XANDY NOVASKI ENTREVISTA O ARQUITETO DE INTERIORES E EMBAIXADOR DO RIO DE JANEIRO CHICO VARTULLI

Quando pensamos em glamour e praticidade nos recônditos de uma casa, não há como não mencionar CHICO VARTULLI. O Arquiteto de Interiores é referência na capital fluminense e tem projetos espalhados por todo o país. Por falar em Rio de Janeiro, Chico Vartulli, que é embaixador da cidade há 11 anos, mostra, em cada ato e pesquisa que realiza pelos bairros (como Copacabana) o amor que tem pela cidade. Conheça um pouco mais desse profissional ímpar e um grande ser humano!

CHICO VARTULLI - Crédito Arquivo Pessoal
  • Você nasceu em Congonhas, uma cidade histórica de Minas. Acredita que a paisagem local com seus prédios históricos possa, mesmo que indiretamente, ter influenciado na sua escolha pela arquitetura?

Uma cidade linda, mas saí muito novo, não busquei inspiração lá. Sempre gostei de viajar. Esses roteiros pelo mundo afora me deram o tão amado destino.

  • Quando pensamos em arquitetura, nós leigos projetamos a área externa de uma construção. Porém, a arquitetura vai muito além. Na época da sua especialização em interiores, adquirida em Berlim, Alemanha, falava-se tão abertamente na praticidade e beleza de uma área interna de uma casa como se fala hoje? Já era moda, tendência no Brasil?

O aconchego na casa desde toda vida é uma prioridade. Claro que de alguns anos para cá as pessoas começaram a se preocupar mais com o interior. A Europa deu uma antecipada. Moda e tendência no Brasil estava gatinhando.

  • O que a Europa te ensinou, Chico?

Sempre fui muito ligado à Europa, seus estilos, suas peculiaridades. Sempre encontrei respostas para muitas coisas, como harmonizar, juntar, definir culturas e acasalar. O antigo com o moderno em certos centros urbanos me foi um alucinógeno. Berlin, por exemplo, uma cidade devastada pela guerra e hoje um sinônimo de luxo. Diante de tudo isto, aprendemos muito!

CHICO VARTULLI - Crédito Arquivo Pessoal
  • Por falar em arquitetura, prédios, fachadas, recordo-me do projeto de turismo Art Déco por Copacabana que você realizava majestosamente tendo como assessoria a maravilhosa Carla Valladão e a turma do Lido. Lembro-me perfeitamente do encantamento que você causava nas pessoas ao revelar cada canto desse bairro fantástico e eternizado nos quatros cantos do mundo. Em sua opinião, o amor pelo trabalho faz com que aquilo que, até então, passava despercebido pelas pessoas ganhe notoriedade? Pois você simplesmente arrasava!

Foi maravilhoso fazer o roteiro Polo Lido Art Déco! Sou fascinado com os prédios no estilo que se encontra no Lido. Sempre disse com entusiasmo e percebia a curiosidade das pessoas que nunca iriam imaginar o porquê de vários detalhes dos prédios ou fachadas. Até hoje continuo pesquisando e estudando muito o Art Déco carioca, que é muito rico e infelizmente abandonado.

  • Chico, você traz no seu olhar a simplicidade do menino do interior, mas também é natural a sua elegância. Ou seja, há um casamento perfeito entre a candura e o requinte. E não é algo que você promova, vem naturalmente. A vida, as dificuldades e conquistas foram os protagonistas desse Chico tão chique que vemos?

Adoro a palavra “chique”! Sempre desde pequeno me interessava no que era destaque, as pessoas, os lugares, como se  misturam as culturas. E com o passar dos tempos fui me aprimorando e tentando fazer um estilo tipo “um jeito simples e sofisticado de ser”.

  • Todos nós sabemos que a imprensa te aplaude, as colunas sociais também. Não dá para mencionar o glamour carioca sem a presença do Chico Vartulli. Como se deu a conquista desse espaço maravilhoso?

Na verdade um pouco de destino. Conhecia uma pessoa que me apresentava aos jornalistas. Passava a ter um contato direto com a mídia que sempre admirei. Acabou que, com esta aproximação, claro ainda havia colunismo social, passei a ser citado, fotografado e, em certos momentos, estava em quase todas as colunas. Havia festas ou eventos que resultavam em fotos minhas em três jornais! Muito bom um pouco de glamour! (Risos).

  • Voltando aos moldes da arquitetura, nota-se que, no Brasil, por onde passamos, a arquitetura é riquíssima, seja ela barroca, art déco… Contudo, vemos muitos prédios abandonados. Por que aqui, apesar de ser a terra do Oscar Niemeyer e tantos outros arquitetos famosos, não se dá a importância da preservação da história, da arte e da arquitetura?

Principalmente neste governo, claro em outros também, nunca se levou em conta a arte e a cultura. Quantos prédios em estilos variados se encontram abandonados, sem qualquer expectativa de mudanças! É muito triste em ver isto acontecer, este descaso, esta ruptura com a arte. Temos que ter consciência do belo, o que faz a diferença. Não podemos deixar de lado a arquitetura dos edifícios, pois novas gerações aparecerão e com certeza irão cobrar o abandono.

  • Arquitetar é criar. Podemos dizer que a arquitetura é uma arte?

Sem  sombras de dúvidas,  desde a concepção, até a criação, o envolvimento com a arte é total. Na arquitetura se trabalha com o belo a imaginação sempre fértil. Precisamos estar sempre antenados com a arte, com as pinturas, as tendências, fazendo um casamento da arte, cultura e arquitetura. Um belo projeto arquitetônico se transforma em uma verdadeira obra de arte.

  • O que você tem a dizer aos jovens de hoje que buscam um lugar ao sol no ramo da arquitetura?

Estudar muito, unir a arte e criação, lado a lado, pois para ter um lugar ao sol em um mundo tão competitivo não podemos nunca parar, só buscar o novo, criando dia após dia para poder ser o melhor. Sempre pensei e acho que dar o melhor de si é o fundamental para o sucesso.

  • Quero terminar a nossa entrevista relembrando uma cena que jamais sairá da minha memória. Eu estava no computador, em minha sala de trabalho em Copacabana e, de repente, ouço sua voz ecoando pelo corredor: “Eu trouxe a Ingrid!”. E eis que sua ‘pet’ entrou contigo no seu colo, primeiramente observadora, depois se aconchegando e dando seu recado. A Ingrid nos deixou há alguns anos, mas a imagem dela em seus braços é eterna. Acredita nessa eternidade, que um dia vocês estarão juntos novamente?

A Ingrid, na verdade, era minha filha. Meu luto ainda é doído, a dor é igual à perda da minha mãe. Como faz falta! Você pegou no meu ponto franco ou forte, pois fiz o melhor possível para ela. Eu sou católico, a concepção de encontro na eternidade é fato. Em relação à Ingrid, é o ser que mais quero reencontrar! Claro, como minha mãe e outros. Ingrid, por ser considerado um  pet, isso é mais intenso. Com certeza irei estar e junto dela na eternidade. INGRID FOREVER…

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