Douglas Delmar entrevista o artista mineiro Rui de Paula

Rui de Paula – Acervo Pessoal

Mineiro de Jaboticatubas, Rui de Paula é um artista eclético. Com traços firmes e pinceladas soltas, mostra toda sua criatividade em telas de paisagens rurais, naturezas mortas, cenas de gênero, entre outros motivos.

Um impressionismo de grande sensibilidade, com efeitos de luz e combinações fascinantes de tons. Sua obra é poética, cheia de luz e nostálgica, pois desperta lembranças de um tempo onde a simplicidade era o maior valor.

O artista teve seu trabalho selecionado para ilustrar a capa do livro "Fazendas e Sabores" do programa Terra de Minas da Rede Globo em 2010, sendo destaque do mesmo.

Possui obras em importantes coleções particulares, acervos públicos e órgãos nacionais e internacionais, livros e dicionários de arte em todo o Brasil.

1 – O seu percurso pela arte começou através das histórias em quadrinhos. Qual influencia elas tiveram sobre você? E como sua carreira evoluiu ao longo do tempo?

É verdade, eu comecei olhando os desenhos das revistas de quadrinhos. Eu estou com 60 anos, quando era criança não tinha celular, a televisão era em preto e branco ainda. Então, a gente usava muito revista em quadrinhos, o Walt Disney, Tio Patinhas, Donald e Pateta, enfim. E eu ficava encantado com os desenhos e ficava copiando-os, olhando-os. Começou assim a influência de desenho de quadrinho.

E ao longo da minha carreira a evolução foi natural, eu passei a pintar em Bandeiras no pano, bandeiras de Santos para festa junina aqui no interior, como Santo Antônio, São João e São Sebastião, entre outros. Eu pintava para as festas na roça de festa junina, para igreja, para todo mundo. Isso na infância e na adolescência. Depois das Bandeiras eu passei para as telas e comecei a pintar com a tinta a óleo já. Antes, nas Bandeiras, era tinta para tecido. E aí me mudei para Belo Horizonte e lá eu estudei com um professor particular por um ano. Depois fiz um ano de Belas Artes também e depois eu fui sozinho, observando. Tem muito livro, comprei muito livro de arte, museu, galeria, foi assim

Cozinha de Roça - Óleo sobre Tela - Acervo Pessoal

2 – Quais são suas inspirações no momento de conceber uma nova pintura?

Sempre vem dos grandes mestres que a gente admira. E como eu tenho muito livro de arte, eu já vi muita coisa também, já visitei muitos museus. Então toda vez que a gente vai começar um quadro eu dou uma folheada num livro de um grande artista ou então na lembrança mesmo, dos grandes impressionistas que eu gosto muito. A inspiração sempre vem de outros grandes artistas

3 – Quais técnicas artísticas você costuma utilizar em suas obras?

Eu comecei pintando óleo sobre tela e até hoje é a minha técnica.

Bebedor de Vinho - Óleo sobre Tela - Acervo Pessoal

4 – Você é de Minas Gerais, um estado imensamente rico em belezas naturais, muitas vezes retratadas em seus trabalhos. Além disso, muitas das suas obras apresentam paisagens da vida rural, despertando saudades e nostalgia. Na sua opinião, qual é a importância de manter viva a memória, costumes e cultura de um povo? Como a arte pode contribuir para isso?

Acredito que 80% do meu trabalho seja retratando nosso interior, daqui de Minas Gerais e do Brasil. Por quê que isso é importante? É do ser humano. Você pode lembrar que desde o tempo das cavernas que o homem retrata, começou lá na nas paredes das cavernas, os egípcios também sempre pintando, contando a história do passado deles, das guerras, enfim. E até hoje a gente tem essa necessidade de preservar, através da arte, a cultura e os costumes e a importância justamente é essa, porque para ter um presente e pensar no futuro, é importante que se saiba do passado, não esqueça do passado. E uma das maneiras de preservar a lembrança do passado é essa, através da arte. No meu caso, a pintura.

Rui de Paula no Atelier - Acervo Pessoal

5 – Como se sente após finalizar uma tela?

Isso tem várias respostas, é um misto. Tem quadro que eu fico triste, porque eu gostaria de ficar com ele, mas como eu faço para alguém, a gente vende o trabalho e dá uma certa tristeza. É como um filho, a gente gosta tanto, mas tem que passar para frente. A sensação, quando termina, é essa mistura. Às vezes tristeza, às vezes alegria. Mas é uma realização, um orgulho, quando um quadro fica muito bom. Tem quadro que eu gosto muito e tem outros que a gente gosta um pouco.

Tem quadro que dá orgulho, satisfaz mais. Mas todos os quadros que eu pintei, eu lembro. É muito envolvimento que a gente tem com a tela ao longo do trabalho, então quando termina, fica registrado, fica guardado. Apesar de ter muito tempo de pintura, se buscar aqui na minha mente, na memória, eu vou lembrar do quadro.

Festa do Congado - Óleo sobre Tela - Acervo Pessoal

6 – Suas telas são de um impressionismo sensível, repletas de luz e diversos tons que se combinam, fascinando quem as contempla. Conte-nos: o que o levou a escolher esse movimento artístico para suas obras?

O Impressionismo sempre me encantou. Eu tive a oportunidade de visitar alguns museus e eu vi muito quadro impressionista legítimo ao vivo e isso me marcou mais ainda, porque eu já conhecia através dos livros um Renoir, Monet, Sargent, Sorolla, são vários grandes artistas. Então só reforçou a minha admiração, meu fascínio pelo Impressionismo. Eu sigo essa linha aí. Bom, tento né, porque é muito difícil conseguir chegar no Impressionismo puro, tem que ter muito talento e eu estou buscando isso, estou correndo atrás. Meu sonho é ser um impressionista 100%.

Goiabada com queijo - Óleo sobre Tela - Acervo Pessoal

7 – Muitos artistas conciliam suas atividades artísticas com trabalhos formais, mas você decidiu viver apenas da arte, e é com ela que trabalha até hoje. Como surgiu essa decisão? Teve algum receio?

Eu sempre vivi da arte, do meu trabalho, da minha pintura e não é fácil, mas eu nunca tive medo também. Eu sempre, graças a Deus, consegui vender meu trabalho e viver dele. Vivo bem, graças a Deus. Nunca cogitei “trabalhar de outra coisa porque não vai dar para viver da arte”. Nunca tive essa dúvida. E estou aqui até hoje.

Carro de Boi - Óleo sobre Tela - Acervo Pessoal

8 – Como as pessoas reagem aos seus trabalhos? E como podemos encomendar uma pintura de sua autoria?

As pessoas reagem com muita admiração e elogios. Eu fico feliz com isso. Alguns ficam emocionados, já aconteceu várias vezes. É gratificante, é o retorno do trabalho da gente.

Para encomendar um quadro, é sempre através do WhatsApp (31 99593572) ou do Instagram (@rui.depaula.3), mas o WhatsApp é mais fácil, pois às vezes a pessoa quer uma pintura de uma foto específica, então basta enviar pela mensagem, combinar o valor e eu faço o quadro. É simples 

9 – Rui, de que forma a arte contribuiu para sua vida?

A arte contribuiu com tudo na minha vida. A arte me alimentou, me satisfez espiritualmente, financeiramente e materialmente.

Artista Rui de Paula - Acervo Pessoal

10 – Suas obras também já foram expostas fora do Brasil. Quais foram os países? E qual foi a sensação ao ver seu trabalho sendo reconhecido no exterior?

Sim, eu fiz exposição em alguns países. Às vezes eu fui e em outras tive um representante, um marchand me representando. Expus nos Estados Unidos, Bélgica, Portugal e Qatar.

A satisfação é o mesmo sentimento de quando uma pessoa chega e olha um quadro meu, se emociona, sai uma lágrima dos olhos. Essa sensação é igual quando tem uma exposição lá fora e tem uma matéria ou um comentário positivo.

Site Oficial: http://www.ruidepaula.com.br

WhatsApp: 31 999593572

Instagram: instragram.com/rui.depaula.3

Facebook: facebook.com/1052741611

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