André Conrado: Recife e sua doce riqueza – Parte 3

Foto da Ponte D'Uchoa - Av Rui Barbosa - Final séc XIX - Arquivo Nacional

O capítulo desta semana contempla características arquitetônicas e culturais da bela “Veneza brasileira”. O foco é no estilo eclético, mostrando a incorporação de outros estilos durante toda a sua história. 

Casarões da Rui Barbosa

Foto do Palacio dos Manguinhos na Av Rui Barbosa - inicio séc XX - UFRP 

Símbolos da opulência das famílias ricas do Recife, os casarões eram erguidos na Estrada dos Manguinhos, a atual Avenida Rui Barbosa, endereço preferido dos comerciantes europeus e brasileiros que se instalavam na capital pernambucana em busca de prosperidade no século XIX

Foto antiga da Mansão Gibson na Av Rui Barbosa - Recife - inicio séc XX - Museu da Cidade do Recife

Passaram a edificar solares e palacetes em sítios situados nas áreas de plantio de cana dos antigos engenhos de produção de açúcar, que estavam sendo desativados. O local atraía endinheirados pela proximidade com o Rio Capibaribe e pela facilidade de acesso aos trens urbanos, que conectavam a região ao Centro.

Foto casarão Rua Rui Barbosa N. 1599 - Recife - Inicio final séc XIX - Museu da Cidade do Recife

Da bela avenida, restam apenas 14 dos 81 casarões. O grande período de derrubada dos palacetes, foram os anos 40 e 50, com o intuito da construção de arranha-céus. Uma grande perda histórica e social.

História Preservada

Foto do Solar (atual Academia Pernambucana de Letras) Av Rui Barbosa - Recife

Hoje, quatro casarões da Rui Barbosa têm proteção especial. O da Academia Pernambucana de Letras é o único tombado pelo Iphan. Os números 36, 1397 e 1599 são Imóveis Especiais de Preservação (IEPs) e contam com proteção municipal. Além dos imóveis protegidos, a avenida tem duas Zonas Especiais de Preservação, (Ponte de Uchôa e Manguinhos), que são porções de território consideradas unidades de conservação. 

Museus do Recife:

Instituto Ricardo Brennand

Foto Instituto Ricardo Brennand - Atual

É impossível visitar a bela cidade do Recife e não visitar seus ricos museus, institutos e oficinas, como é o caso da família Brennand. O Instituto Ricardo Brennand é o maior espaço cultural do Recife. Inaugurado em 2002, possui valioso acervo artístico e histórico originário da coleção particular do industrial pernambucano Ricardo Coimbra de Almeida Brennand. Localizado nas terras do antigo engenho São João, no bairro da Várzea, ocupa uma área de 77.603 m² cercada por uma reserva de mata atlântica preservada. Possui uma das mais modernas instalações museológicas do Brasil, abrangendo um complexo de edificações constituído pelo Museu Castelo São João (museu de armas brancas), Pinacoteca, Biblioteca, Auditório, Jardins das Esculturas e uma Galeria para exposições temporárias e eventos. Um verdadeiro colírio para os amantes das artes e do bom gosto!

OFICINA CERÂMICA FRANCISCO BRENNAND

Foto Oficina Museu Francisco Brennand - atual

 O Museu Oficina é uma atração imperdível cultural na cidade do Recife.  Projetado nas ruínas  da antiga e desativada Cerâmica São João da Várzea, a Oficina Cerâmica Francisco Brennand surgiu em 1971, com o nome de seu precursor, o artista Francisco Brennand. Tudo começou quando Brennand depois de uma visita a empresa fundada pelo seu pai em 1917 e desativada em 1945, onde eram produzidos telhas e tijolos, resolveu instalar ali seu ateliê/oficina aproveitando os enormes galpões existentes.

A antiga fábrica, instalada nas terras do Engenho Santos Cosme e Damião, no bairro histórico da Várzea, e cercada por remanescentes da Mata Atlântica e pelas águas do Rio Capibaribe, a Cerâmica São João tornou-se fonte inspiradora e depositária da história do artista pernambucano. A presença do artista num trabalho contínuo de criação confere à Oficina um caráter inusitado, identificando-a como uma instituição intrinsecamente viva e com uma dinâmica que torna imprevisíveis os rumos da arquitetura e da obra.

oto Oficina Museu Francisco Brennand - Atual

O local é, ao mesmo tempo, oficina e museu. Cercadas por jardins, as exposições se concentram em murais, painéis e esculturas. Hoje, com quase cinquenta anos da sua fundação, o visitante encontra um complexo escultórico, cujo significado dá relevo a um sentido cosmogônico e, ao mesmo tempo, visionário de Francisco Brennand.

Museu da Cidade do Recife

Foto Museu da Cidade do Recife (Forte de São Tiago) - Atual -

O Museu da Cidade do Recife está instalado no Forte de São Tiago das Cinco Pontas, erguido originalmente no ano de 1630, pelos holandeses, um dos monumentos mais expressivos do patrimônio colonial brasileiro. O acervo do Museu é constituído de fotografias, mapas e fragmentos arqueológicos que representam a história da evolução urbana do Recife do século XVII aos dias atuais. Além disso, o belo museu proporciona a seus visitantes, expedições, seminários e ações de educação.

No último capítulo em doces terras pernambucanas, comentaremos sobre a rica arte sacra e a herança gastronômica! Não percam!

Fontes: 

@aclubtour 

Arquivo Nacional

Fundação Joaquim Nabuco

Museu da Cidade do Recife

Instituto Ricardo Brennand

UFRP

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