David Reis - Duhigó - Primeira Mulher Indígena Amazonense no acervo do MASP.

Uma super dica para quem estiver em São Paulo ou programando uma visita à terra da Garoa. 
 
Com 16 anos de carreira artística e uma vasta produção de obras de arte inspiradas na cultura indígena, em especial, nas suas próprias memórias enraizadas no povo Tukano, sua etnia de origem, Duhigó conquistou um lugar de destaque na história da arte amazonense e brasileira ao se tornar a primeira mulher indígena amazonense a compor o renomado acervo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), considerado o maior do País. 

O MASP possui atualmente 11 mil peças artísticas e é considerado o mais importante museu do Hemisfério Sul.

A obra de arte que garantiu a entrada de Duhigó no MASP é intitulada Nepũ Arquepũ, que significa, na língua Tukano, Rede Macaco (foto acima). O quadro foi produzido em Manaus em 2019, no tamanho de 185,5 x 275,5 cm, em tinta acrílica sobre madeira e narra uma cena da memória afetiva da artista: um ritual de nascimento de um bebê do povo Tukano. A cena pintada na obra narra, de dentro de uma maloca Tukano, o momento do parto até o descanso da mãe na Rede Macaco, que recebe os cuidados dos parentes próximos e do pajé da tribo.

Fruto da doação dos colecionadores de arte Mônica e Fábio Ulhoa Coelho, a obra de Duhigó está em exibição na sede do MASP, em São Paulo, dentro da mostra “Acervo em Transformação: doações recentes”, e ficará em cartaz até fevereiro de 2022.

Com curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico no MASP, e Amanda Carneiro, curadora assistente na instituição, a exposição reúne 13 obras de artistas incorporadas à coleção do museu entre 2020 e 2021 e expressa o trabalho contínuo que tem sido feito com o objetivo de fortalecer a presença de mulheres no acervo.

“O trabalho de Duhigó na mostra ‘Acervo em transformação: doações recentes’ expressa o trabalho contínuo que tem sido realizado para fortalecer a presença indígena no museu, este é o contexto dessa doação. A extraordinária pintura Nepü Arquepü (Rede Macaco) representa um importante momento de cerimônia e celebração do nascimento de uma criança e dos laços de comunidade que se fortalecem nesse evento ímpar. 

Junto a outros artistas indígenas, o trabalho permite que o público visitante do museu se aproxime da variedade, amplitude e da complexidade de saberes materiais e imateriais, filosofias e visualidades dessa produção tão rica”, destacou Amanda Carneiro.
 
Sobre a artista
 
Duhigó (que significa “primogênita” na língua Tukano) e tem admiradores e colecionadores de sua arte no Brasil e no exterior, nasceu na aldeia Paricachoeira, município de São Gabriel da Cachoeira, região do Alto Rio Negro, no Amazonas. 
É filha de pai Tukano e mãe Dessana. Mora em Manaus desde 1995 e concluiu o curso de Pintura na Escola de Arte do Instituto Dirson Costa de Arte e Cultura da Amazônia, em 2005, tornando-se a primeira indígena da etnia Tukano a se profissionalizar nas artes visuais. É representada pela Manaus Amazônia Galeria de Arte, empresa que agencia a carreira da artista no mercado nacional e internacional.
Duhigó é a sétima artista amazonense a compor o panteão de artistas visuais no acervo do MASP. 
Antes dela vieram a primeira mulher amazonense no acervo, Branca Coutinho de Oliveira, de Parintins, e um time masculino composto por Manoel Santiago, Moacir Andrade e Sebastião Barbosa, nascidos em Manaus; Hélio Melo, de Boca do Acre e Denilson Baniwa, de Barcelos.
 
Fotos: Assessoria/Divulgação Internet/ MASP
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