André Conrado: Nova Friburgo/RJ - A Suiça brasileira - Parte 1

Imagem de Nova Friburgo durante a colonização (suiça-alemã) – 1820 – Arquivo Nacional

Imagem de Nova Friburgo durante a colonização (suiça-alemã) - 1820 - Arquivo Nacional

Convido todos os leitores a embarcarmos em mais uma expedição histórica. Desta vez vamos desbravar a bela e rica serra fluminense.

Até o fim dos anos 1700, a região da atual Nova Friburgo era habitada por índios Goitacazes e Puris. A Colonização do território dos municípios de Nova Friburgo e Cantagalo data do reinado de D. João VI, que autorizou, em 1818, a vinda de 100 famílias do Cantão de Friburgo (Suíça) para a região. Os colonos se instalaram na área da Fazenda do Morro Queimado, no Distrito de Cantagalo, localidade de clima e características naturais idênticas às de seu país de origem. Nomeado inspetor da povoação recém-formada, o monsenhor Pedro Machado de Miranda Malheiros criou a sede da colônia, denominada Nova Friburgo.

Foto de Nova Friburgo - Séc XIX - Arquivo Nacional

O povoado foi elevado à categoria de vila, em 1820, desmembrado da antiga Vila de Cantagalo, com sede na povoação de Morro Queimado. Após a Independência do Brasil (1822), o Governo Imperial enviou o major George Antônio Scheffer à Alemanha para contratar a vinda de imigrantes para as colônias de Leopoldina e Frankenthal, estabelecidas na Bahia, desde 1816, às margens dos rios Caravelas e Viçosa. Por motivos não identificados, as 80 famílias de colonos foram enviadas a Nova Friburgo, aonde chegaram, em 1824, encabeçados pelo pastor Frederico.

Foto de Nova Friburgo - Final séc XIX - IBGE

Em 1831, chegou ao final o sistema de administração especial da colônia e a responsabilidade pela sua gestão transferiu-se à competência da Câmara da Vila. Em 1836, a região prosperava com a criação de pequenos animais e a agricultura de subsistência (hortaliças, milho, batata e toucinho, entre outros produtos), comercializados regularmente nas feiras de domingo, em Porto das Caixas e Santa Anna. Ao longo dos anos, os antigos alojamentos dos colonos foram sendo reformados e transformados em hospedarias para os viajantes que afluíam à região.

Foto histórica - Igreja Matriz de Nova Friburgo - 1875 - Arquivo Nacional

Estava se iniciando uma tradição de hospitalidade e turismo. Mais tarde, com a chegada de imigrantes italianos, portugueses e sírios, acentuou-se o progresso da localidade que, em 1890, foi elevada à categoria de cidade. A partir de então, a cidade progrediu com a implantação de indústrias e afluência de turistas atraídos pelas belezas naturais da zona montanhosa e do clima privilegiado (seco e propício para a boa saúde). Os colégios Freese e Anchieta atraíram muitos jovens de diversos estados que, com os turistas movimentavam a vida social da cidade, no final do século XIX. E impulsionada pelo desenvolvimento das fazendas de café, em Cantagalo, Nova Friburgo prosperou como importante núcleo urbano.

Foto Histórica de Nova Friburgo (Hotel Bragança) Séc XIX - IMS

A grande tradição no turismo de Nova Friburgo foi citada em 1860, pelo Barão J. J. Von Tschudi. Em viagem de inspeção às condições da colônia suíça, Tschudi considerou a hospedaria de Gustav Lauenroth um sinônimo de boa hospedagem e amável acolhida que, aliadas às boas características climáticas, atraíam grande número de veranistas desejosos de fugir ao calor da metrópole (Rio de Janeiro).

Foto histórica do Colégio Anchieta - Final Séc XIX - Arquivo Nacional

Barão de Nova Friburgo

António Clemente Pinto foi o primeiro barão com grandeza de Nova Friburgo, grande proprietário rural luso-brasileiro.

Imagem da pintura do Barão e Baronesa de Nova Fribrugo - 1867 - Museu da República -RJ

Chegou no Brasil em 1821, onde passou a trabalhar em uma loja na cidade do Rio de Janeiro.

Era proprietário de várias fazendas de produção de café nas regiões de Nova Friburgo, Cantagalo e São Fidelis. Entre muitas, as mais importantes foram a fazenda de Areias e a fazenda do Solar do Gavião.

Casado com Laura Clementina da Silva e pai dos condes de Nova Friburgo, Bernardo Clemente Pinto Sobrinho, e de São Clemente, Antônio Clemente Pinto Sobrinho.

Construiu o atual prédio do Palácio do Catete – à época conhecido como Palácio Nova Friburgo – e o Chalé do Parque São Clemente, que se tornou a sua residência de campo na cidade.

Foto histórica do Chalet do Barão de São Clemente (Nova Friburgo) - Século XIX - Aquivo Nacional

Por sua iniciativa, implantou o primeiro ramal da Ferrovia de Cantagalo, ligando Porto de Caxias a Cachoeira de Macacu. Após sua morte, seus filhos prosseguiram com o projeto ferroviário, ligando Porto das Caixas até Niterói, e depois até Cantagalo, passando por Nova Friburgo. Por fim, em 1882, a ferrovia atingiu a localidade de Itaocara, às margens do Rio Paraíba do Sul.

Foto do ramal Ferroviário Friburgo (Ponte Seca - Sumidouro) 1888 - Arquivo Nacional

Recebeu o baronato por decreto de 28 de março de 1854 e grandezas por decreto de 28 de abril de 1860. Era grande do Império, cavaleiro da  Imperial Ordem da Rosa e  de Cristo e  Fidalgo Cavaleiro da Casa Imperial.

 

Século XX

A partir de 1910, a bela e aprazível cidade, que até então devia seu progresso ao desenvolvimento da lavoura e ao seu clima seco ideal para uma cidade de veraneio, viu chegar Julius Arp, Maximilian Falck e William Peacock Denis que se tornaram pioneiros da era industrial friburguense. As primeiras indústrias de imigrantes alemães instalaram-se no município, em 1912, originando um novo processo de desenvolvimento, paralelo à produção cafeeira na região serrana.

Foto de Nova Friburgo - RJ - Inicio séc XX - Aquivo Nacional

Pouco a pouco, surgiram novos alojamentos, hotéis de trânsito ou mais luxuosos, e pousadas, além de cinemas, restaurantes e um variado comércio.

 

No próximo capítulo em agradáveis terras friburguenses, falaremos das famílias imigrantes que ajudaram no desenvolvimento no século XX. Não percam!

 

Fontes:

Arquivo Nacional

Biblioteca Nacional

IBGE

Instituto Moreira Salles

IPHAN

Publicação Anterior

Claudia Pamplona: “100 anos de Obra Portuguesa de Assistência Lutas e Vitória Luso-Brasileira” – parte 1.

Próxima Publicação

Ricardo Schöpke entrevista o realizador brasileiro, português e francês Sérgio Tréfaut. Parte 3.

1.267 Comentários