Sonia Belart aborda Uma mulher portuguesa que nos inspira

Todos nós sabemos que a mulher em si carrega o dom de ser capaz , de ser feliz. Mas existem algumas que vão muito além da sua capacidade. Falo da mulher do campo, da mulher que foi criada em moldes de simplicidade  e respeito por todos e por si. Falo em especial, (não deixando de lado todas nós, óbvio, cada uma com sua história de vida), de uma em que o trabalho, digo, trabalho pesado, fez parte de sua vida. Bem, esta senhora, hoje viúva, com 82 anos, dois filhos, uma neta e com uma bagagem de vida extraordianaria, é dona Albertina de Matos Florentino, uma portuguesa da aldeia de Avanca – Aveiro – onde nasceu e vive até hoje. Conhecida como “Albertina do leite”; isto porque, por 50 anos, trabalhou como coletora de leite para os pecuaristas da região, quando era responsável por recolher e entregar o leite para ser engarrafado pelas fábricas locais. Viveu esta vida por 50 anos , com apenas 1 dia de férias e 1 licença! Isso mesmo…, duro, não?? Mas pensa que ela se entregava ou desistia?? Muito pelo contrário.

Carregava cerca de 30 litros de leite na mão, na cabeça,  como podia. Quando jovem ainda, resolveu comprar uma bicicleta para ajudá-la no trabalho, mas não satisfeita com as duas rodas a pedal, lentas para ela, comprou uma moto Peugeot que ainda conserva até hoje (sua preferida). Dona Albertina queria velocidade. Amava o que fazia e amava andar de moto. Desde então, ela já teve 5 motos, hoje conserva duas delas: a Peugeot, de 35 anos, e uma moderna Piaggio. E, por incrível que pareça, mesmo do alto dos seus 82 anos, ainda anda de moto pela cidade todos os dias, sem o menor constrangimento ou medo, palavra que por sinal, ela desconhece. Renovou sua carta de condução de veículos motorizados duas rodas há poucos meses. Quando foi fazer o teste, no meio de tantos jovens, muitos a olhavam meio irônicos, imaginando que ela não iria conseguir.  Mas ela, ignorando a todos, foi lá e deu um show, acabando aplaudida pela turminha incrédula.

Olha que legal!!! Não é para qualquer um ou uma… rsrs. Genial!! Mais um detalhe: ela nunca levou um tombo, sequer!  Dona Albertina não para por aí. Cuida de sua própria horta, come o que planta, e o que sobra vai para a paróquia, para ajudar aos que precisam. Cultiva plantas ornamentais e muitos bichinhos ao seu redor. Para ela não há tempo ruim, acorda alegre, canta e, sempre bem disposta, ainda acha tempo e inspiração para escrever belas poesias.

Suas memórias fazem parte do arquivo de memórias registrado na Rede Biblioteca de Estarreja – Aveiro – Portugal  (Projeto Avivar Memórias), onde conta toda sua trajetória.  

São histórias de vida como esta que nos inspiram, nos impulsionam, dão sentido e continuidade a respeito da vida. 

Obrigada Albertina de Matos Florentino, pela sua contribuição.

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