicam este fato, estão o processo de industrialização e a desarticulação dos antigos sistemas de produção rural. A desarticulação privilegiou os grandes latifundiários expulsando os menores que, sem condições de produzir, vendiam suas terras e vinham em busca de melhores condições de vida na cidade grande. 

Entre os anos 20 e 40, o Recife teve um crescimento populacional da ordem de 46%. No entanto, a oferta de bens e serviços coletivos não cresceu na mesma proporção.

A maior concentração urbana, se localizou as margens do rio Capibaribe, direcionando-se para o bairro do Derby e do entorno. Este empreendimento se destacou. O Derby anteriormente, não passava de uma campina, que ganha ares de modernidade a partir de 1924 com o projeto de expansão do governador Sérgio Loreto (1887-1937), e é transformado no espaço cívico e moderno do Recife, onde se instalam escolas e são realizados desfiles militares.

Foto da Urbanizaçao do Bairro do Derby (Central do Recife) Década de 20 - Acervo Museu da Cidade do Recife

A cidade cresceu aceleradamente, e incorporando mangues, alagados, leito dos rios foram sendo aterrados, ou mesmo subindo os morros até chegar na Mata Atlântica. do Recife, onde se instalam escolas e são

Já a Zona Norte do Recife, era ocupada no princípio do século 20 em pequenos núcleos de moradia como a Casa Forte,Apipucos,Monteiro, e Beberibe; ligados pelas estradas por onde passavam o bonde. Essa organização ainda colonial, é alterada por uma série de obras que possibilitam novas construções nos espaços vazios existentes entre os núcleos mais antigos.

Foto do Bairro de Apipucos em 1859 - credito August Stahn - IMS

O bairro de Apipucos ganhou uma nova configuração urbana: foi escolhido como local de residência pelos ingleses, que introduziram o hábito de construir casarões com jardins e utilizar a água como recurso paisagístico; foi instalada o  Cotonifício Othon Bezerra de Mello, conhecida como a Fábrica da Macaxeira (Apipucos) , havendo a ocupação dos morros e do loteamento da fábrica nas margens do açude.

Foto da Fabrica Apipucos (Pertencente ao Cotonificio Othon Bezerra de Mello S.A) - 1928

Além de Delmiro Gouveia, Apipucos teve outros moradores ilustres como o pintor Murillo LaGreca, o jornalista Assis Chateaubriand, o historiador Alfredo de Carvalho, a família de Burle Marx, parentes de Demócrito de Souza Filho e o sociólogo Gilberto Freyre, cuja residência conhecida como o belo Solar de Santo Antônio, hoje abriga a Fundação Gilberto Freyre.

Foto do casarão onde viveu Gilberto Freyre - Atual

 Bairro de Boa Viagem

Foto do Bairro de Boa Viagem no Recife com a Igreja de N Sra de B Viagem - Anos 40

Indo em direção à beira mar do Recife, encontramos o bairro de Boa Viagem. Que ocupa um lugar especial no coração do recifense. 

O local era originalmente uma colônia de pescadores, frequentado apenas para estação de veraneio. Começou a ser povoado no século XVII. Em 1965, a orla de Boa Viagem era bem diferente: havia 200 casas e apenas três edifícios: o Holliday, o Acaiaca e o Califórnia. 

A Avenida Boa Viagem foi inaugurada no dia 20 de outubro de 1924. Em 2020, ela completou 96 anos, quase um século de história. Na época da inauguração, aconteceu uma grande festa com a presença do então governador de Pernambuco, Sérgio Teixeira Lins de Barros Loreto. As mudanças ocorridas em Boa Viagem fizeram do bairro, o mais rico da Zona Sul do Recife e um dos mais importantes da cidade, embora não seja o mais desenvolvido, por causa das favelas como a Entra-a-Pulso, Tancredo Neves e Bruno Veloso. Possui uma infraestrutura completa, com lojas, restaurantes, bares, hotéis, boates, escolas e edifícios, principalmente na Avenida Boa Viagem, o endereço residencial mais caro da cidade na atualidade. Nove décadas depois, as mudanças transformaram Boa Viagem de um antigo bairro de veraneio e uma tranquila colônia de pescadores no local mais disputado não só por moradores e empresas do mercado imobiliário e de turismo. Um cenário perfeito para dias de cultura e diversão.

Foto do Bairro de Boa Viagem (Recife) Atual

Curiosidades do Recife

Mais antiga entre as capitais estaduais brasileiras, o Recife surgiu como “Ribeira de Mar dos Arrecifes dos Navios” no ano de 1537, na principal área portuária da Capitania de Pernambuco, a mais rica capitania do Brasil Colônia, conhecida em todo o mundo comercial da época graças à cultura da cana-de-açúcar e ao pau-brasil (ou pau-de-pernambuco).

Na próxima edição dessa bela viagem histórica em capital pernambucana, contaremos um pouco da rica arquitetura da “Veneza brasileira”. Não percam! 

Fontes:

@aclubtour

Arquivo Nacional

Fundação Joaquim Nabuco

IPHAN

Museu da Cidade do Recife

UFRP

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