Cláudia Pamplona: A Conexão Brasil-Portugal por Igor Lopes

Na coluna de hoje, Claudia Pamplona fala sobre a conexão Brasil e Portugal via Igor Lopes, jornalista, escritor e pesquisador na área de comunicação, social media e CEO da Agência Incomparáveis, comprometida em registrar fatos correlacionados exclusivamente à luso-brasilidade, por isso incomparáveis. Trabalha para os jornais: e-Global, Gazeta Lusófona (Suíça), Jornal Mundo Lusíada (SP) e Portugal em Foco (RJ).

Igor Lopes na Embaixada de Portugal em Brasília

Nascido no Brasil, Igor Lopes é luso-brasileiro e iniciou sua formação profissional no Brasil. Fez mestrado em Coimbra e agora doutoramento na Covilhã em Portugal. Igor trabalhou desde muito jovem em rádio, jornal impresso e TV. No Rio de Janeiro, trabalhou no INPI, mas focou desde o início da sua formação como objetivo profissional reduzir a distância entre Brasil e Portugal através da autoria de importantes livros que apresentam de que forma as duas nações são irmanadas,  para manter a cultura lusitana fora do território português.

Igor Lopes, ícone da luso-brasilidade, fala para a Revista do Villa sobre o seu trabalho hoje em Portugal, como comunicador e escritor, o lançamento do seu novo livro e novos projetos.

Claudia Pamplona – Como começou essa sua paixão pela cultura luso-brasileira, e como isto aconteceu?

Igor Lopes – Foi de forma muito natural, porque a minha família é toda de raízes portuguesas. Por parte de mãe, é em Armamar no Douro, distrito de Viseu, e parte de pai em Constantim no concelho de Vila Real, região de Trás os Montes.  Desde muito pequeno, a minha ligação com Portugal é uma ligação única. Eu me confundo entre os dois países desde muito pequeno. Por isso eu defendo a questão da luso-brasilidade, que é sentimento próprio de luso-brasileiros e estou defendendo agora no doutoramento que eu estou fazendo na Universidade da Beira Interior, na Cidade da Covilhã em Portugal.

Claudia Pamplona – Atravessar o oceano através da literatura e poesia parece-nos mais fácil. Como é isso para você?

Igor Lopes – Bem, na verdade pra mim a literatura é uma forma de ter mais espaço, de chegar a um outro público, com outro tipo de formato levando as minhas impressões. Eu já vou para o lançamento do quinto livro reportagem, uma coletânea de informações importantes e registros de fatos sobre a cultura luso-brasileira.

Mas utilizo a literatura para levar o conhecimento da cultura luso-brasileira para alcançar o público ávido para ter mais informações que às vezes nos jornais onde trabalho não tenho tempo de publicar, são livros reportagem que eu escrevo desde 2016, lançados no Brasil, Portugal, Argentina e alguns outros lugares também.

Claudia Pamplona – Nesta relação entre a luso-brasilidade, o seu amor tem o mesmo peso?

Igor Lopes – Tem igualmente o mesmo peso e igualmente a mesma importância. É justamente isto que eu defendo.  A partir do momento que você é um cidadão luso-brasileiro, criado entre as raízes de Portugal e as raízes do Brasil você acaba que deixa de ser português e deixa de ser brasileiro, você é luso-brasileiro, com uma cultura própria, que é essa tal luso-brasilidade. Então para mim o peso é igual. Estamos em Portugal com saudade daquilo que é o Brasil, estamos no Brasil com saudade daquilo que é Portugal. Então é como se você vivesse num limbo emocional, em que você se divide entre o que você vive e o que o tempo te permite viver, que é a cultura portuguesa, que é a cultura brasileira. E os luso-brasileiros deram um jeito de contornar esse aspecto criando um calendário próprio, para acompanhar as festividades dos dois países, criando uma sinergia entre os dois países, e daí a tal da cultura da luso-brasilidade.

Igor Lopes no Rio de Janeiro e em Portugal

Claudia Pamplona – Apesar de jovem, você considera que tem uma maturidade importante junto ao entendimento do que representa aliança luso-brasileira?

Igor Lopes – Eu acho que hoje tenho um entendimento suficiente pra perceber que a gente precisa avançar bastante. Os dois países se conhecem muito pouco, mantém ainda alguns estereótipos muito menos do que antigamente, que é preciso contorná-los ou fazer diminuí-los, obviamente vai ser necessário algum tempo, não vai ser somente o meu trabalho e a minha geração que vai fazer isto. É preciso mais.

Acredito que deve ser imputado um trabalho às casas regionais portuguesas no Brasil e às casas regionais brasileiras em Portugal. Ou seja, essa questão do entendimento dessa aliança luso- brasileira precisa avançar em outros campos. Brasil e Portugal precisam ser fortes, não só na conexão cultural, na conexão emocional, mas sim também na conexão turística e comercial. Temos que aumentar a troca de sinergia em outras esferas, entre os dois países, podendo auferir ganhos econômicos e desenvolvimento. Portugal é membro de uma União Europeia muito forte e o Brasil com importante destaque no Mercosul.

Acho que, Brasil e Portugal, em relações bilaterais precisam avançar bastante, fazendo valer leis como: as leis da reciprocidade. Temos muitos brasileiros estudando em Portugal e muitos portugueses estudando no Brasil. Pode ser que se consiga criar um núcleo, que permita a estes profissionais atuarem nos dois países através dos nômades digitais.  Isto não é tarefa fácil mas é possível fazer com que o mercado entenda que isto é possível.

Claudia Pamplona – É observado que você busca a comunidade portuguesa sem discriminação de idade ou qualquer outro estereótipo. Isto é: Você se relaciona com artistas, políticos, acadêmicos, folcloristas, músicos, amigos em geral. Esta maneira de se relacionar te ajuda na construção do conhecimento?

Igor Lopes – Sim, demais, eu faço disso um pilar forte e importante, pra mim, naquilo que primeiro, é o fazer do jornalismo e depois o fazer da comunicação entre Brasil e Portugal. Eu não tenho interesse em aproximar camadas sociais, eu tenho interesse em aproximar cidadãos, sejam aqueles que dançam no CADEG ao som das concertinas e aproximar aqueles que são os líderes de grandes empresas para fazerem negócios entre os dois países. Atualmente, já temos muitas empresas portuguesas que já reconheceram o potencial do Brasil e por isso já estão atuando no mercado brasileiro e muitas empresas brasileiras atuando em Portugal. Este fato reforça a ideia de que é preciso aumentar a comunicação entre as Câmaras Portuguesa de Comércio e Casas de Cultura Brasileira em Portugal, não deixando que a esfera política seja priorizada e sim para tratar as questões legais e burocracias. É preciso estimular e deixar estas empresas para trabalharem, pois os dois países apresentam um amplo mercado. O Brasil com aproximadamente 200 milhões de habitantes e Portugal apesar de cerca 10 milhões de habitantes é um país integrado numa região europeia, Espaço Schengen que também é atrativo para os produtos brasileiros.

Ivo Lopes e o Livro Rancho Folclórico Maria da Fonte

Claudia Pamplona – Apesar das vantagens da mídia digital, obviamente de relevante importância nestes anos de 2020 e 2021, temos ainda uma controvérsia com relação ao seu uso por alguns comunicadores. Como você lida com esta questão?

Igor Lopes – Eu uso as redes sociais, uso os streamings e mídias digitais justamente porque consigo fazer a aproximação entre os dois países que estão posicionados em continentes diferentes e no  meu caso estamos a cerca de  10h de voo.  Obviamente que as mídias digitais são fundamentais para aproximar estes povos. Então você tem que usar com sabedoria, com engajamento, sabendo o que você quer e onde quer  chegar, sobretudo com qualidade. Isto é o que procuro passar aos meus alunos no curso de jornalismo. É preciso ter respeito pelo público. As mídias digitais não são um celeiro vazio na tela do computador. As mídias digitais fazem parte de uma rede internacional de computadores, de conexão onde você tem facilidade para passar sua mensagem, para ser comentada, partilhada e melhorada. As críticas construtivas ajudam a crescer nosso trabalho e permitem dar voz às pessoas que por mais que estejam isoladas conseguem comentar sobre aquele assunto. E a luso-brasilidade, o luso-brasileiro, o amor por Portugal e o amor pelo Brasil é cada vez mais visto e mais comentado pelas redes sociais que é um espaço fantástico de comunicação e troca de ideias.

Claudia Pamplona – Conte um pouco para nós sobre as suas principais obras? 

Igor Lopes – O meu primeiro livro chama-se Maria Alcina a Força Infinita do Fado; o segundo: Casa do Distrito de Viseu, 50 anos de Dedicação à Cultura Portuguesa no Rio de Janeiro; ambos lançados em 2016 no Brasil e em Portugal.  Em 2019 foi lançado o terceiro, Rancho Folclórico Maria da Fonte da Casa do Minho do Rio de Janeiro, A Jornada do grupo português que Valoriza a Cultura Minhota no Brasil desde 1954, lançado em Portugal, no Brasil e na Argentina. O quarto é: Açores em Cores, Belezas, Contornos e Potencialidades, detalhes que brasileiros luso descendentes e açor descendentes devem conhecer sobre o arquipélago, em que eu falo sobre a importância de ver, morar e estar nos Açores, aguardando o lançamento, por causa da pandemia, será lançado no arquipélago, em Portugal e no Brasil.  E agora, está sendo tratado na editora um novo livro que é Festas da Agonia, Viana do Castelo, para brasileiros e Luso descendentes que eu conto um pouquinho das Festas realizadas em Viana do Castelo  para brasileiros luso-descendentes, para as pessoas descobrirem a importância da festa que é chamada Romaria das Romarias, será lançado no Brasil e em Portugal. Por hora, têm outros três livros que ainda não posso revelar os títulos.

Igor com o Presidente da Câmara de Viana do Castelo, Engenheiro José Maria Costa e Jornalista Rodrigo Álvares

Claudia Pamplona – Qual das suas obras te deixa mais realizado?

Igor Lopes – Eu não consigo te apontar o mais importante dos meus livros, porque um é sempre evolução do outro. Eu costumo dizer que o primeiro sobre Maria Alcina, foi aquele que me fez enxergar que era um caminho que eu deveria ter assumido há mais tempo.  O caminho da literatura, escrever livros que para mim, é o que é importante. Escrevo sempre livros reportagem que contam história, que marcam pessoas, que permitem discutir temas, que antes ficavam restritos a notas de jornais, Então para isso que os livros são muito importantes. Então, o mais relevante neste momento pra mim foi o da Maria Alcina, que me abriu as portas e pude mostrar ao público que era capaz de contar a história entre, Brasil e Portugal, através de livros, trabalhos que ficassem perpetuados.

Claudia Pamplona – Temos uma obra recebendo as últimas tratativas na editora. Gostaríamos de saber um pouco sobre?

Igor Lopes – Chama-se Festas da Agonia em Viana do Castelo para Brasileiros e Luso descendentes. Nesta obra eu conto os bastidores da  festa da Nossa Senhora da Agonia em Viana do Castelo que foi eleita a Romaria das Romarias. A Festa reúne as componentes: religiosa, folclórica, artística, cultural e “profana”. Falo um pouquinho da programação do evento. É de novo um livro reportagem em que eu vou mostrando como a cidade de Viana  Castelo  internacionalizou esse trabalho. Ainda não tem data para ser lançado, devido a pandemia, mas o evento será realizado no Brasil e em Portugal.

A capa do livro e as ilustrações foram desenvolvidas por Mariana Ribeiro. Mariana é designer industrial, portuguesa e também atua na gestão de redes sociais. Essa parceria tem sido bacana, poder fazer está ligação entre uma portuguesa e um brasileiro; tentando mostrar como as duas culturas conversam e daí a luso-brasilidade mais uma vez nasce.

Igor Lopes com a Designer Mariana Ribeiro

Claudia Pamplona – Nos últimos anos vemos que cresceu muito o interesse por profissionais do mundo literário em trabalhar com projetos Luso-brasileiros.  O PPBL comemorou o vigésimo aniversário este ano. Como você vê este crescimento e o que gostaria de ponderar em relação à qualidade dos projetos?

Igor Lopes – Não priorizo a qualidade dos projetos e sim que haja projetos. Por isso, estou sempre instigando os profissionais de ambos os países a se comunicarem, as câmaras de comércio a se comunicarem, ao um ministério de Relações Exteriores no Brasil e ao ministério de Negócios Estrangeiros em Portugal a se comunicarem, empresas para fazerem as tratativas para que haja negócios entre estes dois países. A qualidade dos projetos impacta no resultado sim, mas para mim o que importa é que haja projetos, desde uma contação de história até assinatura de um grande contrato, entre os dois países. Para mim, o que interessa é que a conexão e sinergia sejam mantidas, que Brasil e Portugal consigam manter esse cordão umbilical que atravessa o Atlântico por muitos e muitos anos. 

Como adquirir qualquer das obras, de Igor Lopes, em qualquer parte do mundo: www.agenciaincomparaveis.com/ Instagram@igorlopesrj; facebook – Igor Lopes; e email – igorpereiralopes@gmail.com

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