FÁBIO DEZZE CONVIDA ALINE ANTONOFF SÃO CONRADO EM FOCO

Sou moradora do bairro desde 1984 e sempre gostei de São Conrado. Sempre frequentei todos os lugares do bairro (muito mais nos finais de semana), mas depois que tive minha filha em 2013 comecei a participar mais dos problemas e curiosidades das redondezas e acabei descobrindo um comércio informal e formal gigantesco

FOTO: ALINE ANTONOFF

Trabalhei 17 anos em Copacabana e em 2016 depois de perder o meu pai de forma repentina, resolvi trazer a minha loja para casa ( home office ) e transferi a escola da minha filha para cá, então passei a ” viver mais o bairro. “

Academia, escola, trabalho, restaurantes, salão de beleza… tudo que era em Copacabana, passou a ser em São Conrado e meu círculo de amizade aumentou entre as pessoas do próprio bairro. No final de 2019, entrei para uma nova associação do bairro e me aprofundei ainda mais nos detalhes diários das redondezas. Conheci muita gente e percebi que muitas delas que faziam comida em casa pra vender, revendiam roupas, faziam artesanato e conversando com as minhas amigas, pude perceber que tudo isso não era divulgado como deveria. Foi aí que resolvi criar o Instagram chamado SÃO CONRADO EM FOCO!
  Para divulgar esse comércio, informar curiosidades e notícias do bairro. As notícias não são as “notícias diárias” como existe nos outros Instagrans voltados ao jornalismo, são notícias de eventos maiores que vão ou estão acontecendo. 

FOTO: INSTAGRAM SÃO CONRADO EM FOCO

As redes sociais hoje, são as “grandes avenidas ” responsáveis por levar e trazer as informações com rapidez. A pandemia acabou ajudando a trazer para o meu conhecimento, mais gente querendo divulgar seu trabalho e passei a incentivar o consumo do  “comércio de bairro ”

Temos de tudo um pouco e praticamente não precisamos sair do bairro para mais nada. A intenção é essa, ajudar pequenos comerciantes ao redor. Uma frase que eu sempre falo é: JUNTOS SOMOS MAIS FORTES. Atualmente, o bairro tem muitos problemas e temos muitos políticos, artistas e personalidades vivendo aqui, mas precisamos do envolvimento das pessoas, o bairro precisa!

FOTO: PRAIA DE SÃO CONRADO

As primeiras lembranças que tenho de São Conrado são do prédio que eu morava na Av. Niemeyer, tudo novo e mudei logo que terminaram de construir, o prédio tinha play  (coisa que o meu outro prédio não tinha). Eu ia a pé para o Fashion Mall pra tomar milk shake  de ovomaltine no Bob ‘s que ficava onde hoje fica  o Lavanda… eu devia ter 12 anos e ia sozinha lá, a taça gigante de sorvetes do Vianna,  meu primeiro relógio que comprei na Water Proof… tantas lembranças do Shopping.   

Lembranças da praia que frequentei sempre desde os meus 6 anos, no mesmo lugar, na mesma rampa do picolé “dragão chinês”, o do Hotel Nacional antes de fechar, da hidroginástica que eu fazia com a minha mãe naquela piscina gelada… do Free Jazz Festival… dos primeiros eventos de beleza que comecei a frequentar na minha vida antes de decidir abrir a loja com a minha mãe em 1999.

Lembro-me das festas juninas  super disputadas do Condomínio Village que também marcaram a época.  a Rocinha era pequena e à noite se avistava poucas luzes, já nos dias de hoje parece um grande presépio!

Nós andávamos mais despreocupados nas ruas, o mar tinha menos esgoto e a praia tinha menos prédios, na verdade era tudo igual, porém diferente. 

Cresci com o bairro e me desenvolvi com o bairro. Hoje vivemos os mesmos problemas dos grandes bairros e pagamos o preço do desenvolvimento sem planejamento.

São tantos anos vivendo aqui, que tivemos que aprender a conviver com as pessoas chamando o nosso paraíso de “bairro de passagem”, também tivemos que aprender a conviver com engarrafamentos diários na Auto Estrada Lagoa Barra, com o batuque da Escola de Samba que ecoa pelo bairro nos dias de ensaio, com a batida do Funk no Emoções da Rocinha, com guerras e tiroteios…

É sem dúvida, um bairro singular. Pequeno, “de passagem”, que abriga a maior favela do mundo, com engarrafamento, tiroteio, escola de samba, baile funk, esgoto na praia., mas também já foi um dos bairros mais caros do Rio de Janeiro, tem a Pedra da Gávea como um dos mais lindos cartões postais da cidade com aquelas asas deltas saltando de lá diariamente, tem a casa de festa centenária Villa Riso, tem o único shopping aberto (ventilado) da cidade, é cercado de montanhas, tem o pôr do sol mais lindo do mundo, é um dos poucos bairros onde o verde encontra o mar, é cercado de montanhas (é um vale com mar), tem a Igrejinha mais linda da zona sul, sendo assim  entre virtudes e defeitos, ainda escolhemos as virtudes!


A minha história na ANTONOFF BELEZA começou em 1999 quando decidi largar o meu primeiro emprego no departamento de vendas do Caesar Park Ipanema para me juntar ao sonho da minha mãe. A loja sempre vendeu produtos para profissionais de salão de beleza e antes da loja física em Copacabana, fazíamos as entregas porta a porta no carro da minha mãe. Lembro-me que as vezes íamos para o subúrbio, só para levar lixas grossas para as profissionais manicures que faziam unhas de porcelana. Como era uma técnica pouco conhecida na época, resolvemos vender o produto e ministrar cursos livres. Foi um sucesso. Formamos mais de 5 mil alunos e dei muitas palestras sobre unhas nos congressos de beleza do RJ. Palestras pagas para 50, 100 e até 600 pessoas!

FOTO: INSTAGRAM ANTONOFF BELEZA

Estampei muitas capas de revistas sobre alongamento e decoração de unhas que era uma febre em 2010. Eu tinha mais de 40 fornecedores, 5 funcionárias, grandes professores, 3 salas alugadas, oferecia mais de 15 cursos, participava de 9 eventos de beleza por ano (quase 1 por mês).

Com a redução gradativa das vendas e com aumento da concorrência, tudo foi ficando mais direcionado. Antes eu vendia produtos para unhas, maquiagem, cílios, sobrancelhas, corpo e praticamente tudo, exceto produtos para cabelos. Hoje, meu foco é na nossa Henna para Sobrancelhas que leva a minha marca e na tintura austriaca de cílios e sobrancelha RefectoCil. Ficaram poucos, mas ficaram os clientes mais fiéis. A empresa é familiar e nunca tivemos a intenção de mudar isso.

Hoje sou sindica do meu prédio desde 2014, sou diretora de marketing da associação do bairro desde 2019, faço academia aqui, frequento o shopping aqui, a escola da minha filha é aqui, almoço nos restaurantes daqui, a praia é aqui e foi aqui que fiz grandes amigas, ou seja a minha relação com o bairro aumentou nesses últimos 5 anos e eu vivo 100% do bairro e amo isso de paixão.

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