Rodolfo Abreu: Banksy e o graffiti revolucionário que sacudiu o mundo das artes

Desde que seus trabalhos apareceram no início dos anos 2000 nos muros da cidade de Bristol, na Inglaterra, Banksy – pseudônimo do grafiteiro e diretor de cinema inglês – virou um dos nomes mais controversos das artes, relembrando às pessoas o poder revolucionário das mensagens sociais e políticas da arte.

Banksy faz questão de manter seu nome verdadeiro em segredo e não se deixa fotografar. Obviamente é parte de uma estratégia que mantém a curiosidade e a visibilidade sobre seu trabalho. Mas não é só isso: o artista divulga fortemente sua arte com maciça presença nas redes sociais e uma ampla cobertura da imprensa.

Para manter o anonimato, Banksy normalmente produz sua arte nas madrugadas e tem que ser rápido. Para isso, lança mão da técnica do stencil para aplicar o graffiti. Muitas vezes integra seu graffiti à paisagem, ao mobiliário urbano ou então até insere elementos para passar sua mensagem. Costuma fotografar a obra pronta e postar em suas redes sociais oficiais, de forma a autenticar a autoria. Hoje o artista conta com uma seleta e restrita equipe de apoio para que possa executar seus graffitis em espaços cada vez mais movimentados.

Com graffitis espalhados pelas cidades mais importantes do mundo e famoso pela crítica social inteligente que os desenhos trazem, Banksy virou um nome cobiçado.  O mundo das artes, que a princípio olhou com certo desdém os trabalhos do grafiteiro, agora já o começa a enxergar como um representante da arte urbana moderna.

Algumas obras famosas de Banksy

Banksy não vende diretamente seus trabalhos, pois os produz em muros e fachadas, onde a visibilidade e acesso público é total. No entanto, marchands antenados com o frisson que o nome do artista causa e em busca de monetização fácil, tem feito loucuras para retirar os graffitis de Banksy de muros, cercas e mobiliários urbanos, para leva-los para galerias e leilões de arte. A justificativa seria “preservar” o trabalho do artista, mas com isso granham milhares de dólares. É o que mostra o excelente documentário “Saving Banksy” (2014), onde amigos de Banksy dão depoimentos relatando o descontentamento do artista com a capitalização de sua obra por terceiros.

O próprio Banksy fez uma ação para mostrar seu desprezo pela venda de suas obras. Em outubro 2020, a pintura icônica do artista, “Girl With Balloon” (Garota com Balão), foi leiloada pela Sotheby’s, em Londres. Logo após ser vendida, a tela passou por um triturador que estava escondido na moldura. Leiloada por £1,04 milhão e picotada logo em seguida, a arte se tornou ainda mais valorizada após o ocorrido – e se transformou em um símbolo da crítica à própria indústria artística. Banksy assistiu tudo de dentro da sala, como foi divulgado depois.

Após a surpresa e popularidade do acontecimento, a transação não deixou de ser concluída pela compradora, que ficou com a obra picotada. Por isso, alguns acreditam que as atitudes de Banksy tenham o objetivo de valorizar o trabalho dele, mais do que uma crítica.

Graffiti “Gril with Ballon” sendo triturado de suspresa após venda em leilão na Sotheby´s 

Muitos se mantém céticos quanto ao real objetivo do artista, já que ele se mantém inserido no mundo da arte e, aparentemente, ganha (muito) com isso. Porém o artista se mantém firme no propósito de fazer o público pensar com suas obas polêmicas que abordam assuntos diversos como guerras, consumo excessivo, saúde mental, poluição ambiental, entre outros assuntos relevantes do mundo atual.

Instagram oficial: https://instagram.com/banksy
Site oficial: http://www.banksy.co.uk/
O artista avisa em seu site que não possui contas no Facebook ou Twitter.

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