Rodolfo Abreu apresenta a série “Primavera nas Artes” – Parte 4 – Pierre-Auguste Renoir

A brisa e as flores seguem enfeitando a estação mais aromática do ano. E a série da Revista do Villa “Primavera nas Artes” continua trazendo obras inspradas por ela. Na quarta parte da série chega a vez de analisarmos uma pintura de Pierre-Auguste Renoir, porém uma obra de quando este era um jovem artista – e isso revela muito sobre ele.


“Bouquet de Primavera”(1866), de Renoir

O francês Pierre-Auguste Renoir (1841-1919) é um dos grandes nomes do Impressionismo. Porém esse movimento estético das artes se iniciou por volta de 1870. Antes disso, as pinturas eram feitas de modo mais realista. Em 1866, o jovem Renoir, com então 25 anos, inspirado pela Primavera, pintou “Bouquet de Primavera” (Spring Bouquet).

O que chama atenção nesta obra do jovem Renoir é seu estilo. Estamos num ponto da carreira desse grande artista em que podemos perceber a influências dos artistas do passado estudadas por Renoir mas, ao mesmo tempo, também seu traço mais fuido, que seria fundamental para o Impressionismo,  movimento artístico que ajudaria a desenvolver poucos anos depois.

Visão geral de “Bouquet de Primavera” (1866), de Pierre-Auguste Renoir

A pintura retrata um bouquet florido, colocado harmoniosmente em um vaso arredondado estilo japonês.O arranjo floral é magnífico: diferentes tipos de flores com texturas e cores variadas se destacam sobre a folhagem verde-escura. A textura das flores é tão bem executada, que parece possível sentir o perfume que exala do bouquet. Um verdadeiro e significativo retrato da Primavera.

 Em contraste com o Impressionismo, aqui as pétalas são separadas e distintas; e a tela brilha com luz e cor. A tonalidade azul prateada é acentuada pelos tons escuros e as flores amarelas são como estrelas. Renoir está no limiar de sua carreira, mas seu gosto já é excepcional.

Detalhes: A técnica das variada flores no bouquet e as flores brancas caídas sobre a mesa

Repare como avisão geral da composição tem uma forma triangular. Para contrabalançar a assimetria das flores transbordando para o canto inferior esquerdo, Renoir colocou uma área de sombra à direita do vaso, contrastando com a luz abaixo dela.Mostrando grando domínio da técnica, Renoir pinta umarachadura no tampo da mesa, no lado inferior direito da tela, que cria uma “linha” que contribui para o equilíbrio da composição, fazendo um contraponto com as flores brancas sobre a mesa.

Detalhe: A sombra à direita do vaso japonês contrasta com a luz sobre a mesa com rachadura no tampo

A pintura também demonstra o desenvolvimento de Renoir como artista. Em vez de aplicar a tinta com uma faca de paleta (uma técnica que emprestou de artistas como Courbet), Renoir adotou um traço mais livre e mais fino usando apenas um pincel.

 

Para muitos artistas franceses durante a década de 1860, a natureza morta floral persistia como um teste de habilidade puramente pictórica. Este buquê exuberante em um vaso japonês do início da carreira de Renoir, atesta o envolvimento do artista com as tradições históricas da arte do passado. Ele aborda a nobre prática holandesa da natureza morta através da grande escala de sua tela, enquanto sua atenção às texturas e cores do arranjo evoca o trabalho de pintores franceses do século XVIII como Antoine Watteau e François Boucher, artistas que estudou quando era um adolescente, enquanto trabalhava como pintor de porcelana.


“Bouquet de Primavera” é um óleo sobre tela está hoje no Fogg Art Museum, na Universidade de Harvard – Massachusetts, nos Estados Unidos, e mede 104,8cm x 80,3 cm.

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