Douglas Delmar entrevista a escritora Portuguesa Letícia Brito

Letícia Brito nasceu no Município de Paços de Ferreira. É uma jovem apaixonada pela escrita. Tem formação em fotografia, outra área que é sua paixão. Já colaborou com o jornal Tribuna Pacense escrevendo desde crônicas, artigos de opinião, cartas e prosa. 

Dona de uma escrita irreverente, dramática, intimista e sobretudo romântica, aborda desde temas como a política, a sociedade e o amor. Seus textos tem sido compartilhados em várias comunidades nas redes sociais, alcançando não somente leitores portugueses, mas também brasileiros. Seu primeiro livro foi Nos Braços Do Vagabundo, uma obra dramática que aborda temas como a depressão e o amor.

 

Letícia Brito - Acervo Pessoal

Tentei calar os meus demónios,

só para não te magoar,

mas o mundo não é para os fracos,

nem dos que os tentam enganar.

Dancei no ritmo da tua dor,

fingindo não querer saber,

que um dia foste o meu amor,

que não importa aonde vou,

se os meus passos não tiverem os teus.

E na agonia de querer ser mais

do que uma memória perdida,

dei-te todos os sinais

para não ficar esquecida.

Tentei fazer-te acreditar

que por ti caminharia por todas as vielas,

pintaria o teu nome nos muros da cidade,

e alguém haveria de te encontrar

para te dizer que a saudade

de ti em mim fez lar.

 

Letícia Brito

Letícia Brito com seu livro O Dia Em Que Chegaste - Cordel d'Prata Editora

1 – Quando e como a paixão pela escrita surgiu em sua vida?

A paixão pela escrita está presente desde que tenho memória. Quando era pequena escrevia em diários e redigia pequenos contos que oferecia à minha mãe. A aptidão para a escrita, contudo, surgiu pelos nove anos quando tentava imitar a minha irmã mais velha. Nessa altura escrevi o meu primeiro conto infantil, que foi posteriormente publicado num jornal local. 

2 – Você tem dois romances publicados: “Nos Braços do Vagabundo”, lançado em 2016 pela Chiado Books e “O Dia Em Que Chegaste”, em 2018, pela Cordel D’ Prata. Conte-nos um pouco sobre a história dos seus livros. Qual foi a sensação ao ver suas palavras ganhando vida no papel? E como o público reagiu?

Desde nova tive sempre comigo o desejo de partilhar as minhas histórias. Em 2015, enquanto realizava um estágio em um jornal, surgiu a ideia de criar uma página de Facebook onde comecei a publicar algumas frases e pequenos textos que reunia. Foi assim que um editor me encontrou e me sugeriu que escrevesse um livro. Essa ideia abriu as portas para um universo que me era desconhecido, mas depois de concluir o primeiro e de ter recebido tantas reações positivas, comecei logo a delinear o segundo, e o terceiro – que ainda não foi publicado -, e outros tantos contos e crónicas que escrevo com regularidade.

3 – Dizem que todo escritor insere um pouco de suas próprias experiências naquilo que escreve. Sendo assim, há coisas na sua vida que você usa como inspiração para compor seus enredos e criar seus personagens? Quais?

Tudo o que me rodeia me serve de inspiração. Sou uma pessoa curiosa, que gosta de aprender, de imaginar e de se questionar. É dessa curiosidade que resulta a minha escrita.   

4 – Entre 2015 e 2017 você venceu dois prêmios literários: Conquistou o 1° lugar no Concurso Nacional Geração Arte promovido pelo diário CM e no Concurso Somos Mais do Que Histórias, promovido pela editora Cordel D’ Prata, em 2017, com o conto “A Mulher Que Roubava Almas”, que fala sobre a violência à mulher. Conte-nos: o que a levou a escolher este tema? E na sua opinião, como podemos combater a violência à mulher?

O facto de gostar de me questionar leva-me a escrever sobre temas mais sensíveis e complexos, e também o desejo de que a minha escrita desperte algumas pessoas para a realidade do mundo, para problemas aos quais não podemos ficar indiferentes. Acredito que incutir novas ideias e valores nas crianças seja um passo importante para combater a violência à mulher e várias outras situações repugnantes – o racismo e a xenofobia, por exemplo. Acredito que nem sempre o mal nasça com o ser humano, às vezes somos nós próprios que o criamos.

 

Letícia Brito - Acervo Pessoal

5 – A mulher vem cada vez mais conquistando seus direitos na sociedade. Assim sendo, qual sua opinião sobre o protagonismo feminino na literatura e em outras áreas da arte?

A mulher tem ainda um longo e penoso caminho para percorrer, mas o protagonismo feminino na literatura é uma realidade e revela a importância que possuímos. Da mulher vem a vida e acho que isto resume os meus sentimentos em relação à figura feminina.

 

Aqueles que amamos são como casas,

casas que nos abrigam, nos protegem,

nos acolhem, nos amam.

E o que é o amor senão

O desejo de regressar a casa ao fim do dia?

 

Letícia Brito



6 – É através da leitura que nasce o interesse pela escrita. Partindo disso, quais escritores/escritoras você mais gosta de ler? Algum deles influenciou sua escrita?

Gosto muito de Patrick Suskind, que é, sem dúvida, o meu preferido. Gosto também de Camilo Castelo Branco, Mário Zambujal, Margarida Rebelo Pinto, José Saramago, e tantas outras figuras incontornáveis da Literatura. Sim, creio que sim. Um bom escritor é, antes de mais, um bom leitor.

7 – Você é formada em Fotografia. O que a levou a escolher essa área?

A fotografia é uma área que admiro desde pequena. Recordo-me da alegria que era fotografar com uma máquina descartável e depois pedir aos meus pais para revelarem aquelas fotografias… 

Não sei precisar quando apareceu essa paixão, mas, na altura, quando surgiu a oportunidade de estudar fotografia agarrei-a.

8 – Atualmente você é cronista no “Jornal Aberto”, na “Gazeta de Paços de Ferreira”, na revista digital “Repórter Sombra” e, contadora de histórias no jornal “A Tribuna Pacense” com mais de 40 contos publicados. Fale-nos: como é ter a escrita como atividade profissional?

É muito gratificante. Quando estava a estagiar no âmbito da fotografia acabei por me dedicar ao design e à redação e aprendi várias coisas que nem sabia que gostava. O trabalho em jornal despertou em mim a vontade de me dedicar mais à minha escrita, que até então estava presente, mas não profissionalmente. Hoje tenho-a assim e é uma alegria perceber o que conquistei e o que ainda quero conquistar.

Letícia Brito - Acervo Pessoal

9 – Escrever mudou a sua vida de alguma forma? Como? E tem planos para um próximo livro?

Sim, escrever mudou a minha visão do mundo, fez-me crescer. Muitas vezes serviu de catarse, ensinou-me, deu-me a possibilidade de criar empatia pelo outro. 

A dedicação à escrita possibilitou-me trabalhar dentro da área e fazer formação de escrita criativa e revisão de texto, sendo que atualmente trabalho na edição e sou grata por poder conhecer novos autores e apoiá-los na sua caminhada. Neste momento estou focada a 100 % no meu trabalho e, portanto, não tenho intenção de publicar já um próximo livro, mas espero no futuro fazê-lo, até porque já possuo material para isso. 

10 – Letícia Brito, a Revista do Villa agradece imensamente a sua participação e deseja muito sucesso em sua vida pessoal e profissional. Para nos despedirmos, deixe uma mensagem aos nossos leitores!

Agradeço à Revista Villa pela oportunidade e por me darem a conhecer ao seu público. Aos leitores, desejo tudo de bom e faço um pedido singelo: se lhes for possível passem na minha página, conheçam melhor as minhas obras, podem contactar-me por mensagem até. Estou disponível para falar sobre os meus livros e partilhá-los com quem os quiser ler. 

Sejam felizes!

 

Blog e Redes Sociais

https://leticiabritoescritora.blogspot.com/

https://www.facebook.com/leticiabritopaginaoficial/

Publicação Anterior

Flávio Santos apresenta O Grande Editor Francisco de Paula Brito.

Próxima Publicação

ESTA PRAIA FLUVIAL NA SERRA DA ESTRELA AINDA É UM TESOURO BEM GUARDADO DE PORTUGAL

219 Comentários

Deixe um comentário.

O seu endereço de e-mail não será publicado.