DOUGLAS DELMAR ENTREVISTA O POETA PORTUGUÊS PEDRO VALE

Nascido no Porto em 1979, Pedro Vale é professor de Português e Inglês. Formado em Ciências da Cultura, frequenta o mestrado em Gestão Cultural na Universidade da Madeira. Atualmente, reside na Ilha da Madeira. Apreciador das manifestações culturais e artísticas em geral. Azul instantâneo é seu livro de estreia.

Pedro Vale - Acervo Pessoal

É preciso viver sem paixões.

Mergulhar no absoluto anonimato,

Permanecer morto ou vivo até ao fim.

Aclamar o tumulto escuro e bruto.

Encenar o drama clemente e lento.

Sentir um amor ideal por anjos nebulosos.

Descobrir um novo fundo de poesia e aguardar

uma voz que nos ordene docilmente:

– Não te movas, nem te inquietes,

nem traias o que

ainda não

és.

1 – Conte-nos como a poesia despertou em sua vida.

É muito difícil para mim localizar esse momento. Teria de ser alguém que me conhecesse bem a responder. O que posso afirmar é que a poesia faz parte de todos os dias da minha vida, nas suas mais variadas formas.

É muito difícil para mim localizar esse momento. Teria de ser alguém que me conhecesse bem a responder. O que posso afirmar é que a poesia faz parte de todos os dias da minha vida, nas suas mais variadas formas.

2 – O que o inspira a criar seus versos? Há algum acontecimento, alguma memória, alguma sensação que o impele a escrever?

Tudo me inspira. A natureza, o silêncio, um olhar, uma conversa, um verso lido e relido, a temática de um bom romance ou livro de contos, mas principalmente a minha voz interior, onde cabe a minha infância, as minhas vivências e a minha necessidade constante de efabular.

3 – Em 2017, você editou o livro de poesias Azul Instantâneo. Fale-nos sobre sua obra. E porque escolheu esse título? 

É um livro de sensações que apela diretamente ao eu de cada leitor. Uma obra onde transparecem diferentes estilos literários e em que a poesia prevalece. 

O título pode ter inúmeros significados, o que me agradou desde logo. Cabe ao leitor mergulhar na sua leitura e conferir.

4 – Seus primeiros textos foram compartilhados nas redes sociais. Como os leitores reagiram?

É verdade. Entre dez e vinte pessoas iam lendo e dando retornos que foram incentivando a minha produção escrita. Foi muito importante para ir perdendo o medo de me expor. Todavia, nesse período jamais pensei em publicar os textos. Tudo veio a acontecer entre setembro e dezembro de 2017 com uma rapidez que hoje considero impressionante. Nunca mais parei de trabalhar no livro.

5 – Você é professor de Português e Inglês, atualmente lecionando no primeiro ciclo. O que o levou a escolher essa profissão?

Algumas pessoas queridas da família já lecionavam e eu desde novo que estudava inglês e creio que foi uma mistura de ambas as partes. 

Capa Azul Instantâneo - Crédito Divulgação

Porto

 

a poesia vai

pela rua,

nua.

esconde-se

nas manhãs mais

frias.

e é à noite que lhe foge

a voz.

lenta

e lenta,

lentamente,

até

desembainhar

na

f

o

z

6 – A escrita mudou sua vida de alguma forma? Como?

Mudou completamente. Encaro a publicação do Azul Instantâneo como uma espécie de missão e tenho estabelecido diálogos artísticos, literários e poéticos com escritores, poetas, artistas e até com psicólogos, uma vez que a terapia pela arte está cada vez mais em voga. Acredito que nos tempos que vivemos é de extrema importância a construção de pontes contra a intolerância, o medo e a estupidez.

7 – Quais autores gosta de ler? Algum deles influenciou em sua escrita?

Há muito que procuro viajar pelo mundo da literatura. E considero injusto referir uns autores e preterir outros. Sem refletir muito, indicaria Fernando Pessoa, Herberto Hélder e Ana Hatherly como possíveis influenciadores da minha escrita.

8 – Além da poesia, quais são suas outras paixões? E tens planos para um próximo livro?

Um dos meus sonhos é criar um espaço cultural na terra onde passei a minha infância e adolescência. Estou a estudar na universidade para tentar futuramente colocar em prática esses saberes.

Não tenho ainda planos para um novo livro, só ideias. Mas, se acontecer como no Azul Instantâneo, em três meses estará nas bancas.

9 – Pedro, a Revista do Villa agradece a sua participação e lhe deseja todo sucesso em sua caminhada artística. Para finalizar, deixe uma mensagem aos nossos leitores.

Aproveito para convidar os leitores da revista do Villa a conhecerem o Azul Instantâneo e o seu percurso de quase quatro anos nas redes sociais Facebook, Instagram, Twitter e Youtube. Só precisam pesquisar pelo título do livro ou por Pedro Vale. O site é o Pedro-vale.com.pt.

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