Flávio Santos Apresenta a História do Professor Carlos Octávio Flexa Ribeiro

O Professor Carlos Octávio Flexa Ribeiro.

paraense Flexa Ribeiro se mudou com a família para o Rio de Janeiro em 1914, no mesmo ano do seu nascimentoSeus pais, o literato e crítico de arte José e Dona Alice Flexa Ribeiro, professora e lente de francês do Ginásio Paes de Carvalho, de Belém do Pará, traziam o bebê de apenas três meses de idade. A família se instalou no bairro do Leme, orla da zona sul do Rio. O menino, já mais crescido, começou os estudos no Colégio Andrews, instituição fundada em 1918 por Isabella Robinson Andrewsviúva do negociante de café Robert “Frank” Andrews. Dona Alice fez parte da diretoria do educandário entre 1919 e 1932 e a família assumiu o controle do negócio no final da década de 1920.

Carlos Flexa Ribeiro se tornou diretor do Colégio Andrews em 1942. Antes, durante a década de 1930, continuou seus estudos. Fez parte do 1.o curso superior de formação de professores, criado por Anísio Teixeira na então Universidade do Distrito Federal. Se formou em História pela UDF (atual UERJ). Graduou-se bacharel em Direito pela Faculdade Nacional e passou uma temporada na Sorbonne, no curso de História, nos anos de 1935 e 1938, respectivamente.

Em 1952, disputou e venceu os concorrentes, dentre eles o crítico Mário Pedrosa, num concurso para a cátedra de História da Arte e Estética da Faculdade Nacional de Arquitetura. Tirou o primeiro lugar defendendo a tese “Velásquez e o Realismo”.

Durante os embates entre liberalistas e estatistas nas discussões acaloradas sobre a 1.a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, assessorou os deputados Carlos Lacerda e Santhiago Dantas. Assim, com o ingresso na vida pública, mais partidária, passou a sofrer ataques da esquerda. Flexa Ribeiro era chamado de “tubarão” da educação, “professor”, com aspas, para exprimir ironia. A mesquinhez chegou ao ponto mais baixo quando criticaram a grafia do nome da família: Flexa.

Ônibus escolar do Colégio Andrews. Imagem site da instituição.

Em 1960 tentou se eleger Deputado Constituinte, mas falhou. Foi então convidado pelo governador do Estado da Guanabara, Carlos Lacerda para o cargo de secretário de Educação e Cultura. Sob protesto do Sindicato dos Professores, que o chamavam de “negociante” do ensino, aceitou o cargo. 

O secretariado de Lacerda apresentou sua declaração de renda, explicitando um quadro composto por milionários. Mais protestos. Sob seu comando a secretaria criou cerca de 1.570 novas classes, acabando com as filas para matrícula nas escolas públicas, liquidando o deficit de vagas para os alunos. Aumentou o número de vagas nos “ginásios” (escola secundária), criou cursos industriais nos subúrbios do Rio, reorganizou a universidade estadual – UEG e fundou a Esdi, Escola Superior de Desenho Industrial, em 1962. Até que se saiu bem para um, como diriam seus detratores, “inimigo jurado da escola pública”…

Flexa Ribeiro entre Graham Greene e Assis Brasil. 1960. Ao fundo o MAM do Rio

Em 1965, perdeu a eleição para governador da Guanabara, vencida por Francisco Negrão de Lima. Foi deputado eleito pela ARENA, representando a extinta Guanabara e o novo Estado do Rio de Janeiro até 1978, quando resolveu se afastar da vida pública.

O professor, conferencista, crítico de arte, poeta e historiador Flexa Ribeiro morreu aos 77 anos, no Rio de Janeiro em 6 de agosto de 1991. Foi o primeiro representante do ensino privado a ocupar um cargo secretário de educação, foi também diretor do Departamento de Educação da Unesco, do Museu de Arte Moderna do Rio, delegado da Bienal de Artes de São Paulo e de Veneza, Itália, e Comissário Especial para integração dos povos da Comunidade de Língua Portuguesa.

Foi enterrado no cemitério São João Baptista, bairro de Botafogo, Rio de Janeiro.

Isabella Robinson Andrews. Fundadora do Colégio Andrews. Imagem de Internet. c.1920.
O Prof. Flexa Ribeiro, Lilibeth de Carvalho e Roberto Marinho. Sem data. Imagem de Internet.
Sede da Esdi, entre a rua do Passeio e a rua Evaristo da Veiga. Sem data. Imagem do site da Esdi.
O Professor e escritor Flexa Ribeiro. Revista Fon Fon 1922 Acervo BN
Mário Filho e o Prof. Flexa Ribeiro. Sem data. Imagem de internet.
Praia de Botafogo. c.1910. Casario com destaque para a torre da Igreja da Imaculada Conceição. Imagem Internet.
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