Douglas Delmar entrevista o Poeta Português Joaquim Jorge de Oliveira

Joaquim Jorge Borralho De Oliveira nasceu em 18 de dezembro de 1962. É natural de Arraiolos, Alentejo, Distrito de Évora e atualmente reside em Évora. Possui Curso Técnico de Secretariado e também exerce a função de Desenhador de Tapeçaria de Arraiolos e Pintor Artístico. Fortemente inspirado pelas nuances da vida humana, já possui um livro de poesia editado e prepara-se para lançar mais um trabalho literário.

Joaquim Jorge de Oliveira - Acervo Pessoal

Amor o que de mim seria!

Esta vida antes da morte.

Se não tivesse tido sorte,

Embriagar-me de poesia.

 

Palavras simples tecidas,

No altar secreto de Deus.

Para que sejam exibidas,

Nessa luz dos olhos teus.

 

Penso que nada valeria!

Se não tivesse prendido,

Ao papel a divina magia,

Em cada poema ungido.

 

Só espero como legado.

Deixar poemas, prosas,

A somar ao pó sagrado,

Deleite divino, de rosas.

 

Entrego-me à terra fria.

Não importa se nascer!

Só amor, e erva bravia,

Se a poesia, acontecer.

 

Como ato de liberdade!

Dádiva única suprema.

Cântico pra eternidade,

Em cada douto poema.

 

Amor terá valido viver.

Cada dia, com magia,

E, saber após, morrer,

Será eterna a poesia.

 

Joaquim Jorge de Oliveira

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Évora, Portugal, 13/05/2021

Joaquim com a estátua de Fernando Pessoa, no bairro Chiado - Acervo Pessoal

1 – Como a poesia se revelou em sua vida?

A poesia revelou-se na vida muito precoce. Penso até que é algo que faz parte da minha gênesis, a somar ao facto de que Portugal sempre foi conhecido como um berço de muitos e grandes e eruditos poetas. Na minha infância e adolescência, desde cedo frequentei a biblioteca Calouste Gulbenkian na minha terra natal e desenvolvi o gosto pela leitura e em especial pelo gênero literário da poesia.

2 – O que te inspira a escrever? Quais temas gosta de utilizar em seus poemas?

Na verdade, o que me inspira escrever é a própria essência e a magia da vida. Todas as contingências e fragilidades humanas a que estamos sujeitos neste palco efémero são fonte de inspiração para mim. Relativamente aos temas sobre os quais escrevo, são ecléticos, sendo que valorizo muito a natureza e sobretudo a figura feminina e o lado filosófico e metafísico que nos coloca em simbiose com o cosmos e toda a magia que nos envolve enquanto mortais. Sem pretensões eruditas e com humildade da minha parte, costumo dizer que não gosto de poesia vazia.

3 – Você lançou o livro de poesias Alma Inquieta pela Chiado Books. Conte-nos um pouco sobre sua obra. E porque escolheu esse título?

Como já afirmei, a poesia está em mim latente desde sempre, só que tal como todos frutos para terem mais sabor têm de amadurecer, o mesmo aconteceu comigo. Só em 2012, quando aderi à rede social Facebook e me confrontei com as palavras relativas ás partilhas, decidi partilhar com os amigos internautas quase diariamente composições poéticas, já que a inspiração surge em mim como uma dádiva divina e tão fluída como respirar.  

Quanto ao título escolhido, Alma Inquieta, lançado com a chancela da Chiado Books, foi o meu livro de estreia no areópago da poesia contemporânea portuguesa e que felizmente teve um excelente acolhimento por parte dos leitores. Esta obra aborda, com algum sarcasmo, a faceta da nossa existência quotidiana, os nossos medos, angústias, desejos, mistérios, emoções etc. Em síntese, a radiografia de uma alma sensível e atenta que tenta deixar um legado literário humilde com autenticidade.

4 – Você é natural de Arraiolos, cidade turística da região do Alentejo. Diga-nos: sua terra natal já serviu de inspiração para seus versos?

A minha terra natal Arraiolos é uma Vila sede concelho, fundada pelos romanos que viu séculos mais tarde, a ocupação árabe, até à reconquista da península ibérica pelo rei fundador de Portugal Afonso Henriques. 

Em suma, uma terra linda e com muita história. Perante esta riqueza é impossível quem teve a sorte de nascer numa terra assim com uma força telúrica desta natureza, não ser influenciado por ela.  Contudo, apesar das minhas raízes estarem eternamente sediadas nela, eu sou um cidadão do mundo. As viagens que tenho feito por diversos pontos do globo por terras exóticas e distantes, a destacar as minhas diversas estadias no Brasil, mais concretamente na cidade de Três Rios, no estado do Rio de Janeiro onde tenho muitos amigos, todas elas alargam horizontes e abrem-me a mente para uma linguagem poética que pretendo de âmbito universal.

Livro Alma Inquieta - Acervo Pessoal

5 – A poesia modificou, de alguma forma, o seu olhar sobre o mundo e as coisas?

Claro que sim! Era impossível não modificar o meu olhar sobre o mundo e as coisas. Aliás, para mim, a poesia é o cordão umbilical sagrado que une o humano ao divino. Assim sendo, seria para mim uma heresia que a poesia não tivesse esse papel modificador para melhor, relativo ao comportamento humano. 

Aliás, eu só escrevo com essa intenção, se o consigo ou não isso já é outra questão! Pelo menos, tento dormir numa almofada macia chamada consciência tranquila depois de prender as palavras ao papel. Deixo-as ao livre arbítrio de quem vier a ler agora ou no futuro a minha singela obra poética. Esse é o meu desejo!

PACTO DE AMOR

Depois da magia da morte.

Só Deus me irá esclarecer!

Se irei encontrar com sorte,

Perdido de amor, o teu ser.

Quando morrermos os dois.

Sem saber o que acontece!

Reféns da incógnita depois,

Que o corpo frio adormece.

E em que paraíso irei amar!

Teu ser agora transparente,

Se, eu voltar a reencontrar.

O teu ser por mim carente.

Pacto de amor para coroar,

A essência transcendente.

Joaquim Jorge de Oliveira

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Évora, 09-08-2021

6 – É através da leitura que abrimos nossa visão para outros horizontes, como a escrita, por exemplo. Partindo disso, quais autores você gosta de ler? Algum deles influenciou no seu modo de escrever?

Como afirmei no início da entrevista, precocemente li grandes poetas, portugueses e lusófonos, a destacar o célebre Camões aos mais recentes como Fernando Pessoa, Teixeira de Pascoaes, Mário de Sá- Carneiro, Vinicius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade, Arthur Rimbaud, Charles Baudelaire, Pablo Neruda etc. Enfim, já li uma panóplia de poetas fabulosos que muito admiro. 

Confesso que, apesar na sinopse do meu livro Alma Inquieta ser feita uma distinção honrosa comparativa com nomes grandes da poesia portuguesa, Almada Negreiros, Mário Cesariny Al-berto, esse facto que muito me honra, só vem acrescentar responsabilidade aquilo que será editado por mim no futuro relativamente à qualidade da minha escrita poética perante tais vultos. Cuja obra muito admiro. Contudo, como acredito que cada ser humano tem a sua matriz única, nunca segui quaisquer influências de nenhum poeta citado, limitando-me a escrever livremente e na forma genuína aquilo que vem-me à mente. A existirem algumas semelhanças, serão apenas felizes coincidências.

7 – Além de escrever, que outras atividades lhe apetecem? 

Felizmente, a minha vida tem sido sempre ligada às artes, tanto como desenhador de tapeçaria de Arraiolos que deu azo não só a executar desenhos tradicionais como muitos originais para serem bordados no ponto de Arraiolos mundialmente conhecido. Já executei uma coleção de painéis intitulada Aves do Paraíso inspiradas na fauna e flora brasileira, atividade esta que me dá um enorme prazer executar. A par das diversas exposições de pintura coletivas e individuais, óleo, aquarela e acrílico que realizei, são duas atividades em especial que dão-me imenso gosto. Além de gostar de ler, adoro pescar, passear na natureza, ver cinema, teatro, ouvir música etc.

O poeta Joaquim em sua casa - Acervo Pessoal

8 – Tem planos para um próximo livro?

Sim, tenho escritos poemas e sonetos e já selecionados pelo menos para dois livros, um deles de estilo livre e outro de sonetos. O livro de poemas estilo livre, já tem inclusive a sinopse escrita pelo erudito poeta e escritor Uruguaio e meu amigo, Dr. Luís Bayardo, o qual está quase pronto a ir para o prelo, mas ainda sem data marcada, apesar da minha poesia estar a ser alvo de interesse editorial por parte de algumas editoras portuguesas e brasileiras. 

Penso que irei continuar fidelizado à minha editora, a Chiado Books e à pessoa do seu editor e amigo Gonçalo Martins. Assim espero! Lembrando que o mais importante é a obra estar escrita e presa ao papel. As publicações surgirão se Deus quiser a seu tempo! Até esse momento da edição continuo fiel à noção que escrever poesia exige sempre muita lucidez, alguma loucura e ousadia!

9 – Joaquim Jorge, a Revista do Villa agradece sua participação e deseja todo sucesso em sua trajetória literária. Para finalizar, deixe uma mensagem aos nossos leitores.

Eu é que agradeço a deferência e amável convite por parte da vossa revista à minha pessoa enquanto autor que muito me honra em especial, mas também por inerência a poesia portuguesa e lusófona, da qual nos orgulhamos muito. Aos meus leitores e foram muitos, agradeço a todos os que já adquiriram o meu livro Alma Inquieta. Aqueles que tiverem interesse em lê-lo informo que se encontra cadastrado numa das maiores redes livreiras do Brasil, no site: https://www3.livrariacultura.com.br/. Espero que gostem muito! 

Termino desejando a todo o staff da vossa revista os maiores sucessos e felicitar o vosso trabalho editorial em prol da cultura luso-brasileira. Desejo sucessos a todos os autores e artistas e que a poesia seja o hino nobre, do espaço da lusofonia.

Obrigado e bem haja a todos vocês!

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