Douglas Delmar: O antigo Museu Júlio de Castilhos, em Porto Alegre

Fachada do Museu Júlio de Castilhos – Acervo Pessoal

O antigo Museu Júlio de Castilhos, em Porto Alegre

Quem passeia pelo centro histórico de Porto Alegre, pode perceber como o passado ainda se faz presente pelas ruas da capital gaúcha. Vários prédios e casarões antigos se espalham pela cidade, conservando a beleza e arquitetura de tempos remotos. Umas dessas construções se trata do Museu Júlio de Castilhos, que aliás, é o mais antigo museu do Rio Grande do Sul. Está instalado em dois antigos casarões, no centro da metrópole.

O prédio é uma imponente e típica construção urbana aristocrática do século XIX. Foi erguido em 1887, mas em 1903 foi transformado no Museu do Estado e apenas em 1907 recebeu o nome atual, como homenagem ao jornalista e político Júlio de Castilhos, ex-governador do Estado por duas vezes e antigo proprietário. Anos depois, a casa vizinha foi anexada, ampliando o espaço. Ali, podemos encontrar legítimas raridades, como armas, lanças, espadas e outros objetos da Revolução Farroupilha. O prédio abriga grande parte da essência e da história do Rio Grande do Sul.

O acervo é composto por mais de 11 mil itens que remetem aos costumes e ao modo de vida do homem rio-grandense, suas relações sociais e à história política do Estado. As 29 coleções do acervo – dentre elas a iconográfica, de utensílios domésticos, de objetos de uso pessoal, e de máquinas e armarias – podem ser apreciadas nas exposições de longa duração. São destaques o espaço ‘Revolução Farroupilha’ e a ‘Sala Missioneira’.

Peças únicas, como o espadim carregado por Giuseppe Garibaldi durante a Revolução Farroupilha, e armas utilizadas pelos soldados imperiais, farroupilhas e pelos lanceiros negros estão em exposição.

Do lado de fora, o Pátio dos Canhões Farroupilhas mostra ao público canhões que pertenceram à esquadra de Giuseppe Garibaldi e que, por muito tempo, permaneceram esquecidos no fundo do arroio Santa Izabel, em Camaquã, onde foi travada uma das batalhas da Revolução. Os canhões foram recuperados em 1926 e doados à instituição.

Há também o antigo gabinete e o quarto de Júlio de Castilhos, contendo peças utilizadas pelo ex-governador durante sua trajetória política. Destacam-se a mobília da época, além de retratos pessoais e familiares, textos e informações biográficas. O ambiente cheira a passado!

Quarto de Júlio de Castilhos - Crédito Alina Souza Especial Palácio Piratini

Algumas histórias trágicas e arrepiantes rondam o museu. Júlio de Castilhos faleceu no velho casarão, após uma cirurgia para remoção de um câncer na traqueia. Sua esposa, Honorina, inconsolável com a morte do marido, suicidou-se em um dos quartos. Isso fez com que o prédio fosse considerado mal-assombrado, e há testemunhos de diversas pessoas que alegam ter visto os fantasmas dos falecidos.

Para quem estiver em Porto Alegre, morador ou visitante, uma visita ao Museu Júlio de Castilhos é essencial, não só para conhecer um pouco mais da história do Rio Grande do Sul, mas para também para viajar aos tempos longínquos. O museu fica localizado na rua Duque de Caxias 1231 e 1205, no centro da cidade. O horário de visitação é de terças a sábados, das 10h às 17h.

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