André Conrado apresenta: Paraty – O belo caminho do Ouro – Parte 1

Convido a todos aos leitores a mais uma viagem, rumo à uma encantadora cidade histórica e nos transportar diretamente para o século XVII. 

As casinhas caiadas de branco, suas ruas de pedras “pés-de-moleque” e suas magnificas igrejas nos remetem à um Brasil de antigamente. A proibição do tráfego de carros no centro histórico, aumentam a sensação dessa viagem pelo “túnel do tempo”.

A história de Paraty está totalmente ligada aos “ciclos do ouro” iniciado em 1695 e “ciclo do café” a partir do início do século XIX, quando a cidade teve dois impulsos econômicos. 

História de Paraty

A data de fundação de Paraty diverge de historiador para historiador. Uns falam que em 1540/1560 já havia um núcleo devotado a São Roque no Morro da Vila Velha (hoje Morro do Forte); outros, de 1597, quando Martim Corrêa de Sá empreende uma expedição contra os índios Guaianás do Vale do Paraíba; alguns outros, de 1600, quando havia um povoamento de paulistas da Capitania de São Vicente; e alguns mais, 1606, quando da chegada dos primeiros sesmeiros da Capitania de Itanhahém que, acredita-se, venha a ser a origem do povoamento como, de grosso modo, foi o sistema de Capitanias Hereditárias à base da exploração dos bens naturais, defesa e fixação do homem à terra no Brasil.

Segundo relatos históricos, a bela Paraty surgiu como um pequeno povoado, e foi Dona Maria Jácome de Mello quem doou aos índios Guaianás uma área entre os rios Perequê-Açú e Rio Patitiba, onde hoje se encontra o Centro Histórico de Paraty. A única condição era que ali fosse construída uma capela em devoção à Nossa Senhora dos Remédios. A igreja hoje está na praça da Matriz, e a santa é considerada hoje padroeira da Cidade.

A partir dos anos 1650 várias rebeliões ocorreram visando tornar a povoação independente do município de Angra dos Reis. Depois de muitas batalhas, somente em 1667, Paraty foi elevada à condição de vila, ganhando o nome de “Vila de Nossa Senhora dos Remédios de Paratii”.

Sua localização, ao fundo da baía de Ilha Grande, era de grande importância, já que de lá saía um caminho em direção às Minas Gerais. Este caminho, hoje conhecido como Caminho do Ouro – Estrada Real, era utilizado para se escoar das Minas Gerais, o ouro e as pedras preciosas que embarcavam para Portugal. Foi assim que Paraty tornou-se um entreposto comercial muito importante.

O caminho do Ouro

Com a descoberta de ouro na região das Minas Gerais, Paraty foi descoberta porque em 1702 o governador da capitania do Rio de Janeiro exigiu que os produtos que ingressassem no Brasil, com destino às Minas Gerais, deveriam chegar pelo Rio de Janeiro e necessariamente passar por Paraty. Dali seguiam para as Minas Gerais por uma antiga trilha indígena que passou a ser conhecida por “Caminho do Ouro”. Esse caminho ligava as tribos dos índios Guaianás de Paraty às tribos do Vale do Paraíba, via serra do Mar.

Após o declínio da produção do ouro, Paraty foi aos poucos perdendo importância. Foram os ciclos da cana e do café que, em meados do século XIX, ajudaram a cidade novamente a crescer.

Ciclo da Cana de Açúcar

No século XVII um novo incremento no cultivo de cana-de-açúcar e a cidade foi uma grande produtora de cachaça. A produção de aguardente trouxe à Paraty um novo período de prosperidade. Por volta de 1820, em plena alta produção da cana, Paraty chegou a ter 250 engenhos e 150 destilarias em atividade. A produção era tão elevada que a expressão “Parati” passou a ser sinônimo de aguardente de qualidade.

O Ciclo do Café

No início de 1830 o café era o produto mais exportado do Brasil, com alto valor no mercado europeu. A principal região produtora era o Vale do Paraíba. Paraty beneficiou-se disso pois era o porto mais próximo para embarcar o café para a Europa. Mais de 20.000 animais passavam por ano em Paraty carregados com sacas de café, e outros produtos agrícolas, para serem vendidos no Rio de Janeiro.

Além disso, Paraty também serviu para burlar a proibição ao tráfico de escravos com o desembarque de africanos em seu porto. Nessa época então, as rotas, por onde antes passava o ouro, foram usadas para o tráfico e para o escoamento da produção cafeeira do vale do Paraíba.

Na época do Segundo Reinado por volta de 1844, um decreto Lei do imperador Dom Pedro II elevou a antiga vila à categoria de cidade. Em 1864 a ferrovia de Barra do Piraí, desembocando diretamente no Rio de Janeiro, levou a cidade a um grande isolamento econômico.

Por fim, a abolição da escravatura em 1888 levou a maior parte da população a abandonar a cidade e causou a decadência de Paraty por um longo período…

Na próxima edição, falaremos sobre o ciclo turístico e ecológico da bela cidade. Não percam!

Fontes:
@aclubtour
Arquivo Nacional
Biblioteca Nacional Digital
IBGE
Instituto Moreira Salles

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