Douglas Delmar entrevista a Poetisa e Escritora portuguesa Rosa Maria Santos

Rosa Maria Santos - Crédito Gisela Santos

Rosa Maria Santos nasceu no dia 08 de Maio de 1957, na freguesia de S. Martinho de Dume, em Braga. Ainda muito pequena foi viver na freguesia de Maximinos. Casada com José Carneiro Santos, tem três filhos. A base do seu equilíbrio está no seio familiar. É a família que lhe dá a alegria de viver. Vive na Costa Litoral Alentejana, em Sines, há 31 anos.

Participou de diversas coletâneas poéticas, portuguesas, italianas e brasileiras. É administradora do Solar de Poetas, onde coordena o Corpo de Comentadores.

A escrita é uma das suas paixões… não se considera poetisa, mas uma alma poética a vaguear pelo mundo… Se um dia deixar de sonhar, diz, deixa de existir…

Capa Maviosa Poesia - Acervo Pessoal

SOU

Sou qual borboleta

a bailar ao vento

sou rosa, maria

amor, sentimento…

Sou flor, sou mulher

vivendo a quimera

de ser passarinho

numa primavera…

Sou relva no prado

papoila a acenar

sou lírio, sou cravo

que voam no ar…

Se o vento permite

minha alma tocar

espero confiante

quem ousa esperar…

Rosa Maria Santos - Crédito José Santos
  • Como a escrita se originou em sua vida?

Desde muito nova que sinto uma vontade insaciável em escrever, em exprimir sentimentos através da pena. Um dia, a minha filha pediu-me ajuda para um trabalho que tinha a ver com seus estudos. Desde aí, descobri que era bom escrever.

Mas a grande oportunidade surgiu em Sines, quando na minha solidão olhava o mar e o pôr do sol da janela de minha casa. O convívio com os amigos nos grupos de poesia do Facebook que fui frequentando, alimentou essa paixão e desejo. E a escrita rapidamente se transformou numa necessidade no meu quotidiano. 

  • Que sensações te inspiram a escrever? E quais temas gosta de abordar em sua escrita?

O amor, a paixão, a natureza, o mar, a família, os amigos, o mundo que nos rodeia que, fazendo-me muitas vezes triste, me traz também o alento que me inspira a viver. 

  • Você editou em 2018, o livro de poesias Rosa Jasmim. Conte-nos um pouco sobre sua obra. E como você se sentiu ao vê-lo publicado?

Ao longo dos anos que passei em Sines, escrevi centenas de poemas, a princípio muito verdes ainda. O contato que fui tendo com muitos e bons poetas, inspiraram-me e têm-me ajudado a amadurecer. O fruto desse trabalho foi depois triado, revisto com cuidado e posteriormente compilado neste livro, segundo critérios que eu mesma acabei por eleger. Surgiu então “Rosa jasmim”.

O título não foi difícil escolher. O meu nome e a flor jasmim, a excelência da natureza: Rosa, porque é esse o meu nome, Jasmim porque abraço ventos da paixão, pela família, pelos amigos. Jasmim também porque transmite tristeza e lamento, não deixando nunca de ser o perfume entre os perfumes.

Rosa Jasmim – o livro – aborda várias temáticas. O dia em que o apresentei ao público foi um dos dias mais felizes da minha vida.

  • Você possui dezenas de e-books de poesia, prosa e contos em sua biblioteca digital na plataforma do Issuu. Alguns deles, também são direcionados ao público infantojuvenil. Como é escrever histórias para crianças e jovens?

Neste preciso momento tenho setenta e-books na minha Biblioteca junto da plataforma digital Issuu, de poesia e contos infantojuvenis.

É fantástico escrever para as crianças e jovens, embora eu pense – é também para eles que escrevo – que os meus contos são abrangentes e destinam-se a todas as idades. Afinal, nós os adultos também precisamos de sonhar. É uma forma de deixar extravasar a criança que há em cada um de nós, de nos libertarmos, de fantasiarmos com o mundo que tantas vezes nos prende e cativa.

Os meus contos estão na generalidade imbuídos de um cunho de esperança que por vezes pensamos já distante. A sua leitura transporta-nos ao imaginário e à nossa pureza natural.

  • Um de seus personagens de contos que se destacam é a Bolachinha. Conte-nos: como você cria seus personagens? Algum deles já foi inspirado em uma pessoa real?

Comecei a fazer contos infantojuvenis no ano 2015, desafiada por uma amiga escritora, que me convidou a participar com um conto para uma antologia de contos infantis. A partir daí, incentivada por escritores amigos, nunca mais parei.

A minha Bolachinha é fantástica. A ideia surgiu inesperadamente e eu fi-la minha a partir daí. Quando a vi nascer no ano de 2016, estava um dia de temporal na cidade de Sines, onde então vivia. Um pouco de farinha, canela, chocolate, que usava na confecção de pequenas bolachas, suscitaram em mim a personagem que logo começou a ganhar vida e a mostrar a sua irreverência.

A Bolachinha em breve será apresentada a público em livro para que possa assim melhor se dar a conhecer e levar os outros a participar nas suas aventuras. Depois, veio a Maria Laura, outra séria ainda em desenvolvimento.

Nenhuma das minhas personagens de contos infantojuvenis é inspirada em pessoas reais, se bem que no caso de Bolachinha sejam relatados encontros imaginários com pessoas reais, sobretudo escritores e artistas.

Capa Rosa Jasmim - Acervo Pessoal

VIOLANTE

Como qualquer poesia abandonada,

Guardada num recanto da gaveta,

Perdida numa folha esbranquiçada,

Tens a beleza duma borboleta;

Como onda pelo mar acorrentada

Qual nota numa escala de uma pauta.

Como grilhões aonde, acorrentada,

Te quedas a ouvir o som da flauta;

O teu desassossego voa ao vento,

Arrasta-te, te faz rodopiar,

Na dança que te prende o pensamento

Aonde nunca deixas de sonhar.

Como poema velho, amarrotado,

Escrito numa folha, verso a verso,

Eis-me que canto agora o triste fado

Deste meu tempo incerto, controverso.

O sonho traz de novo a esperança

E faz em mim nascer outra verdade,

Quero voltar aos tempos de criança

E renascer em mim, Sóror Saudade!

Rosa Maria Santos - Crédito José Santos
  • Em 2020, você editou o E-Book Maviosa Poesia – A Arte de Rialantero, com seus poemas acompanhados das pinturas da artista Silvana Violante. Como foi unir essas duas artes?

Aprecio muito a obra de vários artistas plásticos meus amigos, com quem vou interagindo duma forma mais ou menos acentuada. Tenho três ebooks de poesia, ilustrados com trabalhos desses artistas: GLOSA, Arte e Poesia, pintura de Glória Costa; Entre BARROS, Arte e Poesia Moldadas à Mão, pintura de Bárbara Santos e Maviosa Poesia – A Arte de Rialantero, pintura de Silvana Violante.

São três pintoras de estilos diferentes, que eu gosto muito. Depois é muito fácil unir as duas artes, afinal a pintura também é poesia, mas de forma diferente. É gratificante, tanto para o poeta como para o pintor juntar duas artes tão distintas: a escrita e a cor de mãos dadas. Além destas parcerias, tenho escrito esporadicamente com outros artistas, interpretando os seus poemas. São o caso do Mestre Adelino Ângelo, do pintor Adias Machado e outros.

  • Você é natural da freguesia de Dume, em Braga. Sua terra natal lhe inspira de alguma forma?

Nasci em S. Martinho de Dume mas ainda muito pequena fui viver para a freguesia de Maximinos, em Braga. Foi nessa freguesia do concelho de Braga que cresci. Chegado o momento, casei e fomos viver para Sines, uma cidade industrial à beira mar. Foi aí que comecei a escrever, a inspirar-me no mar, o meu mar, que deixei para trás no ano de 2017, quando regressei a Braga, as minhas raízes. Uma parte de mim, contudo, ficaria em Sines, junto ao meu mar.

  • O ato de escrever influenciou positivamente em sua vida? Como?

Sim, tem vindo a influenciar bastante. Tudo começou em Sines, nas minhas horas de solidão, nas noites de insônia, enquanto meu marido estava ausente em trabalho por turnos, junto da empresa aonde exercia a sua profissão. A escrita foi então o meu refúgio, ajudou-me a colmatar necessidades de existência que me iam perseguindo e afetando os meus estados de alma. Depois, a minha imaginação não parava e eu senti necessidade de a ir alimentando de alguma forma.

  • Quais autores mais gosta de ler? Algum deles influenciou em sua escrita?

Os grandes mestres Fernando Pessoa, Luís de Camões, Miguel Torga, Florbela Espanca, entre tantos outros. Aprendi a encontrar alguma identificação com eles, quando ainda na escola os fui estudando. Nunca mais deixei de os ler e reler.

  • Tem planos de publicar uma nova obra?

Sim. Brevemente vou trazer a público o meu primeiro Romance: Vidas Suspensas. Tenho mais dois projetos de edição para o próximo futuro: Histórias da Bolachinha e As Aventuras de Maria Laura.

  • Rosa Maria Santos, a Revista do Villa agradece sua participação e deseja-lhe todo sucesso e inspiração em seu trajeto literário. Para finalizar, deixe uma mensagem aos nossos leitores.

Como mensagem final, gostaria de incentivar todos aqueles que tem a coragem de exprimir os seus sentimentos para que o façam, seja em e-book ou em página impressa, que o façam sem receios. Só assim poderão dar a conhecer ao mundo a mensagem que têm dentro de si e que não deve ficar amordaçada, para que os vindouros a possam conhecer. Ficarão assim como que uma pegada gravada no futuro sobre a nossa peregrinação na vida, uma oportunidade para marcar um registo nos anais da sua história.

E-Books

https://issuu.com/rosammrs

Coluna de Rosa Maria Santos

https://www.recantodalusofonia.com/products/rosa-maria-santos-colunista/

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