Claudia Pamplona: "100 anos de Obra Portuguesa de Assistência Lutas e Vitória Luso-Brasileira" - parte 1.

Hospital Egas Moniz

Hospital Egas Moniz

No Rio de Janeiro, em 1920, haviam aproximadamente 172.000 imigrantes portugueses que representavam 15% da população da Cidade. A população que residia no Rio de Janeiro, na época, sofria os reflexos das epidemias e a falta de infraestrutura, principalmente sanitária, para muitos dos imigrantes portugueses tudo isto era ainda um pouco pior, pois além de tudo haviam de vencer o "preconceito", a saudade dos familiares e da pátria.

Para ajudar a enfrentar as dificuldades vividas por estes imigrantes, foi criada a Obra Portuguesa de Assistência. A instituição tinha a finalidade de ajudar os portugueses residentes no Rio de Janeiro que se encontravam em situação de vulnerabilidade econômica e carência social.

A Obra Portuguesa de Assistência, também chamada de OPA, é uma instituição filantrópica fundada em 14 de outubro de 1921, por um grupo de portugueses, liderados pelo então cônsul geral de Portugal no Brasil, Joaquim de Barros Ferreira da Silva e pelo médico Dr. Jorge Monjardino.

Vale a pena lembrar que Dr. Jorge Monjardim, foi um importante médico português que além de lutar pela vida de seus pacientes, muitos ex-combatentes, foi um grande humanista. Para o Dr. Monjardino responsável pela fundação de muitas outras instituições cuja a finalidade era a filantropia, a medicina não caminhava sozinha, sem a humanização, sem a cultura e sem a política da qual o intelectual participou ativamente.

Podemos dizer que a OPA foi um grande divisor de águas na vida destes imigrantes que vieram para o Brasil, em busca de melhores condições de vida, no início do século XX. Isto porque muitos chegaram a pensar em retornar para Portugal pela falta de recursos para sobreviverem no país.

Em 1971 foi criado o hospital da OPA, foi um grande passo nesta história. Em 2000 o hospital passou a se chamar Egas Moniz, uma homenagem ao médico português, professor Antônio Caetano de Abreu Freire Egas Moniz que atingiu notoriedade mundial com o prêmio Nobel de Medicina, em 1949, hoje patrono da instituição.

Prof. Dr.Antônio Caetano de Abreu Freire Egas Moniz

Hoje a Obra Portuguesa de Assistência concentra os seus esforços na administração do seu patrimônio e o Hospital Egas Moniz está arrendado pela Rede Casa Hospital podendo oferecer aos associados da OPA uma melhor qualificação nos serviços médicos e hospitalares. A Rede Casa Hospital é dirigida pelo médico Mário Lúcio Heringer, deputado Federal brasileiro.

A história da fundação da Obra Portuguesa de Assistência nos permite dizer que a instituição teve um importante papel na permanência e consolidação da Comunidade Portuguesa no Brasil, a comunidade Luso Brasileira. A OPA que ergueu sua bandeira em 1921 através de suas ações sociais, filantropia e humanismo, conseguindo chegar ao marco dos seus 100 anos, mantendo as suas portas abertas, a bandeira erguida, com a mesma finalidade e dignidade com que foi criada.

Foto: Alex Camelo

A Revista do Villa convidou, Agostinho dos Santos, Diretor Presidente da Obra Portuguesa de Assistência, desde 1986, para responder algumas perguntas sobre o Centenário da Instituição.

Agostinho dos Santos

Claudia Pamplona: Como imigrante português qual o sentimento de estar à frente de uma instituição como a OPA, quando a mesma completa o seu centenário?

Agostinho dos Santos: Gratidão e orgulho é o meu sentimento. Faço parte da instituição que tem a história mais bonita do Rio de Janeiro e do Brasil. Tenho a certeza de que a Obra Portuguesa de Assistência orgulha a comunidade Luso-Brasileira e toda a diáspora portuguesa no mundo.


Claudia Pamplona – Chegar aos 100 anos de história não é fácil para ninguém. O que o Sr. colocaria como as maiores dificuldades vividas pela instituição?

Agostinho dos Santos: Foram muitas. Mas a principal na minha gestão foi a decisão do arrendamento do Hospital Egas Moniz, mas foi necessário. Os tempos mudaram e não podemos viver uma realidade à parte. Era necessário garantir a nossa existência e o arrendamento possibilitou uma maior viabilidade econômica para a instituição e mais qualidade de serviços para os associados. Hoje o Hospital Egas Moniz é dirigido pelo médico Mário Heringer, fazendo parte da Rede Casa de Hospitais.


Claudia Pamplona: Com quem o senhor compartilha os louros desta história vitoriosa?

Agostinho dos Santos: Eu compartilho primeiro com todos os grandes homens que passaram por esta instituição, com a Assembleia Geral, o Conselho Deliberativo e a Diretoria da Casa.


Claudia Pamplona: Hoje de uma maneira geral vivemos com muita dificuldade, principalmente depois destes últimos dois anos, o que o senhor espera daqui para frente?

Agostinho dos Santos: Confiante que em 2002 tudo voltará ao normal. Vamos combater este momento com fé em Deus e continuidade no nosso trabalho. Assim, acredito!


Claudia Pamplona: Gostaria de saber se foi uma decisão difícil realizar um evento comemorativo, festivo, neste clima pandêmico?

Agostinho dos Santos: Sim, mas não podemos deixar de comemorar este momento. Para isto estabelecemos os princípios de segurança. Precisamos estimular a comunidade portuguesa a trabalhar para perpetuar a busca por melhores condições de vida, sempre. A OPA é um exemplo centenário disto. É preciso deixar esse registro na História do Brasil e de Portugal.


A comemoração

Altar da Igreja Nossa Senhora de Fatima – Centro Rio de Janeiro - Foto: Alex Camelo

A comemoração do centenário da OPA começou com a celebração de um evento litúrgico no Santuário de Nossa Senhora de Fátima, no centro do Rio de Janeiro, no Domingo dia 10 de outubro de 2021. A missa foi celebrada pelo bispo auxiliar da arquidiocese do Rio de Janeiro e contou com uma especial apresentação de Ave Maria ao som do violino.

O evento contou com a presença do Presidente da Obra Portuguesa de Assistência, Sr. Agostinho dos Santos, do vice-presidente Sr. Paulo Marcos Dias Morgado Morgado, do presidente do Clube Orfeão Português Sr. Bernardo e do vice presidente da Casa do Minho José Tadeu Maciel.

Estavam também presentes, pessoas importantes que fazem parte da história da instituição como o Presidente da Assembleia Geral da instituição, Sr. Eduardo Moreira, o tesoureiro Angelino e sua esposa Suzane. A secretária da Assembleia Geral, Luciane Queiroz e outros membros da Diretoria como, Sr. João, Sr. Abílio, Maria Alice Ferreira, Claudia Pamplona (eu) e Patrícia Farelo também compareceram à igreja.

No altar da Igreja as bandeiras da Obra Portuguesa de Assistência, da Casa do Minho do Rio de Janeiro e do clube Orfeão Português foram empunhadas por Vera Santos, funcionária da instituição desde 1989, portanto a mais antiga da instituição, e folcloristas trajados das Casas, do Minho e Orfeão Português, respectivamente.

Na próxima parte desta série apresentaremos os momentos que marcaram a inesquecível comemoração do Centenário da Obra Portuguesa de Assistência, com uma Sessão Solene e em seguida o Porto de Honra, realizados na Casa do Minho do Rio de Janeiro. Não percam!!!

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