Jeycow Ferraz aborda TURMA OK - O Empoderamento da Diversidade

Muito já se falou da Turma OK, muitas já foram as reportagens, matérias, filmes e documentários ao longo de seus emblemáticos 60 Anos de história. A verdade é que nunca será demais trazer à tona, o legado desse que é, reconhecidamente, o Clube Gay mais antigo do mundo em atividades ininterruptas.

Fundado em 1961 no Rio de Janeiro, o seu nome “Turma” surgiu pelos membros de um grupo de amigos gays daquela época, que se reuniam em um apartamento para socialmente se divertirem, uma vez que publicamente isso não era possível, devido às repressões e proibições, até mesmo pelos movimentos da ditadura. Assim aconteciam as reuniões que, entre uma e outra apresentação teatral, os aplausos eram em forma de estalar dos dedos, para que os vizinhos não fossem incomodados com qualquer barulho. De lá pra cá, a Turma OK já passou por várias sedes, até atualmente, ocupar os espaços de um histórico casario, em um sobrado no boêmio bairro carioca da Lapa, centro do Rio.

Seus representativos Concursos: LADY OK, MISTER OK e MUSA OK dão ao Clube um status de empoderamento cultural dentro da comunidade LGBTQIA+. Outros não menos importantes eventos, acontecem ali; RAINHA DA PRIMAVERA, as imponentes Coroações da RAINHA E REI DA TURMA OK, e os relevantes e notórios Concursos de Dublagem Masculina e Transformista. 

No solo sagrado OK, tudo reluz e ganha ares de grandeza.

Para contextualizar de uma forma mais intimista, trago á seguir depoimentos, de alguns, dentre tantos artistas, que fazem ali a história acontecer.
 
Elaine Parker Créditos: Aquivo Pessoal

‘A Turma OK em seus 60 anos de resistência me capturou em suas fileiras pelo movimento social indestrutível à favor da nossa classe.

Entrei de sócio em 2002, e logo na semana seguinte, Anuar Farah então presidente, ao saber que eu me montava para fazer shows, nos meus aniversários na casa de uma amiga, convidou-me para uma apresentação na Turma OK, nos projetos que haviam na época. Logo depois, iniciei como responsável de um projeto chamado “Nas Ondas da Rádio Nacional”, todas as primeiras sextas- feiras do mês. Eu como fã da estrelíssima Emilinha Borba, comecei a homenagear Marlene, Ângela, Dalva, Linda, Dircinha, Virgínia Lane, Cauby, Nelson Gonçalves, Ademilde Fonseca entre outros.

Fato curioso é que convidei várias fãs de Marlene que não aceitaram , talvez temerosas que eu fosse desdenha-la . Não esmoreci e eu mesma fiz Marlene da melhor forma possível, como respeito à grande cantora. Depois troquei o projeto para “Desafios” , onde um artista que dublava homem iniciava o espetáculo e ao final voltava montado vestido de mulher e dublando uma cantora.

Fiz vários especiais, inclusive um chamado “Together” junto com Sissy Diamond(uma também grande estrela OK). Na época estávamos estremecidas mas, como somos artistas, fomos a luta e foi um sucesso . 

Atualmente faço o projeto “Esquentando o Sofá da Elaine”, aos segundos domingos de cada mês, onde procuro homenagear personalidades e pessoas devotas à causa OK. E estando Presidente atualmente, luto com muito vigor para o sanamento financeiro da casa, por causa de dois anos de pandemia. Em 2020 a OK ficou fechada por sete meses , perdemos 70% de sócios que não poderiam pagar as mensalidades, nem arrecadar com os shows, mas, com doações de alguns amigos particulares, principalmente, colegas, professores e com meus próprios recursos, estamos sobrevivendo.”

 

Alexandre Silvas Créditos: Arquivo Pessoal

“A Turma OK foi um grande diferencial, um divisor de águas, tanto na minha vida quanto na própria OK. Em minha gestão, conseguimos inseri-la no Mercado Digital, pro universo digital a verdade é essa, onde conseguimos alcançar o público de forma ilimitada. Fomos matéria de vários veículos de comunicação relevantes, como o CANAL 1 da TV Francesa, onde os jornalistas vieram ao Brasil especialmente para cobrir a participação dos Artistas da OK na Parada do Orgulho em Copacabana.

A arte é transformadora, e acredito que eu consegui personificar a TOK como uma casa de acolhimento, onde essa expansão contribuiu para que as pessoas que jamais haviam ouvido falar do Clube passassem a frequentar.

Me sinto muito gratificado por registrar o meu nome no legado dessa instituição tão respeitada na cidade do Rio de Janeiro, onde há seis décadas estamos resistentes, vivos e seguindo em prol da arte.”

 
Alexia Belmont Créditos: Aquivo Pessoal

“Realização de um sonho! Fazer parte das “Cabeças Coroadas” do Clube Turma OK é perpetuar a existência como Artista, não somente no Rio, no Brasil, mas no mundo.”

Luciano Rawaxi Créditos: Marcos Freire

“Falar da Turma OK pra mim não é tão difícil assim. Porque é um Clube, uma Organização, enfim… Para mim tudo o que se diz respeito à espetáculo, shows, tudo o que estava dentro de mim, a TOK conseguiu colocar pra fora, porque eu já estou no meio artístico há mais de 30 anos pelos bastidores, então através do Concurso Mister OK veio o Luciano Rawaxi artista, onde, mesmo eu já vindo com uma bagagem, aprendi muito ali, muito mesmo.

Hoje a Turma OK me representa tudo, quando chego no Clube esqueço todos os meus problemas sabe, é um remédio muito bom pra mim. Não sei o que eu faria da minha vida se não fosse a Turma OK. É o que eu digo pra todo mundo: o Luciano Rawaxi hoje tem um carimbo na testa, “TURMA OK”, onde as pessoas me vinculam a casa pelo fato do meu título ter me tornando mais conhecido.

Em termos artísticos venho crescendo a cada nova apresentação, e aprendendo, porque a gente aprende todos os dias com os outros artistas, dubladores masculinos e eu sempre presto muita atenção nos meus amigos em cena.

Procuro fazer sempre o melhor, porque o público sai de casa para assistir um bom show, um espetáculo. A Turma OK é a minha vida. Nasci ali, meu berço foi ali, sou um legítimo filho da Turma OK.”

Layla Riker Créditos: Arquivo Pessoal

“Turma OK é e sempre será sinônimo de escola/ família. Lá me desenvolvi como artista, conquistando espaço, respeito e o carinho de amigos que hoje são minha família. Turma OK é representatividade e resistência correndo forte nas veias! Sou grata e orgulhosa por fazer parte dessa família.”

Carlos Sartori e Engel de Castro Créditos: Rose Sartori

“Conheço a Turma OK há muitos anos. Eu participei de um show na primeira sede da OK, onde eu sou muito agradecido porque fui ali muito bem recebido, vindo posteriormente a me afastar por motivos profissionais, mas sempre com a OK no coração.

Foi quando em 2016, com a sede já na rua dos Inválidos, retorno ao Clube onde mais uma vez fui acolhido com carinho e amor por todos, num momento em que eu mais precisei de amigos e de várias coisas… 

A Turma OK para mim é um orgulho que eu tenho, e que ficou ainda maior quando em 2018 fui consagrado Mister OK daquele ano. Eu sinto uma honra em ser Mister OK, onde eu posso carregar a faixa e sentir essa energia maravilhosa.

Em 2019 fui eleito BONECO OK, juntamente com minha mana Engel de Castro eleita BONECA OK, pelas mãos do querido Anderson Ferreira.

São duas faixas que eu carrego com a felicidade de poder dizer: Eu sou um OK.

Então Turma OK, obrigado, obrigado por tudo. Obrigado por estar me proporcionando esses momentos maravilhosos. É uma realização fazer parte da diretoria, e sempre poder agradecer a presidência; César Amâncio e José Carlos.

E mais uma vez eu digo, a Turma OK é uma escola e quem gosta da arte e de dublagens, precisa conhecer nosso Clube que é de todos. Lá você será mais feliz.”

 
Andreia Andrews Créditos: Aquivo Pessoal

“O que falar da Turma OK?!

Uma casa de resistência onde tenho muito orgulho e carinho por fazer parte e ser uma representante como MUSA OK.

Foi o lugar que abriu as portas para minha arte aqui no Rio de Janeiro. E aí fui crescendo dentro do Clube, me tornei Diretora Artística, pq lá tbm foi a primeira oportunidade de mostrar meu trabalho em direção de shows.

A minha história nas artes e nos palcos tem 19 anos de carreira e ganhou sua consagração quando me tornei Musa desse que o Clube mais antigo do mundo, o sonho de muitos meninos Transformista e que hoje é uma realidade na minha vida.”

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Eu Jeycow Ferraz, enquanto Colunista Revista do Villa e também um OK de berço e alma, me emociono em trazer à todos o conhecimento desse celeiro de grandes artistas, que nascem em seu palco e ganham os palcos pelo mundo afora, levando no peito o orgulho de ter em suas veias o “sangue azul OK”.

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Viva a Turma OK!

Viva a nossa Resistência!

Viva  o empoderamento da Diversidade!

 

A Turma OK localiza-se na Rua dos Inválidos 39, Centro – RJ.

Instagram: @turmaokrio e @turmaok_oficial

Facebook: @TokTulaMorgani

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