André Conrado - As Minas Gerais - Seguindo a trilha do Ouro - Parte 1

As Minas Gerais – Seguindo a trilha do Ouro

São João del Rei,MG - sec XVIII - credito Iba Mendes - Arquivo Nacional

Nesta inédita série de matérias, daremos continuidade a série passada, seguindo o caminho do ouro até Minas Gerais. A história do Brasil passava pela Estrada Real e as riquezas extraídas nas minas eram levadas aos portos do Rio e Paraty, e de lá para Portugal.

Nesta expedição, convido ao leitor a fazer o caminho inverso ao que faziam no passado, pela bela Estrada Real. 

Com seus mais de 1400 quilômetros, que cortam Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, a estrada oferecem inúmeras atrações, desde igrejas barrocas a paraísos naturais, passando por vilarejos pitorescos, fazendas históricas e muitos “causos” contados pelos moradores das dezenas de cidades que dela fazem parte.  

Os três caminhos

Mapa da Comarca do Rio das Mortes - 1777 - credito Iba Mendes - Biblioteca Nacional Digital

A Estrada Real se divide em três caminhos: o “dos diamantes” – de Diamantina a Ouro Preto, o “velho, que em Paraty, recebe o nome de caminho do ouro, e o “novo”, que começou a funcionar bem depois, numa iniciativa portuguesa para possibilitar maior rapidez entre o Rio, Ouro Preto e Diamantina.

A Estrada Real

Por terem constituído, durante longo tempo, as únicas vias autorizadas de acesso à região das reservas auríferas e diamantíferas da capitania das Minas Gerais, os caminhos reais adquiriram, já a partir da sua abertura, natureza oficial. A circulação de pessoas, mercadorias, ouro e diamante era obrigatoriamente feita por eles, constituindo crime de lesa-majestade a abertura de novos caminhos. O interesse fiscal, cumpria-se ter as rotas de comunicação com as minas devidamente controladas e fiscalizadas, para que nelas se pudesse extrair uma massa cada vez maior de tributos para o tesouro real. O nome Estrada Real passou a aludir, assim, àquelas vias que, pela sua antiguidade, importância e natureza oficial, eram propriedade da Coroa metropolitana.

São João del-Rei e Tiradentes 

História

Imagem de São João del Rei ( do livro Notices Of Brazil in 1828 in 1829- 1830 R. Wash - Arquivo Museu Regional - IBRAM

Voltamos nos últimos anos do século XVII, o paulista Tomé Portes del-Rei explorava o direito de passagem às margens do Rio das Mortes, num ponto conhecido como Porto Real da Passagem. Em 1702 João de Siqueira Ponte chega à região e, em companhia de Tomé Portes, descobre ouro nos córregos da redondeza. O local, denominado Ponta do Morro, logo se transforma em arraial com o afluxo crescente de garimpeiros. 

Imagem da Obra - Lavagem do Ouro - Johann Moritz Rugendas - 1835

Pouco tempo depois, passa a se chamar Arraial da Ponta do Morro de Santo Antônio, em louvor ao santo de devoção dos moradores que aí se reuniram e ergueram uma capela. Mais tarde, passou a ser conhecido como Arraial Velho, pois criou-se o Arraial Novo do Rio das Mortes, atualmente chamado de São João del Rei.      

Imagem S.João del Rei séc XIX - Arquivo Museu Regional - IBRAM

Nas primeiras décadas do século XVIII, foi construída a maior parte de seu casario e de suas edificações religiosas, como a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, em 1708, e a Matriz de Santo Antônio, em 1710. Ao redor das igrejas e capelas, localizadas em pontos elevados da cidade, as casas foram se firmando numa configuração que permanece até hoje.  

Graças à abundância do ouro encontrado, o arraial desenvolveu-se rapidamente, sendo elevado à categoria de vila em 1718, quando recebe a denominação de São José del-Rei, em homenagem ao príncipe D. José, futuro rei de Portugal.

Imagem dos Casarios - S.Jõao del Rei - séc XIX - Arquivo Museu Regional - ABRAM

A decadência da mineração, que já se manifestava em toda a Capitania das Minas Gerais desde 1750, só viria a ter reflexos no crescimento da Vila de São José no início do século XIX, quando as minas de ouro se esgotam. Apesar da escassez do metal, a Coroa Portuguesa lança a derrama, exigindo o pagamento compulsório de impostos atrasados do quinto do ouro, que em 1788 somavam mais de oito mil quilos.

A atitude opressora da metrópole faz surgir o espírito revolucionário entre as camadas mais abastadas, reunindo militares, comerciantes e intelectuais no movimento mais tarde conhecido como Inconfidência Mineira. Em 1789, a denúncia do coronel Joaquim Silvério dos Reis coloca São José del-Rei entre as vilas mineiras envolvidas na conspiração. Entre os integrantes está o padre Carlos Correa de Toledo e Mello, vigário da então Freguesia de Santo Antônio, considerado um dos maiores propagadores do movimento.

Foto de Tiradentes antiga - final séc XIX - Arquivo Aloysio Muller de Oliveira Dias

No século XIX, os moradores da Vila de São José voltam-se para a agricultura e a pecuária. Em 1831, a participação da mão-de-obra feminina na economia local se torna expressiva, especialmente no ramo da fiação e tecelagem. No entanto, a atividade não chega a alcançar proporções industriais.

Sem grandes alternativas econômicas, São José del-Rei, elevada à categoria de cidade em 1860, pouco se modifica. Sua integridade patrimonial e paisagística assegura-lhe um dos perfis coloniais mais autênticos de Minas Gerais e do Brasil. 

No fim do século XIX os republicanos redescobrem a esquecida terra de Joaquim José da Silva Xavier, o “Tiradentes”, fazem uma visita cívica à casa do vigário Toledo, onde se tramou a Inconfidência Mineira. Mas foi o inflamado Silva Jardim que, de passagem por São José, sugere em seu discurso que o nome da cidade fosse trocado para o do herói, em lugar de um rei português. 

Com a Proclamação da República, por decreto a cidade recebe o atual nome “Cidade e Município de Tiradentes”. Dessa época em diante, a cidade experimenta certo ritmo de expansão comercial com a implementação do ramal ferroviário da Estrada de Ferro Oeste-Minas e, mais tarde, do sistema rodoviário.

Foto da locomotiva da Estação Ferroviaria de S.João del Rei sentido Tiradentes - final séc XIX - Acervo NEOM

Na próxima edição, daremos continuidade a essa bela viagem histórica em belas terras das Minas Gerais. Não Percam!

Fontes

@aclubtour

Arquivo Museu Regional – IBRAM

Arquivo Nacional

Biblioteca Nacional Digital 

IPHAN 

SPHAN

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