Xandy Novaski - Entrevista com o ator, encenador, crítico e cineasta Ricardo Schöpke

Quando iniciou na carreira artística, Ricardo Schöpke, então com apenas 14 anos na época, já se destacava nos palcos cariocas.  Inclusive foi laureado com um prêmio pelo personagem vivido em “Flicts” do Ziraldo. Fundador da Cia “Boto-Vermelho” ao lado de Roger Mello, sua ação também abriu portas para outros grandes talentos como Deborah Secco, Regiane Alves e a saudosa Hilda Rebello. Hoje, vivendo entre Portugal e Brasil, Ricardo nos mostra que pelos rumos da vida há um infinito mar de possibilidades. Conheça mais sobre esse brilhante artista numa entrevista repleta de boas memórias emotivas e muito aprendizado!

Ricardo Schöpke - Crédito Ana Paula Pimenta

1)  Você começou cedo, aos 14 anos, e tendo o apoio incondicional da sua mãe. Em sua opinião, até que ponto o papel da família se torna fundamental na construção profissional de uma pessoa?                                                                                                                                                                                       

O olhar sensível, e a percepção apurada de um ente familiar são fundamentais para a criança que começa a despontar precocemente para as artes. No meu caso, eu tive a imensa felicidade em ter a minha amada mãe Glorinha Sarpa a abraçar o meu desejo em ser ator, desde muito pequenino. Ela já enxergava em mim uma expressividade, criatividade e grande vontade em atuar. Com isso ela me comprava revistas, materiais de desenho e aguçava a minha imaginação. Ela me levava ao teatro frequentemente. Foi ela quem me acompanhou para assistir pela primeira vez no teatro a madame Henriette Morineau em “Ensina-me a Viver”, “As Criadas” de Jean Genet com a grande atriz Dina Sfat; entre muitas outras peças. Ela sempre me apoiou incondicionalmente. Era uma excelente mãe, amiga e parceira. Tínhamos inclusive os nossos segredos, que revelo aqui um deles, pela primeira vez: ela utilizava também o dinheiro que o meu pai delegava à nossa casa e educação, para pagar escondida dele os meus cursos de teatro, e de formação artística! Dificilmente, sem o seu apoio incondicional, e cumplicidade, eu conseguiria ir tão longe; tão cedo! Meu amor e gratidão eterna a ela! Sou um artista graças a ela!  

2) Ainda com 14 anos você já se destacava no cenário dos palcos cariocas, tanto que ganhou um prêmio pela peça “Flicts” do Ziraldo. Podemos dizer que foi um início de carreira feliz?

Sim, foi um início muito profícuo. Eu era um pré-adolescente e fazia a minha estreia nos palcos cariocas, e recebi para isso, um dos protagonistas da peça “Flicts”, na adaptação feita pela diretora Aracy Cardoso. Assim, eu já começava a minha trajetória em um papel principal. Isso me ajudou a acreditar que eu tinha verdadeiramente um talento para atuar. Que eu havia nascido para os palcos. Este reconhecimento em meu primeiro trabalho aos 14 anos foi realmente o marco zero para que eu pudesse mergulhar de cabeça em busca de me tornar um ator profissional. Sim, foi um começo de carreira absolutamente feliz!

Ricardo Schöpke com a mãe Glorinha Sarpa - Crédito Rosana Schöpke

3) O teatro foi a sua base de formação. E a TV um caminho natural e mais uma janela para o mundo da arte. Em que momento os dois palcos se fundem?   

Sim, o teatro é o meu lar. Há décadas, era quase impossível alguém imaginar que você poderia ser apenas um ator de teatro ou de cinema. Sem colocar a televisão como grau de prioridade. Porém eu sempre andei no caminho inverso. Eu vivia dentro dos edifícios teatrais assistindo aos atores de teatro trabalharem, conhecendo os dramaturgos, os encenadores, os espaços mágicos da arquitetura em configuração de palcos italianos, elizabetanos, arenas, espaços alternativos, multiusos. Toda essa estrutura do mundo dos espetáculos me fascinava por inteiro: os segredos da engenharia cênica, o dia a dia, os bastidores, os camarins iluminados, o público ao vivo. Desta maneira reservei à TV apenas um espaço de flerte distante. Ela foi essencial para me fazer enxergar o quanto o teatro é a arte mais nobre, completa e essencial para um artista. Este foi o caminho que eu resolvei trilhar em minha trajetória artística: os palcos de todo o mundo. 

4) Você esteve na Escola de Teatro Martins Pena, e num momento de ouro da casa. De lá pra cá, tantas coisas aconteceram, teatros abriram, outros fecharam, veio essa pandemia… Por que o palco, mesmo quando está em silêncio, se faz eterno? Qual é a mágica?                                                                                                                     

O aprendizado na Martins Pena foi histórico, pois fui aceito com apenas 16 anos de idade; e ainda cursando o primeiro ano do segundo grau. Na Escola eu tive grandes professores, além de importantes profissionais do meio cultural brasileiro: Renato Icarahy do Grupo Tapa, Luis Fernando Lobo do Ensaio Aberto, Tania Brandão crítica teatral da Revista Istoé, entre muitos grandes nomes. Através da Escola, crescemos vendo os projetos do Grupo Tapa, e tínhamos também um convênio com o Teatro dos Quatro de Sérgio Brito, e o privilégio em assistir a primeira direção de Gerald Thomas

no Brasil, em “Quatro vezes Beckett” com os gigantes Rubens Corrêa, Ítalo Rossi e o próprio Brito. “Sábado, Domingo e Segunda” de Eduardo di Fillipo, com Nicette Bruno, Paulo Goulart e Yara Amaral; “Assim é se lhe Parece” de Pirandello; com o próprio Wilker, Natália Timberg, Henriqueta Brieba… Ou seja, o Teatro dos Quatro era um celeiro de grandes artistas e de enorme fonte de aprendizado. E tudo isso culminava em análises críticas para a cadeira da Tania. Nossa Escola, nesse período específico, de ouro, beirou mesmo a perfeição! Entrar em um edifico teatral é estar dentro de uma experiência única na vida. Como diz Peter Brook: “O teatro é a arte do encontro“. No teatro você assiste o acontecimento diante dos seus olhos. E ao final, os aplausos, o ato catártico! Ir ao teatro é um ato único, profundo, verdadeiro e jamais substituível! O cinema, o rádio, a TV, o videogame, a internet; a pandemia… Nada, nada jamais irá silenciar esse espaço eterno. No teatro até o silêncio faz um imenso barulho! “Enquanto existir um ator e um espectador, existirá o teatro” (Jerzy Grotowski).

Ricardo Schöpke como Boto-Vermelho e João Batista como Peixe-Boi em Uma História de Boto-Vermelho, de Roger Mello - Crédito Eugênio Reis

5) Aracy Cardoso, Marta Pietro, José Wilker, Paulo Goulart, Luiz Fernando Lobo… Ao relembrar esses fantásticos e inesquecíveis profissionais, o que vêm agora à sua memória?

A Aracy me respondeu a uma carta enviada à Rede Globo, e abriu todas as portas para mim, me apresentou o caminho do protagonismo na arte e na vida. Assim, eu determinei que não teria o lugar de coadjuvante em minha existência, mas sim o principal. A Marta foi a primeira atriz profissional com quem eu tive um contato. Ela estava em cena na peça: “Mãos ao Alto Rio”, e assim ela ensaiou-me no palco dessa peça no Teatro Mesbla. Foi algo inesquecível! O palco do Teatro Mesbla foi o primeiro palco que eu pisei na vida. Foi graças também ao Wilker que eu ingressei na Escola de Teatro Martins Pena! Ele apostou em mim, e foi com o texto inédito dele: “Às Margens Plácidas” que eu estreei no teatro adulto. Um momento bastante emblemático para mim. Com o Paulo e a Nicette eu vivi momentos antológicos após a apresentação da peça: “Depoimentos de um Condenado” – inspirado na “Carta ao Generalíssimo” de Fernando Arrabal. Um depoimento dramático pelo período nefasto e tenebroso do Franquismo na Espanha. Eu realizava um imenso trabalho físico e emocional. Nicette e Paulo foram assistir, pois eram amigos da atriz Cláudia Cruz. Eles ficaram encantados com a minha atuação. Diziam que eu executava ações de um verdadeiro ator como, por exemplo, quando a minha Mitra papal caiu ao chão, eu esperei o momento certo para improvisar, sem perder a personagem e a imponência da cena. Foram muito detalhistas e elogiosos com toda a minha interpretação. Isso foi um marco para um jovem ator recém-saído da Escola. No dia seguinte fui surpreendido com um lindo convite para irmos passar um dia em uma praia distante do Rio de Janeiro (em Grumari) onde, entre vários momentos especiais, brincamos também de mímica com esses dois monstros sagrados; e ainda assim era elogiado por eles, que diziam que eu era muito expressivo até para brincar de mímica. Foi um dia épico! Paulo sempre nutriu um carinho muito especial por mim. Quando fundei a Cia Boto-Vermelho ele me pediu que eu testasse o Paulinho Goulart, pois ele gostaria de nos unir na arte. Por fim, o Lobo foi o meu professor na Martins Pena! Foi ele quem nos ensinou e abriu os olhos para tudo que existia de mais nobre e importante nas artes cênicas mundiais: Bertolt Brecht, Anton Tchechov, Tadeusz Kantor, Peter Brook, Giorgio Strehler, Bob Wilson, José Celso Martinez Corrêa, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, entre muitos encenadores, autores e escritores brasileiros e estrangeiros. Nossa!!! Quantas lindas memórias!! Momentos realmente inesquecíveis de minha trajetória na arte…

6) Antes de fundar sua própria Cia Teatral, a “Boto-Vermelho” ao lado do Roger Mello, você esteve em outras. O que elas te ensinaram nessa questão administrativa do teatro?

Sim, elas ensinaram muito a mim. A Cia das Índias então reunia um coletivo de atores oriundos de vários núcleos de sucesso liderados por Regina Miranda na dança, Moacir Góes no teatro, Escola Martins Pena e Escola Nacional de Circo – no meu caso. Liderados pelo diretor Beto Brown e pela autora Denise Crispum. Nessa Cia eu exercitei o trabalho coletivo em várias áreas técnicas. A principal era a atuação, e eu ainda participava da produção (como todos) -, da coreografia – que nos deu o Prêmio Coca-Cola de Melhor Coreografia -, e da assessoria de imprensa. Conseguimos realizar inúmeros feitos e fomos a peça com mais indicação ao Prêmio Coca-Cola de 1992, nas categorias: texto, direção, iluminação, coreografia, produção e atriz coadjuvante. Nela também me tornei jornalista e assessor de imprensa, pois desbravei todas as redações, de todos os jornais cariocas, e consegui pela primeira vez com que todos os críticos dos cinco jornais cariocas fossem nos assistir. Um recorde! Paralelamente eu fiz parte também da Cia do Lobo que era dirigida pelo diretor de televisão Wolf Maia.

Ricardo Schöpke e Hilda Rebello - a atriz mais velha a estrear no teatro profissional em todo o mundo, aos 69 anos, e incluída no Guiness Book of the Records - Crédito Maria Carol Rebello.

7) Deborah Secco, a saudosa Hilda Rebello, todas elas começaram em projetos que teve sua Cia por trás e brilharam pelos rumos da arte. Podemos afirmar que a sensação de gratidão ao Universo é eterna?

Regiane Alves também deu os seus primeiros passos com a Cia Boto-Vermelho em “Caminhos de João Brandão- Remix”. A Deborah já nasceu um fenômeno! Ela, aos 12 anos, foi até nós após eu divulgar em toda a imprensa que abriríamos testes para a nossa protagonista Nina em “Os Sapatinhos Vermelhos”. O mais incrível nisso tudo é que precisava atuar e sapatear – o requisito principal para a personagem. Fizemos os nossos testes no Teatro Cacilda Becker, e na nossa banca, além de todos os profissionais da Cia, estava também um coreógrafo inglês, especialista em sapateado americano. Testamos dezenas de crianças, todas elas iam melhor no sapateado, ou na interpretação; porém não casavam as duas coisas. Ficamos literalmente apaixonados pela Deborah. Quando começamos os ensaios – e eu era o seu par na peça: o Aviador – inspirado no Pequeno Príncipe -, nós descobrimos que ela não sabia sapatear. Ficamos ainda mais maravilhados em saber que ela fez aquilo tudo apenas para o teste, e nos convenceu a perfeição! Este era o papel de um grande ator (olha aí o aprendizado com a Nicette). Ela já era uma super atriz mirim; e que lhe rendeu a sua primeira indicação, na vida, ao Prêmio Coca-Cola de Atriz Revelação. Um prazer imenso em contracenar com a incrível Deborah. A saudosa e amada Hildinha, minha vozinha, foi a histórica D. Antônia em nossa primeira encenação da Cia Boto-Vermelho, em “Uma História de Boto-Vermelho” de Roger Mello. Conhecemos a Hildinha na novela “Vamp”, onde o saudoso Jorge Fernando – filho dela – teve a pioneira ideia em fazer desenhos em fechamento de capítulos e convidou o nosso ilustrador e dramaturgo Roger Mello, para criar os antológicos desenhos de final de capítulo. 

8) Inclusive a Hilda, através da Cia “Boto-Vermelho”, está no Guinness Book por ser a atriz a estrear com mais idade no teatro profissional. Ao revisitar essa marca que também é eterna, quais foram as pontes que tal memória emotiva construiu e você leva aonde estiver?

A Hildinha foi outro fenômeno em nossa Cia Boto-Vermelho. Ela estreou nos palcos profissionalmente aos 69 anos de idade. Foi um prazer imenso para mim, em minha primeira direção poder contar com ela. Ela era muito doce, aplicada, amorosa, um astral grandioso e muita iluminada! Era o sol e a lua de sua linda família e que a gente podia ver como a luz dela radiava no Jorge, na Maria, na Carol, no João, nos seus bisnetos. Por conta de sua estreia profissional no nosso palco do Teatro Laura Alvim, em Ipanema, Rio de Janeiro, a Rede Globo fez uma pesquisa mundial e descobriu que isso era um recorde mundial. Dessa maneira entramos para o Guiness Book of The Records a Hilda Rebello, eu – encenador -, Roger Mello – autor -, e Maria Clara Machado (sua primeira professora de teatro); por termos em nossa peça a atriz mais velha a estrear profissionalmente no mundo. Hildinha foi um grande presente na minha vida artística e profissional, e ficamos ligados para sempre por esse grande feito histórico! Ela tinha um orgulho imenso do Boto e de estar no Guiness! E eu também tenho toda a gratidão do mundo a ela! Minha mãe e Hildinha me deixaram em 2019, com quatro meses de diferença. O ano mais triste de toda a minha vida. Perdi duas grandes referências! As duas mulheres mais belas, corajosas, fortes, integras e iluminadas desse planeta Terra! Muito, muito obrigado a elas! Orgulho, e privilégio de minha existência ao lado delas! 

Ricardo Schöpke em cena de Curupira, de Roger Mello - Crédito Carlos Peder

9) Você tem uma preparação acrobática, pois esteve na escola de circo. Em sua opinião, todo ator deveria passar pelo picadeiro?

Para um ator contemporâneo é muito importante o maior número de qualificações possíveis. Isso o torna mais completo e mais apto em interpretar personagens mais ricos e variados. Fiz ginástica olímpica quando pequeno, em seguida fiz acrobacia italiana com a Fondazione Pontedera, como treinamento do ator em Jerzy Grotowski, e em seguida em fui admitido na Escola Nacional de Circo. Nesse período eu criei uma Oficina diferenciada, e que justamente era um treinamento para os atores, bailarinos e estudantes de teatro. Era uma compilação das três técnicas: a olímpica, a de treinamento e a circense; que chamava: “A Mecânica e a Desmecânica do Movimento Acrobático”. Ela ensinava o uso artístico da acrobacia no teatro, e como dominar suas funções, em detrimento apenas de seu uso virtuosístico. Trabalhar com o corpo durante todo esse tempo me proporcionou uma grande fisicalidade e onde hoje eu desenvolvo justamente, em nossa Cia, o teatro físico. Sim, todo ator deveria passar pelo picadeiro. Isso lhe dá uma grande instrumentalização na atuação e na construção de uma personagem. Seja ela na sua concepção interna (precisão, audácia, astúcia e controle emocional) ou em sua concepção externa (habilidades, fisicalidades e formas).

10) Como gestor cultural que é, por que o Brasil, lugar de tantos talentos, enfrenta tantas dificuldades na área artística, seja no teatro, cinema…? 

O Brasil atual é um dos piores países para se fazer arte. É desolador que a gente tenha que presenciar um governo autoritário, que flerta com o fascismo, e com a mais profunda mediocridade. Repleto de fake news, o Brasil vive hoje afundado na desinformação, na pasmaceira e na propaganda maciça e enganosa contra os artistas e a imprensa; que não se venderam. Dessa maneira, de 2019 para cá, estamos vivendo a Era das Trevas! No mais profundo obscurantismo, terraplanismo e negacionismo. A classe artística, que é formadora de opinião, e que tem como funções justamente: a reflexão, o pensamento crítico, a libertação e a verdade; é transformada assim no inimigo número 1 de um governo que vive a ensaiar um golpismo. Assim, para nos calarem, tirarem a nossa voz, eles realizam um verdadeiro desmonte da cultura! O que eles inventam sobre a Lei Rouanet é inqualificável! O que fazem com a Ancine e a Funarte é devastador!  Enquanto o Brasil for destruído por esses bucéfalos que aí estão, continuaremos a enfrentar tantas dificuldades! O nosso movimento hoje é contra a barbárie! Somos e seremos sempre resistência! Arte é resistência! Nós venceremos! Eles passarão! Eu passarinho! Já dizia o nosso poeta Mario Quintana, em seu belo Poeminha do Contra. 

 

Ricardo Schöpke em cena do monólogo João por um Fio de Roger Mello - Crédito Bruno Descaves

11) Você vive em Portugal e está desenvolvendo projetos pela Europa. Como é produzir aí no Velho Continente?

Produzir em um continente civilizado como é no continente europeu, é tudo o que precisamos. Você reconhece o valor de um país pela importância que ele dá a sua cultura, pelo número de palcos, de museus, de cinemas, de exposições, de arte de rua, de subsídios, de patrocínios, de programas de incentivo e de estímulo à cultura. Na Europa existe esse equilíbrio, onde todos podem ter acesso aos meios de produção cultural, ao mesmo tempo em que existe uma estabilidade financeira. Aqui, você pode planejar as suas ações culturais e ser bem-sucedido até com cachês que não são muito vultuosos, mas que se enquadram nos quesitos acima. Sem contar com a distância pequena entre os países, e a facilidade em se atravessar uma fronteira, seja ela de avião, de comboio (trem), de carro, de autocarro (ônibus), ou quiçá até de bicicleta. O que amplia em demasia o rico intercâmbio entre culturas e milhares de projetos de arte, desenvolvidos por cada um dos países europeus. Ou seja, é um imenso mundo a explorar! E que mundo!!! 

12) Hoje você é crítico teatral e também de cinema. Como é apontar situações que esbarram numa (muitas vezes) imperceptível imperfeição, mas que, por outro lado, precisa ser escancarada para que não haja outros erros?

Em 2010 eu fui incumbido de reformular a crítica de teatro infantil e juvenil do JORNAL DO BRASIL no Rio de Janeiro. Foi um orgulho para mim, após mais de duas décadas de serviços prestados às artes cênicas no palco. Senti-me muito confiante ser um crítico, porque eu já havia transitado por todas as áreas de atuação do teatro. A crítica para mim é um exercício de análise semiótico de um produto cultural e tem o mérito em potencializar as virtudes, apontar os equívocos; sempre com muito respeito e cuidado; e pondo o conceito e a estética, acima de qualquer achismo ou favorecimentos pessoais. Ao entrar em uma sala teatral ou escura de cinema, eu apago de minha memória todos os meus conhecimentos e entro como uma folha de papel em branco que vai sendo preenchida de acordo com aquilo que eu vou recebendo da obra. A crítica tem um papel fundamental em apontar caminhos, instigar os criadores, estimular saídas de zonas de conforto, identificar tendências e, sobretudo, valorizar o trabalho empenhado. Ainda que seja um mau espetáculo, com imperfeições, ele foi importante em existir. Só está sujeito a críticas aqueles que produzem arte! 

Muito obrigado querido, pela entrevista e pelas perguntas!  Você poderia fazer também menção as minhas redes sociais, por favor:

@portugalnews_by_ricardoschopke

@botovernelho

@ricardoschopke

Ricardo Schöpke, Regiane Alves, Pedro Drummond e Nina de Pádua - Elenco de Caminhos de João Brandão, de Carlos Drummond de Andrade. Comemoração de seu Centenário - Crédito Arquivo Pessoal
Ricardo Schöpke - Crédito Benita Prieto
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32 Comentários

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