DOUGLAS DELMAR ENTREVISTA A ARTISTA E POETISA TEREZINHA MALAQUIAS

Terezinha Malaquias – Projeto Olhe para mim… Schau mich an – Arquivo Pessoal

Terezinha Malaquias nasceu em Frutal, Minas Gerais, mas ainda jovem, mudou-se para São Paulo com a família. Mais tarde, em 2008, passou a morar na cidade de Freiburg, Alemanha. Estudou teatro e performance no Brasil. Mas se formou escultora na Alemanha. É multiartista e trabalha com várias linguagens (desenho, pintura, colagem, fotografia, performance, videoinstalação, videoperformance. Escreveu e publicou seis livros, de poesias, infantil e um livro contando a sua experiência com o ato de posar como Modelo Vivo. Tem um canal no Youtube e lá criou a série “Brasileirxs Estrangeirxs como Eu. Criou e apresenta no seu Instagram @terezinhamalaquias, a live “Café da Manhã/Frühstück”. Desde 2017 faz a série “Olhe para mim… Schau mich na”, que é fotoperformance, autorretrato com os temas “visibilidade” e “resistência“. Trabalha também com Reiki e Terapia Multidimensional porque acredita no poder dessas terapias para o bem estar próprio e para ajudar outras pessoas.

Terezinha Malaquias em ensaio fotográfico- Crédito Gerhard Borchert

1 – Como a poesia passou a fazer parte da sua vida?

Eu entrei na escola com 10 anos, porque morava na fazenda. Mas já era alfabetizada pela minha irmã Maria Célia. Com 11 anos comecei a escrever as primeiras poesias.

2 – Você é uma artista de múltiplos talentos e facetas, pois além da poesia, também se expressa através da escultura, da pintura, da fotografia, entre outras formas. O que a levou a seguir pelo caminho da arte? E como consegue conciliar tantas atividades?

Nasci com desejo da arte e aos 5 anos já pedia para os meus pais, para mudarmos para São Paulo, capital, para eu ser artista. Embora tenha demorado muitos anos para eu ter a consciência de onde veio esse desejo, mas talvez eu o tenha herdado dos meus pais. Minha mãe cantou durante muitos anos no coral da igreja católica da cidade dela. Meu pai, além de cantar em festas de Folia de Reis, dançava cantira.

Eu iniciei minha carreira como manequim e modelo fotográfico. Fiz teatro profissional em São Paulo e participações em novelas do Sbt, como “Como Sangue do meu Sangue”, “Marisol”, na Record, a “Turma do Gueto”.

Assim como nós, a arte é múltipla. E eu escolhi trabalhar com diversas linguagens. Dependendo do projeto que trabalho ou desenvolvo no momento, escolho uma ou outra linguagem para me expressar.

Aquarela feita por Terezinha Malaquias – Arquivo Pessoal

3 – O que a inspira a criar sua arte?

A vida me inspira muito. Os acontecimentos do cotidiano, as pessoas e as histórias que elas carregam. Trabalho muito com temas que eu chamo de pessoais, mas eles são também universais. Vivências nossas, experiências humanas que vivemos em algum momento da nossa vida.

4 – Você é autora do livro “Menina Coco” onde conta três histórias da sua infância na fazenda onde viveu com sua família. Conte-nos um pouco sobre essa obra.

Tem a história do Dourado que era o meu burro e escrevi sobre as minhas aventuras com ele. Nossa amizade. O Enterro da Bolinha que foi a primeira cachorrinha que minha família teve e morreu muito cedo, por causa de um acidente doméstico. E o conto Menina Coco, que dá título ao livro, é sobre o dia que o meu pai pegou o estilingue dele e apontou para o pé de coco, carregado de coquinhos amarelinhos. (O coco da minha história é um coquinho pequeno que a gente chupa).

Capa do livro de poesias Teodoro – Arquivo Pessoal

5 – Você lançou o livro “Modelo Vivo”, onde desmistifica essa profissão. Conte-nos como foi escrevê-lo e como foi a experiencia de trabalhar como modelo vivo.

Desejava imensamente escrever um livro sobre a minha experiência com o ato de posar. Profissão essa, que eu amei fazer durante quase 28 anos. Eu fui escolhida e abraçada por ela.

No livro, assim como no filme curta metragem “NA POSE IN DER POSE” que fiz em 2017 no Rio de Janeiro e finalizamos em 2018, é um relato e homenagem ao trabalho. O curta tem direção do Alex Mello e Vitor Kruter. Eu sou a performer e produtora executiva. Trabalhar como Modelo Vivo, foi um dos melhores presentes que a vida me deu. Eu me tornei uma pessoa muito melhor do que era antes com esse trabalho. Mais consciente do meu corpo, passei a amar e respeitá-lo mais.

Posar é um ato de profunda entrega e confiança. É um ato de humildade, amor e respeito.

6 – O seu livro de poesia “Teodoro” foi inspirado por acontecimentos da sua vida e do seu cotidiano, tanto na Alemanha quanto no Brasil. Há alguma memória em especial que a inspire?

Teodoro, são poesias e pequenos contos do cotidiano. É também uma homenagem à vida, à minha ancestralidade. Teodoro era meu avô materno e tem uma poesia para ele. Escrevi sobre a lembrança da morte dele, que ainda hoje está presente na minha memória. Escrevi para homenagear a memória do meu pai e da minha mãe. E tem outros temas também.

Não é um livro triste. Fala de vida que aqui esteve e estará eternamente no coração das minhas lembranças. Escrevi sobre encontros inesperados que a vida me presenteia, dos sorrisos que recolho por onde passo. Daquilo que os meus olhos vêm e estava guardado dentro de mim.

Terezinha Malaquias – Projeto Olhe para mim… Schau mich an – Arquivo Pessoal

7 – Você já vive há 13 anos em Freiburg, Alemanha. Como é morar em um país com uma cultura tão distinta da sua terra natal? Quais diferenças você percebeu?

É realmente outra cultura, outro mundo. É estar num constante aprendizado diário, sem nunca perder a minha essência de brasileira. As diferenças são gritantes: clima, pessoas, costumes, comida, casas…

Por exemplo: aqui não andamos com os sapatos da rua dentro de casa. Muitas pessoas não almoçam. Só tomam café da manhã, comem uma fruta ou um pão na hora do almoço e depois jantam. Me adaptei muito rápido a esse jeito de viver. As pessoas não abraçam e beijam como fazemos no Brasil. Me lembro que o marido de uma grande amiga alemã, só depois de 4 anos, ele passou a me cumprimentar com beijos. É natural convidar alguém para comer na sua casa ou ser convidada para a casa de alguém e todas as pessoas levam algo para comer ou beber.

8 – Você é natural de Frutal, Minas Gerais. Sente saudades da sua cidade natal? Ela inspirou sua trajetória artística de alguma forma?

Sim, sinto saudade de Frutal e também de São Paulo, cidade que o meu coração escolheu para nascer e onde eu vivi a maior parte da minha vida. Cheguei em São Paulo com apenas 14 anos. Tenho escrito muito sobre as minhas raízes mineiras tanto nas poesias quanto nos contos. Com o passar dos anos morando aqui, começo a me voltar para as lembranças da minha infância mineira.

Pintura de Terezinha Malaquias – Arquivo Pessoal

9 – Vivemos em tempos onde as mulheres cada vez mais conquistam seus direitos e tem a liberdade de expressarem suas opiniões e desejos. Nesse contexto, qual é a sua opinião sobre o protagonismo feminino nas artes?

Sou muito feliz de poder viver nesse tempo onde o protagonismo feminino nas artes só cresce. Sinto que precisamos avançar muito ainda. Mas começamos a sermos vistas. E não terá volta. Seguiremos ocupando cada vez mais o nosso lugar de direito nas artes, na literatura. Talento nós temos e podemos fazer o que nós quisermos. E que o mundo pare para nos olhar e nos aplaudir.

Como mulher preta que sou acho extremamente importante fazer esse recorte racial e de gênero. Tenho muitos trabalhos em diversas linguagens nos quais eu trago esse tema para a cena. “Visibilidade e resistência”, estão presentes na minha vida-arte-vida. Não há separação.

10 – Terezinha Malaquias, a Revista do Villa agradece a sua participação. Desejamos todo sucesso em sua trajetória artística e cultural. Para finalizarmos, deixe uma mensagem aos nossos leitores!

Eu me sinto feliz e honrada em ser entrevista pela Revista do Villa. Muito, muito obrigada! Desejo a vocês muito sucesso, reconhecimento e vida longa!

Leitoras/leitores: ouçam o coração de vocês! Trabalhem para realizarem os seus sonhos. Cuidem-se! Fiquem e permaneçam saudáveis. Reconheçam o presente que é viver!

Ensaio Fotográfico – Crédito Diego Cavalcante

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