André Conrado - O Caminho de Paty do Alferes - Final

André Conrado - O Caminho de Paty do Alferes - Final

Nesta edição em belas terras do Alferes, não poderíamos deixar de falar de algumas históricas fazendas da região. 

Nas terras da fazenda Pau Grande tudo se iniciou no século XVIII, com a doação da sesmaria denominada “Manga larga”, concedida a Francisco Gomes Ribeiro, em 1735, vizinha da sesmaria do “Pau Grande”, que foi mais tarde concedida aos sobrinhos Marcos, Manuel e Francisco Gomes Ribeiro. Ao falecer Marcos, que era padre, sem herdeiros, tornaram-se proprietários das terras do “Pau Grande” os irmãos Manoel e Francisco. Outros familiares vieram posteriormente de Portugal, e foram residir na fazenda, no entanto, por muito tempo morou e administrou “Pau Grande”, transformando-a num grande engenho de cana de açúcar, José Rodrigues da Cruz, tio paterno de.Joaquim Ribeiro de Avellar.

Foto histórica da Fazenda Pau Grande - Seculo XIX - Instituto de Historia da Arte

Em 1805, Luiz Gomes Ribeiro, casado com uma sobrinha de José Rodrigues da Cruz, e cunhado do futuro barão de Capivari acabou de construir a grandiosa casa de moradia, em estilo de quinta portuguesa, importando materiais de Portugal, principalmente os vidros e as grades de ferro das sacadas da fachada principal. Uma capela central separa a construção em duas casas distintas, onde habitavam os parentes da família, que viviam independentes, em cada uma das alas, e esta imponente construção não se encontra em todo o vale do Paraíba. Mas, por sérios desentendimentos na administração da fazenda com os demais familiares sócios e proprietários daquele grande latifúndio, Luiz Gomes Ribeiro, até então o principal administrador, em 1817, resolve deixar “Pau Grande”, com sua mulher e filhos, se transferindo para a fazenda vizinha do “Guaribu”. A partir de 1839, Joaquim Ribeiro de Avellar, futuro barão de Capivari, passou a cuidar da fazenda junto com suas irmãs e sócias.

Foto da Fazenda Guaribu - Final séc XIX - Biblioteca Nacional

Joaquim Ribeiro de Avellar, teve um único filho, ilegítimo, o qual perfilhou, sem, contudo, declarar a mãe e empenhou-se para torná-lo um homem respeitado pela sociedade. Fê-lo estudar e procurou casá-lo com a filha do conselheiro José Maria Velho da Silva que era ainda Mordomo Mor de D. Pedro II, e sua esposa D. Leonarda Velho, dama honorária da Imperatriz Tereza Cristina.

O casamento contratado em 1842, só foi realizado em 1849, depois de Joaquim ter recebido em 1847 o título de Barão de Capivari, e com as “honras de grandeza” em 1848. Antes disso ele também foi vereador de 1833-1836, e de 1841-1844, foi coronel da Guarda Nacional, deputado e comendador da Ordem da Rosa.

(Pintura) do Barão de Capivari - Joaquim Ribeiro de Avelar - Fazenda Pau Grande - Séc XIX

Fazenda Monte Alegre

A história da Fazenda Monte Alegre está ligada à de Francisco Peixoto de Lacerda Werneck, o Barão de Paty do Alferes, membro do “Clã dos Werneck”, que dominou por quase 200 anos a maior parte das terras “Serra Acima”

Foto histórica da Fazenda Monte Alegre - 1842 - IPHAN

Não foi o Barão quem construiu Monte Alegre, porém, é certo que desde o ano de 1855 o Barão residiu nesta fazenda, fazendo dela seu centro de negócios e de documentação, arquivos, etc. Das várias fazendas que possuía (sete, com centenas de escravos) era a mais bem localizada e possuidora do melhor quadro de profissionais. Esta fazenda chegou a abrigar centenas de escravos por volta 1859.

Monte Alegre era composta pela casa de moradia com oratório próprio, moinho, engenho de farinha, 59 lances de senzala, pilões, serraria, olaria, forno apetrechado, 10 lances de armazéns de café e tulhas, um canavial, cafezais, 9 enfermarias para escravos, e muito mais.

Foto da Lavoura Cafeeira - Seculo XIX - Paty do Alferes - Biblioteca Nacional

Fazenda Solar da Serra 

Foto Fazenda Solar da Serra - Divulgação - Lago e Castelo - Paty do Alferes

Outra bela fazenda que merece destaque em Paty do Alferes é a Fazenda Solar da Serra. Fundada nos anos 70 e tendo uma magnifica área social de 48 mil metros quadrados murada em pedra, belíssimos jardins com lagos, jardim romano e plantas exóticas. Possui ainda campos de esportes, piscina “semi-olímpica” e piscina térmica, adega subterrânea e ainda uma lindíssima capela com vitrais feitos por um artista plástico peruano; um verdadeiro show a parte.

Foto Capela da Fazenda Solar da Serra - Divulgação - Atual - Paty do Alferes

A fazenda é uma preciosidade na região e somente agora começou a receber eventos e hospedes. Reservas somente para o próximo ano.

Foto da Fazenda Solar da Serra - Palmeiras e Capela ao fundo - Divulgação

Festa do Tomate

Foto da Festa do Tomate - Divulgação - @aclubtour -

A consagração da produção agrícola local ocorre anualmente na semana do feriado de Corpus Christi com a realização da Festa do Tomate, quando o distrito de Avelar recebe um fluxo médio de 40 000 pessoas por dia.

A festa originou-se de uma semana técnica promovida por técnicos da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio de Janeiro (EMATER-RIO) e da CEASA-RJ no Mercado Produtor em 1979. O objetivo inicial era apenas o realizar um encontro de aprimoramento técnico dos produtores rurais de Paty do Alferes com eventos paralelos de entretenimento.

Dois anos depois, inspirado na Festa da Uva de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, o evento passou a ser conhecido como Festa do Tomate. Ainda era uma pequena confraternização de produtores e técnicos agrícolas, onde as grandes atrações eram mágicas e leilões de animais.

No ano da emancipação de Paty do Alferes, 1987, a Festa do Tomate passou para a administração municipal. Desde então, passaram a ser contratados artistas de renome para apresentação nos eventos. 

Com a inauguração do Parque de Exposição Amaury Monteiro Pullig no distrito de Avelar, em 1995, a Festa do Tomate tornou-se a maior do gênero no estado do Rio de Janeiro.

Além de shows de artistas famosos, a programação inclui atividades da área agrícola como o Concurso Leiteiro e de Qualidade do Tomate, eventos esportivos tais como os Torneios de Vôlei e de Corrida Rústica, concursos de culinária do tomate e eleição da Rainha da Festa.

Com esse clima festivo, terminamos essa série de matérias deixando um convite as belas terras de Paty do Alferes e seguimos nossa expedição pelo histórico Vale do Café. Até a próxima parada!

Fontes:

Arquivo Nacional

Biblioteca Nacional

Fazenda Solar da Serra 

Instituto Histórico da Arte

Instituto Moreira Salles

IPHAN

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