XANDY NOVASKI ENTREVISTA O MISTER, APRESENTADOR E DUBLADOR MASCULINO JEYCOW FERRAZ

JEYCOW FERRAZ é um rosto conhecido não só no cenário carioca, mas em diversos lugares do Brasil pelo belíssimo trabalho como apresentador dos mais badalados concursos LGBTs. Além disso, o artista abrilhanta os palcos como Dublador Masculino e possui diversos títulos como Mister. Conheça um pouco mais da trajetória de Jeycow e entenda o motivo do mesmo ser escolhido como âncora de um dos concursos mais esperados, o “Miss e Mister Brasil Igualdade Social Gay 2021”!

JEYCOW FERRAZ - Primeiro Título MIster OK RJ 2017 - Crédito: Arquivo Pessoal
  • Em 2005 você foi convidado para conhecer a “Turma OK”, clube carioca que tem uma bagagem imensa no que se refere à arte transformista. Ali, sua vida profissional ganha um novo contorno. Quando surgiu a oportunidade de fazer seu primeiro número artístico?

Para começar a falar sobre mim, preciso voltar um pouquinho no tempo, alguns anos antes de 2005, mais precisamente 2001, quando eu, nordestino, pernambucano de uma cidade do interior chamada Abreu e Lima, aportava aqui no Rio de Janeiro trazendo na mala muitos sonhos, uma vontade imensa de vencer na vida, e ao mesmo tempo, certo temor do que esse metrópole poderia me trazer. Pois então, o tempo foi passando, as oportunidades profissionais e acadêmicas foram surgindo, os conhecimentos sociais e culturais crescendo, e é aí que chegamos em 2005 quando saí de uma peça teatral no Café Pequeno no Leblon, fui convidado por um amigo para “esticar” o programa e ir até a Lapa conhecer um Clube chamado TURMA OK. Mal sabia eu que a partir dali minha vida mudaria completamente. Na “Turma OK” descobri um novo e mágico universo, o da Arte Transformista (antes apenas visto pela TV), e o da Dublagem Masculina onde na época alguns poucos artistas já batalhavam por seu espaço no Showbiz. Ali conheci grandes nomes e personalidades da noite carioca, fiz muitos amigos, vivi amores e me descobri como artista quando, sem pretensão alguma, subi ao palco pela primeira vez, sob o incentivo daqueles “Mestres” das artes que lá se apresentavam. Na ocasião interpretei “I Have Nothing” de Whitney Houston em uma versão masculina. Ainda muito cru, sem conhecimentos das técnicas de dublagem, com poucos ou quase nenhum recursos para figurinos, fui sendo lapidado, orientado, aconselhado, o que me fez encontrar minha própria identidade. E assim nasci artisticamente, num privilegiado berço chamado “Turma OK”.

JEYCOW FERRAZ - Figurino de Show - Crédito Arquivo Pessoal
  • Algumas pessoas acham que a arte transformista é apenas buscar um figurino adequado de dublar. Contudo, vai muito além. Como é o trabalho de desenvolvimento do personagem, a pré-produção tendo como base a postura cênica, técnicas de dublagem, toda a produção envolvendo figurino e cenário e, por fim, a apresentação?

Criei para mim uma espécie de “filosofia musical”, onde tudo o que levo ao palco tem que me arrepiar a pele, marejar meus olhos. Se isso não acontece em primeira instância com a música, o figurino não flui, o estudo da mesma também não. Tem que tocar minha alma para eu encontre minha verdade ali e isso possa refletir em cena tocando um coração que seja. Uma vez que a sintonia com a escolha da música se tornou harmoniosa, busco uma pesquisa em conteúdo de vídeos e histórias que a mesma possa me acrescentar, tipo de produção e um correto posicionamento cênico. Veja bem, eu enquanto artista da Dublagem Masculina respeito muito minha identidade, algo que imprimi nos palcos; sou clássico, não possuo aquela veia performática e quando entendi isso, precisei respeitar meus próprios limites, porque pra estar em cena é importante que eu ame como estou ali porque só assim me sinto entregue e completo. Sim, já fui questionado o porquê de não ser mais versátil, ter outras facetas como dublador, e a minha resposta é uma só: porque não há uma identificação pessoal. Admiro outros artistas masculinos que têm um leque performático, mas me sinto realizado como sou dentro do meu estilo clássico, e graças a Deus tenho me colocado no cenário da noite carioca sem precisar ferir àquilo que acredito pra mim. 

JEYCOW FERRAZ - Padrinho Miss e Mister Gay Igualdade Social - RJ 2021 - Crédito Ricco
  • Muitos transformistas optam pela dublagem feminina. Você buscou pela masculina, que não se vê tanto na noite. Por que a escolha e como o público LGBT tem recebido esse diferencial?

Ser um Artista da Dublagem Masculina não foi uma escolha. Hoje sei que essa arte já morava dentro de mim, desde que nasci, porque sempre fui uma criança e um adolescente muito musical. No início tive muito medo das críticas porque elas estão aí o tempo todo, os críticos de plantão não dormem, mas como sou muito determinado naquilo que quero, me permiti aprender, ouvir bastante, assimilar o que me convinha, me dedicar e evoluir. Claro, um nome não se constrói assim da noite para o dia, e longa foi a estrada até aqui. Até me ver reconhecido como sou hoje, foi preciso entender que eu precisava fechar meus ouvidos para o que não me projetava e criar minha própria bolha onde o único ar que eu respirasse fosse o de não desistir e seguir. E aqui estou. Vivemos um momento em que, nós dubladores masculinos, somos vistos como grandes estrelas da noite LGBT. O público delira com nossas apresentações, os convites são frequentes, as casas nos recebem com muito entusiasmo e, assim, a nossa arte vai se eternizando.

JEYCOW FERRAZ - Reconhecimento em Juiz de Fora - MG como Dublador de Musicais, troféu Melhores do Ano do jornalista Eduardo Gomes, Jornal Diário Regional - Crédito Arquivo Pessoal
  • Como é escolhida a música? Você busca alguma referência da sua memória emotiva, algo do passado, um amor que ficou na lembrança?

Meus repertórios são escolhidos pela mensagem que aquela música traz, pela musicalidade, e claro, pelo perfil do cantor e o quanto aquele número possa agradar ao público que curte minhas apresentações. Recebo também muito material, muitas músicas que amigos até do estrangeiro me enviam por acharem que têm a ver comigo. Na maioria das vezes é um acerto e acabo levando aos palcos. Inevitavelmente, uma ou outra música me traz a memória, pessoas, momentos, acontecimentos… Mas isso não é pauta para minhas escolhas musicais, acontece.

JEYCOW FERRAZ - Entrevista para o Canal do Youtube RCWTV - Na foto, ao lado do jornalista Eduardo Gomes - Crédito Arquivo Pessoal
  • Montar um personagem não sai barato, principalmente no que se refere ao figurino. Como foi o início, quem te ajudou? E como se dá o processo de busca por apoios, patrocínios?

Montar um personagem não é uma tarefa fácil, mesmo em se tratando de um artista masculino. Andamos na contramão do luxo dos vestidos encantadores e das produções cheias de brilhos da arte transformista, mas nem por isso brilhamos menos. Somos muito esmerados e a inovação é uma constante em nossos figurinos. Para colocar o Jeycow Ferraz em cena, existe toda uma preocupação em trazer algum diferencial, mesmo em sua maioria das vezes sendo terno, fraques, jaquetas, casacas. Ainda assim há sempre algo de diferente neles, seja um bordado, pedrarias, adereços diversos, ou tecidos diferenciados. Sou muito detalhista e cada detalhe pra mim faz uma enorme diferença. Costumo ser citado pelo público como um artista “Impecável”, e preciso fazer jus a essa marca que já imprimi. No início da carreira meus recursos eram mínimos, mas fui me inspirando em grandes nomes da música que admiro, como meu ídolo Michael Bublé, e paralelamente fui acrescentando meus gostos pessoais nas produções que hoje tem o toque até do meu companheiro Jôh Olliver nas customizações. Tudo isso me faz hoje ter a grata satisfação de ser reconhecido também como um dos guarda-roupas mais elegantes dos artistas masculinos do Rio de Janeiro. Patrocínios eu nunca tive, mas sempre recebi e recebo “mimos” desde tecidos, cartolas, gravatas, broches, de amigos e pessoas que curtem meu trabalho, o que me deixa muito feliz porque em geral é sempre algo que realmente tem muito minha personalidade.

JEYCOW FERRAZ - Troféu JL - Melhor Apresentador do Ano - Crédito Arquivo Pessoal
  • Muitos personagens acabam ganhando um espaço especial no nosso coração. Como é pra você a pós-apresentação, ou seja, o momento de desmontar o Showbiz?

O meu momento pós-apresntação é bem tranquilo sabe… Existe uma espécie de botão, um click na minha cabeça que é acionado quando começo a me preparar desde a escolha da roupa. Mas confesso que é no camarim, na hora de me maquiar que tudo acontece, tudo muda imediatamente. É como se estivesse guardando uma parte minha e trazendo à tona o que há de lúdico e mágico em mim, a atmosfera muda, eu mudo (risos). É estranhamente delicioso, por alguns instantes, assumir um personagem que me leva pra outro mundo. Mas o estranho mesmo é me assistir. Até hoje, ao me vir em vídeos, exerço uma autocrítica muito minuciosa, onde sempre encontro algo que poderia ter feito melhor, aí guardo e busco não repetir mais em cena aquilo que me desagradou. Estou sempre em construção, porque nunca quero estar 100% pronto, quero poder estar aprendendo diariamente, me lapidando, me refinando e fazendo jus a todo reconhecimento que recebo da mídia, da crítica e do público.

JEYCOW FERRAZ - Compilado de todos os títulos - Arte JF Design
  • A arte transformista lhe abriu espaço para o universo dos apresentadores. O “Miss Mem de Sá Trans” o teve como âncora numa das edições. Quem lhe deu a primeira oportunidade e como foi lidar com a oratória, ou seja, ir além da dublagem?

Venho de uma formação cristã, cresci na Igreja em um contato direto com púlpito e apresentação em corais, porque fui corista por muitos anos da minha vida e essa bagagem me fez crescer com uma desenvoltura maior diante de um público, seja num simpósio acadêmico, numa reunião profissional, ou numa proporção maior como a dos Concursos e Eventos. Em 2016, tive minha primeira oportunidade como Apresentador e foi no conceituado Concurso MISS MÉM DE SÁ TRANS. E foi pelo olhar da idealizadora do concurso, a empresária Dandara Vlazar que passei a ser o APRESENTADOR OFICIAL do seu evento por três edições consecutivas de absoluto sucesso. Ali comecei a ganhar projeção, o grande público pôde conhecer meu trabalho em apresentação de Concursos e novos convites começaram a chegar com uma frequência que inicialmente até me assustou pela repercussão positiva associada ao meu nome. Mas fui validando todas as oportunidades uma a uma, dando o meu melhor e hoje, dito pelos organizadores de eventos, coordenadores de concursos e do público, sou considerado um dos melhores Apresentadores do Rio de Janeiro e do Brasil, dentro do segmento LGBT. Tendo esse reconhecimento coroado em 2020 com o Troféu JL na Categoria de MELHOR APRESENTADOR, prêmio que elege os melhores do ano, pelos votos de sócios do “Clube Turma OK”. Como Apresentador de Concursos de Misses e Misteres tenho em meu currículo Concursos como: – MUSA OK 2018 e 2019, o maior e mais importante certame de beleza da Turma OK; – MISS BRASIL GAY WORLD 2019; – MISS GAY SUL FLUMINENSE 2019; – MISS E MISTER GAY ZONA OESTE RJ 2020 e 2021; – BONECA OK 2018 e 2019; – MISS BELEZA NEGRA GAY RJ 2017, 2018, 2019; – MISS TRANSEX NITERÓI 2019. E agora posso adiantar que já estou contratado este ano para ser o APRESENTADOR OFICIAL do Concurso MISS e MISTER IGUALDADE SOCIAL BRASIL 2021, o MISS e MISTER GAY ZONA OESTE RJ 2022 e pela primeira vez, viver a experiência inédita de ser o APRESENTADOR de um certame Internacional, o MISS GAY INTERNATIONAL 2021. Além de estar em diversos eventos como Jurado e fazendo presença como Personalidade do mundo MISTER.

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