Douglas Delmar entrevista o Grande Poeta Manuel Rodrigues

Manuel Adriano Rodrigues, nascido a 06 de agosto de 1965, na aldeia de Carviçais, situada no nordeste do planalto transmontano, concelho de Torre de Moncorvo, distrito de Bragança, funcionário público a trabalhar e a viver na zona oeste, na zona das Caldas da Rainha.

O gosto pelas palavras e expressão poética, vem-lhe desde criança quando de forma natural esboçava para o ar, conjunto de palavras com conteúdo rimado. Nunca deixou de escrever, mas nunca sentiu motivação para as suas palavras dar a conhecer. Por motivação de amigos, começou a abrir o seu escrever, deixando aos poucos ao mundo dar a conhecer o que lhe vai na alma.

Manuel Rodrigues - Arquivo Pessoal
  • Como despertou o seu gosto pela escrita poética?
  • A escrita em mim é inata, e penso que herdei essa veia dos meus ancestrais, considerando que meus avós e bisavós já tinham alguma apetência para a leitura e para alguma escrita pessoal.

Desde que me lembro que a poesia vive em mim, primeiramente com manifestações orais sem que eu tivesse a percepção de que do meu diálogo saíam frases com conteúdo rimado. Aos poucos fui sendo alertado para esse facto de comunicação e aos poucos fui motivado a despertar para a vertente da escrita deixando sair o que me ia na alma, dando luz ao meu pensar e ao meu sentir.

  • Quais sentimentos te inspiram a escrever?                                                                             Quando escrevo existe uma separação do meu ser físico passando a estar embrenhado no meu EU sensorial e sentimental. Aqui viajo pelo meu mundo interior deixando o meu coração falar pelo que observa e sente do mundo exterior.

    Dou ênfase privilegiado como todo e qualquer autor ao AMOR, e ao amor sentido nas suas múltiplas vertentes. Em primazia por razões umbilicais a dedicação ao amor materno que tantas e diversas manifestações se materializam em mim. 

    A saudade, marca em mim afincadamente o meu regresso mental a tempos vividos e nesse sentido transporto-me com inúmera frequência à minha infância e a momentos que me ficaram em memória.

    Valorizo e dedico a minha escrita ao sentimento da boa amizade, da moral e dos bons costumes, isto penso que refletido do fruto da educação que me foi ministrada.

    Sendo um sentimentalista, quando escrevo, gosto de o fazer em solidão, tentando absorver as sensações por vezes em sinestesia numa percepção do mundo sensorial que me rodeia. Tento mergulhar em cada sensação obtida, quer visivelmente, quer pela audição, quer pelo tato ou olfato, quer deixando apenas falar o coração.


Manuel Rodrigues - Arquivo Pessoal
  • Entre seus livros lançados, estão “Mariana, Saudades de Ti” e “Para Ti Mariana”, que contém poemas escritos e dedicados à sua mãe, Mariana Augusto Mouro. Como foi escrever inspirado pela saudade? E como os leitores reagiram às suas obras?

Estes dois livros dedicados na integra à minha Mãe. Foram dois projetos que exigiram muito do meu Eu sentimental. Só foram possíveis concretizar pelo grande valor de consideração a quem me deu a vida e me fez bater o coração. Não foi fácil conseguir escrever quando as lágrimas foram muitas dos meus olhos verter. Aproveitei a inspiração que tomou conta de mim e deixei falar o coração, superando a dor da ausência, da saudade e da nostalgia que me invadia. Escrevi em lágrimas, mas foram as palavras que senti em diálogo interior com a minha Mãe que naquele momento ela para mim tinha.

Sendo um livro de conteúdo sentimentalista, com expressão de apego maternal, levou que a maioria das pessoas que leram o seu conteúdo ficasse envolvida nos sentimentos e de alguma forma  se reverse neles, motivando que as lágrimas aparecessem nos seus rostos.



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  • Você coordenou a antologia poética “Os Patudos”, onde o objetivo era angariar fundos para a Associação AMIGO FIEL, que cuida de cães abandonados. Conte-nos mais sobre esse projeto e qual sua importância. 

A antologia poética Os Patudos, surgiu numa combinação de sentimentos e ideias, com o propósito de tentar despertar as consciências das pessoas para o problema actual e cada vez mais global sobre o abandono e o mau trato animal. 

O animal de estimação não pode ser visto como um objecto descartável que se usa e deita fora, hoje e agora queremos, amanhã por razões múltiplas nos saturamos e colocamos fora das nossas vidas, e então deixamos os animais ao mau trato ou abandono. 

Existem pessoas e instituições que tentam salvaguardar estes animais destes maus tratos e abandonos e então acolhem-nos nas suas instalações muitas vezes superlotadas e com carências várias e com falta dos necessários apoios estatais. Neste sentido, como uma forma de minimizar tais esforços e ajudar estas instituições e a AMIGO FIEL em particular, surgiu a antologia Os Patudos.

  • Você sempre está presente em eventos literários, exaltando a poesia. Na sua opinião, como podemos despertar nas pessoas esse gosto pela literatura?

A poesia é um fenómeno de magia, que penso que todo o ser humano é levado a gostar, mas nem todos a entendem. Claro está uns mais que outros. Muitas pessoas por observação pessoal em diversas ocasiões de leitura de textos de poesia, não tem a perceção do que está escrito, não entendem a mensagem que o autor na sua forma indirecta quis transmitir. Tudo porque não leem nem sentem com a tal magia inerente da poesia.

 Para as pessoas despertarem para a poesia, penso que deveria existir uma divulgação mais abrangente da poesia por parte de quem tem responsabilidades na cultura assim como motivar organizações e instituições a levar mais de perto as pessoas o conhecimento da poesia e desmitificar a ideia errônea de que a poesia e os seus autores são os parentes “pobres” da literatura.

  • Você é natural de Carviçais, distrito de Bragança. Sua aldeia é recheada de belíssimas paisagens e é riquíssima historicamente e culturalmente. Sua terra natal lhe inspira de alguma forma? Como?

A minha terra natal, o berço que me viu nascer e crescer, tem sido desde sempre uma fonte de inspiração quer na escrita que lhe tenho dedicado, e nesse sentido já escrevi e publiquei três livros a ela dedicados, nomeadamente: “Viagem ao Planalto”, “Lembrar as Origens” e “Lembrar Carviçais”. Quer também nas diversas peças de artesanato que tenho elaborado a invocar minha terra natal.

É natural que os tempos que vivi na minha aldeia e as minhas experiências vividas e assistidas pelo seu grande simbolismo me tenham marcado positivamente e hoje lhe queira dar vida sentindo-me de novo criança e regressar às minhas origens. Apesar de alguma distância que hoje nos separa, eu continuo a sentir-me “filho da terra” e continuo a viver presencialmente com o coração no meu local de vida de eleição.

  • Quais autores gosta de ler? Algum deles influenciou na sua escrita?

A minha leitura é um pouco diversificada, tal como a música. Gosto de ler determinado autor mediante o meu estado de espírito interior. Leio um pouco de tudo, quer de livros a revistas ou mesmo jornais. Claro está que tenho sempre um maior apetite literário para a leitura de poesia. Dentro dos autores que mais me cativam posso citar:  Miguel Torga, Guerra Junqueiro, Campos Monteiro, Fernando Pessoa, Luís de Camões, Bocage, António Aleixo, Eça de Queirós e Camilo Castelo Branco, entre outros.

 

Manuel Rodrigues com seus livros - Arquivo Pessoal
  • Além de escrever poesia, quais outras atividades você gosta de praticar?

Algumas pessoas mais próximas referenciam-me, como sendo um ser irrequieto, apelidando-me por vezes como um homem dos ”sete ofícios”. Gosto de saber um pouco de tudo, e nunca digo que não sou capaz, digo antes: “vou tentar”….

Para além da escrita motivo-me praticamente na mesma proporção de motivação, com a elaboração de trabalhos artesanais. Gosto de olhar para determinados objectos que ninguém lhe dá “vida”, não lhes desperta interesse, e eu tento ver com o meu interior e tentar dar-lhe valor.

No que diz respeito ao artesanato sou autodidata e generalista.  Tento fazer o que gosto e a meu gosto, fazendo um pouco de tudo mediante a motivação no momento. Crio obras para mim, a que chamo de meus filhos. Por esse apego sentimentalista no que faço, não me é fácil desprover-me dos trabalhos que elaboro. 

Os meus trabalhos de artesanato poderão ser observados em:  madroart          https://www.facebook.com/Madroarte 

ou

http://madroarte.blogspot.com/.

  • Manuel Rodrigues, a Revista do Villa agradece sua participação e deseja todo sucesso em sua trajetória literária. Para finalizar, deixe uma mensagem aos nossos leitores.

A mensagem que eu poderei deixar aqui, é no sentido de que as pessoas independentemente de considerarem ter vocação ou motivação para qualquer coisa, seja escrita ou artes, nunca se resigne a ela própria em negação de que não sabe ou não tem valorização para …..

Tente!

Sem tentar nunca sabe a sua real vocação ou valorização, quem sabe se não se surpreende a si própria e aumenta a sua auto estima. Por isso tente ocupar os tempos livres com algo que lhe preencha a alma e o faça sentir bem consigo próprio valorizando-se.

LIVROS EDITADOS:

1- Toma lá Quinhentas (Edição de autor_Grafibom – Bombarral)

2- Pensamentos á Meia-Noite (Edição de autor_ Grafibom – Bombarral)

3- Voz do Coração (Edição de autor_ gráfica Caldas da Rainha)

4- Entre o Sol e a Chuva (Edição de autor – Gráfica Caldas da Rainha)

5- Nostálgica Juventude

6- Ondas o Mar (Edição de autor – Gráfica Caldas da Rainha)

7- Espelhar do Meu Ser (Edição de autor, gráfica Veneza – Aveiro)

8- Para Ti Mariana (Edição de autor, gráfica Veneza – Aveiro)

9- Viagem ao Planalto (Edição de autor, gráfica Veneza – Aveiro)

10- Lembrar as origens (Edição de autor, gráfica Veneza – Aveiro)

11- Mar de Palavras (Editora OZ)

12- Rascunhos do Pensamento (Editora EUEDITO)

13- Capicuas (Editora EUEDITO)

14-Lembrar Carviçais (Editora EUEDITO)

PARTICIPAÇÕES COLECTIVAS (COLECTÂNEAS e ANTOLOGIAS):

01- Antologia _De Mim Para Ti (Letras da Lagoa de Óbidos) 

02- Antologia_ oh! Minha Terra Onde Nasci (Letras da lagoa de Óbidos)

03- Colectâena_Mulher (Associação Portuguesa de Poetas_ Maria Graça Melo)

04- Colectânea_Pai e Mãe (Associação Portuguesa de Poetas_ Maria Graça Melo)

05- Colectânea_ Livro Aberto 2017 (Rádio Voz de Alenquer)

06- Antologia Horizontes da Poesia_IX (Horizontes da Poesia)

07- Antologia da A.P.P. XXI (Associação Portuguesa de Poetas)

08- Antologia_ Entre o Sono e o Sonho IX_ Chiado

09- Antologia de Outono ( Editora Poesia fãclube)

10- Colectânea_ Espontâneos de Natal (Associação Portuguesa de Poetas_ Maria Graça Melo)

11- Colectânea Livro Aberto 2018  (Rádio Voz de Alenquer)

12- Antologia_ Toca a Escrever

13- Coletânea Coletiva PoemArt,  ( O Declamador)

14- Colectânea_Pai e Mãe II, (Associação Portuguesa de Poetas_ Maria Graça Melo)

15- Concurso de poemas ilustrados “ Nau dos Sonhos” ( Associação Portuguesa de Poetas)

16- Coletânea Coletiva PoemArt,  Delírios II ( O Declamador)

17-Colectânea “Criança” (Associação Portuguesa de Poetas_ Maria Graça Melo)

18- Antologia Amantes da Poesia II- (Radio popular FM)

19- Antologia Horizontes da Poesia_ X ( Horizontes da Poesia)

20- Antologia da A.P.P. XII ( Associação Portuguesa De Poetas)

21- Revista Alfarrábios_ Brasil_ ( IN FINITA )

22- Antologia_ Palavras que contam (Gerábriga)

23- Antologia_ Conexões Atlânticas II ( In FINITA )

24- Colectânea_ Amizade (Associação Portuguesa de Poetas_ Maria Graça Melo)

25- Prémio Autor Publica_ Do Nada

26- Antologia_Conexões Atlânticas III ( IN FINITA )

27- Antologia_Entre o Sono e o Sonho X_ Chiado

28- Coletcânea_Lugares e Palavras de Natal VII Volume (Editora Lugares de Palavra)

29- Colectânea_Espontâneos de Natal 2018 (A. P.P._ Maria Graça Melo)

30- Livro  Sentires no Plural_Nossos (Grupo Sorrisos Nossos)

31-Afectos Poéticos (Biblioteca de Alenquer)

32- Desafios de Escrita_Brinde ao Fado (Biblioteca de Alenquer_ Alencriativos )

33- Antologia_ Os Patudos (Organização do próprio)

34- Colectânea_ Livro Aberto 2019 (Rádio Voz de Alenquer)

35- Antologia_Liberdade_Chiado

36- Antologia Horizontes da Poesia_ XI (Horizontes da Poesia)

37- Antologia_ Foz do Arelho

38- Antologia Conexões Atlânticas IV ( IN FINITA )

39- Antologia Gerábriga_Encontro Nacional de Poetas

40- Antologia Gerábriga_2019_ Palavras que contam

41- Antologia_ Entre o Sono e o Sonho XI_ Chiado

42- Antologia APP XXIII

43- Duetos Dordianos

44- Antologia_ Horizontes da Poesia_XII

45- Colectânea_Quarentena_Chiado

46- Colectânea_ In-Finita_ Conexões Atlânticas V

47- Colectânea_ In-Finita_ Pandemia

48- Antologia APP_XXIV_ 2020

49- As Palavras que Amália Cantou_ Alecriativos Alenquer

50- Antologia_ Entre o Sono e o Sonho_ Chiado

51- Colectânea_Toca a Escrever

52- Antologia Natureza á Escuta_Instituto Cultural de Évora

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– Menção Honrosa no Concurso Literário “Monumentos por Escrito” ( CLDS Bombarral Social)

– Prefácio Livro SENTIRES DE MIM PARA TI de Litas Ricardo

– Elaboração da Capa do Livro HISTÓRIAS REAIS DE UM AMOR ETERNO de José Campos Portinha

PARTICIPAÇÕES em Programas de rádio:

1- Programa Novos Horizontes, Mais Oeste Rádio, 94.2 FM, 16-07-2017

(Maria Leonor Quaresma)

2- Rádio Popular FM_ programa Amantes da Poesia de Maria Isabel Rodrigues, 24-10-2017

3- Rádio Voz de Alenquer_ Programa Livro Aberto de Ana Coelho ( 09-04-2018).

PARTICIPAÇÕES em EVENTOS de POESIA:

1- Participação em Versos á solta (Biblioteca de Alenquer)

2- 1ª Maratona, 12 horas de Poesia (Biblioteca de Alenquer)

3- Participação Afectos Poéticos ( Biblioteca de Alenquer)

4- Participação Brinde ao fado ( Biblioteca de Alenquer – Alencriativos )

5- Piquenique de Poetas (Organização do Próprio)

6- Participação Fotografar Alenquer

7-Declamação em vídeo  ( Biblioteca de Alenquer )

X

. Para além da escrita, motiva-se com a elaboração de artesanato pessoal.

. Associado da Associação Portuguesa de Poetas

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