André Conrado apresenta A vitória do Espírito Santo- Parte 1

Imagem do Mapa Espirito Santo - 1586 - Arquivo Publico Nacional

Convido aos caros leitores a mais uma viagem no tempo. Desta vez aportaremos na antiga “Vila Nova do Espírito Santo”.

A colonização do Espírito Santo iniciou-se com o desembarque de Vasco Coutinho em 23 de maio de 1535 na área da prainha de Vila Velha, onde fundou o primeiro povoamento. Como era o domingo da celebração de Pentecostes, o donatário deu o nome de Espírito Santo à nova terra onde aportava. 

Sendo a área de Vila Velha constantemente atacada pelos índios Goitacazes, Vasco Coutinho começou em 1549 a procurar um lugar mais seguro e identificou uma nova ilha montanhosa onde fundou um novo núcleo com o nome de “Vila Nova do Espírito Santo” que em contrapartida ao primeiro passou a ser chamado de Vila Velha

Foto de Vila Velha e Convento da Penha - Final Séc XIX - Arquivo Público do Estado

Em 8 de setembro de 1551, os portugueses obtiveram uma grande vitória de suas batalhas contra os índios. Para celebrar o fato eles mudaram o nome da vila para “Vila da Vitória”, essa data passou a ser considerada como a de fundação da cidade.

Segundo consta em relatos históricos, Vasco Coutinho foi forçado pelo rei de Portugal, Dom João III, a trazer com ele para “ajudar” na colonização, 60 condenados da justiça em Portugal. 

Logo depois de desembarcar e erguer sua paliçada na praia de Piratininga, ele iniciou a distribuição de lotes (sesmarias) para seus companheiros. Dom Jorge de Menezes recebeu a ilha do boi, o Sr. Valentim Nunes recebeu a ilha dos frades e o fidalgo Duarte Lemos, que veio para o Brasil posteriormente, ganhou a ilha de Santo Antônio. Todas essas belas ilhas estão localizadas na atual baía de Vitória.

Foto das Ilhas da Baia de Vitória - ES - Anos 20 - Arquivo Nacional

Pode-se dizer que o desenvolvimento da vila se iniciou com a chegada dos jesuítas, no mesmo ano da batalha da vitória e da fundação oficial da cidade. 

Os jesuítas começaram a construir o seu convento e Igreja de São Tiago (atual palácio Anchieta)

Foto da Reforma do Palácio Anchieta - 1911 - Coleção Jeronimo Monteiro

Ao lado da construção da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Vitória.

Foto da Igreja Matriz Nossa Sra da Victoria- ES - Final séc XIX (demolida em 1918) - Arquivo Publico do Estado

                                                A influência religiosa na história de Vitória

Foto da Entrada da Baia de Vitoria - 1860- Victor Frond

A estrutura religiosa e a força da catequese jesuíta foram os responsáveis pela organização social do espaço urbano. Durante todo o período colonial, o poder religioso e o estado praticamente se confundiam no poder exercido no desenvolvimento e manutenção da ordem social. Foram os jesuítas que iniciaram a alfabetização e a criação de uma espécie de tribunal chamada “confraria da caridade” da qual o padre Anchieta foi Capelão.

Logo após os Jesuítas vieram os Franciscanos em torno de 1591. Em 1678 junto com o novo dono da capitania, Francisco Gil de Araújo, vieram os Carmelitas Calçados. 

Os Franciscanos vieram para a vila de Vitória a pedido do donatário Vasco Coutinho ao superior da ordem Frei Melchior, pois os bons trabalhos realizados pela ordem na província de Olinda, que estavam sendo conhecido pelos governantes do Sul. O local escolhido para a instalação do convento ficava em um morro hoje conhecido por Fonte Grande. A escolha deveu-se sobretudo pelas existências de fontes de água natural. O convento foi pioneiro no abastecimento de água na região. Em 1643 foi concluído um aqueduto que levava a água da fonte grande diretamente para as dependências do convento. Essa água depois seria utilizada para a população.

Foto do Convento de São Francisco (Morro do Moreno) - Final séc XIX - História da Arquidiocese de Vitória

Os franciscanos tiveram ainda, importante papel na defesa da cidade contra invasões estrangeiras em 1625 e 1643.

Capela de Santa Luzia

Foto da antiga Capela de Santa Luzia - Final séc XIX - IPHAN - ES

A capela de Santa Luzia tem um imenso valor histórico e cultural, considerada a construção mais antiga preservada na cidade de Vitória. Supõe-se que ela tenha sido construída entre os anos de 1537 á 1540, antes mesmo da fundação da Vila. Ela era a capela da fazenda de Duarte Lemos que recebeu a ilha como doação de Vasco Coutinho.

Curiosidades:  

Os “capixabas” 

Em meio ao pequeno núcleo urbano, de feição nitidamente colonial, havia “capixabas” – roças – na língua dos índios – expressão que acabou servindo para denominar os habitantes da ilha e, posteriormente, todos os espírito-santenses. 

No próximo capítulo desta expedição em terras capixabas, falaremos dos ciclos econômicos que trouxeram desenvolvimento e riqueza à essa bela Cidade-Ilha. Não Percam! 

Fontes: @aclubtour

Arquivo Nacional

Arquivo Público do Estado

Biblioteca Nacional Digital

História da Arquidiocese de Vitória

IPHAN – ES

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