Chico Cartulli: O meu convidado o futurístico artista plástico Enéas Valle e suas criações.

Chico Cartulli: O meu convidado o futurístico artista plástico Enéas Valle e suas criações.

Enéas Valle nasceu em Manaus.

Em 1973, mudou para o Rio de Janeiro, com uma bolsa de estudo da CAPES para um mestrado em Matemática no IMPA – Instituto Nacional de Matemática.

Pura e Aplicada. Em 1977 foi para Frankfurt am Main, na Alemanha, para fazer um doutorado em Análise Matemática com bolsa do Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico – IMPA.

Valle desenhava regularmente desde os dez ou doze anos de idade, fez um curso livre de pintura em Manaus e estudou algum tempo com Abelardo Zaluar e Bruno Tausz no Rio de Janeiro, onde tornou se amigo de Zé Celso Martinez Correa, Lina Bo Bardi, Hélio Eichbauer, Márcia X e em especial de Eduardo Barreto, que publicou em 1974 um desenho seu na pasta “22”, que reunia 22 trabalhos de 22 artistas, dentre os quais Hélio Oiticica, Lygia Pape e Antônio Manuel, que ele só o conheceu na década seguinte.

Em Frankfurt, frequentou durante cinco semestres, de 1978 a 1980, a Faculdade de Artes Plásticas “Staedel Kunsthochschule”. Cheguou à conclusão de que seria mais feliz pesquisando Pintura do que Matemática. Com o apoio de Susanne Wahl, com quem se casou teve dois filhos, abandonando o doutorado e retornou para o Rio de Janeiro no segundo semestre de 1980, carregado com pastas de aquarelas e algumas telas.

As aquarelas fizeram um enorme sucesso no Salão Carioca, no Salão Nacional e na Galeria Andréa Sigaud, recém-inaugurada com uma exposição de desenhos de Jorginho Guinle, à qual se seguiu a sua exposição intitulada “O Espaço tem 4 Dimensões”, que atraiu a atenção da crítica de arte de jornais famosos da época. Enéas mereceu uma reportagem no telejornal da TV Globo dirigido por Rubem Braga.

Em 1981, teve a sorte e o privilégio de inaugurar a galeria do Centro Empresarial Rio, em Botafogo, administrada por Ascânio MMM e Ronaldo do Rego Macedo, com a exposição “Psicotopologia do Olhar”, que teve curadoria de Paulo Herkenhoff. Essa exposição permitiu-lhe conhecer pessoalmente a Vanguarda carioca: Cildo Meirelles, Rubens Gerchman, Lygia Pape, Anna Bela Geyger, Antônio Manoel, Roberto Magalhães, Antônio Dias. Além disso, a exposição lhe trouxe o apoio de vários críticos, como Wilson Coutinho, Roberto Pontual, Marcus de Lontra Costa e Paulo Sérgio Duarte, que o indicou para a XVII Bienal de São Paulo.

Até 1987, quando mudou para Berlim, realizou várias exposições individuais, das quais as mais importantes foram na Petite Galerie, de Franco Terranova, no Rio de Janeiro, e na Galeria Paulo Figueiredo, em São Paulo. Também participou de exposições coletivas, no Rio, São Paulo, Belo Horizonte e Cidade do México, dentre as quais merecem destaque a XVII Bienal de São Paulo (1983) e “Como vai Você, Geração 80?” (1984), no Parque Lage.

Participou ativamente do Grupo Moreninha, um grupo formado por Paulo Roberto Leal com artistas que tinham participado da mostra “Como vai Você, Geração 80”. O grupo realizou duas performances históricas, com grande repercussão na midia. Uma delas desencadeou uma longa polêmica nos jornais, a partir de declarações do crítico italiano Bonito Oliva, criador do termo Transvanguarda. Em 2007 o Moreninha produziu e lançou o vídeo “Orelha”, com uma performance de Body Art (Enéas Valle) e publicou um livro com o mesmo título. Na vivência com o grupo, elaborou o conceito de CURVISMO como base para sua pesquisa pictórica e escultórica daí em diante.

Curvismo significa uma concepção tetradimensional do plano e da superfície 3-D baseada na Geometria não-euclidiana da curva, na Topologia (aberto/fechado, cheio/vazio) e no Corte (colagem/assemblagem).

Ele se define como um pintor multimidiático curvista, trabalhando simultaneamente no Pop-Curvismo (pictórico), e no Curvismo Processual (Plástica, instalação e performance) e no Curvismo Geométrico (Escultura).

Na década de 1990, após 4 anos residindo em Berlim, onde cursou Informática e adquiriu um personal computer, tornou professor de Desenho da Escola de Belas Artes da UFRJ, tendo como colega de departamento a grande e inesquecível Lygia Pape. A Universidade deu a oportunidade de ampliar sua pesquisa de ateliê com a criação de um laboratório de Desenho (1995-2005), de um laboratório de Escultura e Produção de Eventos (2005-2010) e do laboratório atual, o LabPD-Arte (Laboratório de Produção e Direção de Arte do Departamento de História e Teoria da Arte da EBA/ UFRJ).

Em 2002, realizou uma megaexposição itinerante (Museu Nacional de Belas Arte RJ, Instituto Tomie Ohtake SP e Museu de Arte do Espírito Santo ES), com curadoria e organização do catálogo de Fernando Cochiarale. Com patrocínio da BR Distribuidora, apresentou nesta exposição a tela “Sambyte com uma Citação de Hegel” ao lado de um vídeo com a animação criada a partir da digitalização da pintura. Constavam também da exposição um painel composto por 90 aquarelas/guaches (os “Bytes”, produzidos entre 1985 e 1998), desenhos, pinturas, objetos e a série “Serps”, constituída de objetos-pintura cuja forma depende da sua instalação no ambiente.

Na exposição Geópolis foi lançado o livro “Hiperspaço Curvista” pela Editoria da Universidade Federal do Amazonas – EDUA, com apoio da Galeria Toulouse. Organizado por Marcus de Lontra Costa, o livro apresenta sua obra desde o começo da década de 1980 até 2005, juntamente com uma fortuna crítica.

Em 2013 realizou a exposição individual “Alegria Filosófica” na Galeria H-Rocha, no Rio de Janeiro. Desde então, Valle tem participado de exposições coletivas, como “A Arte que Permanece”, “Tiradentes Singular e Plural”, “Uma Afirmação da Presença” e “Sentado à Beira do Tempo”.

Enéas considera a Arte brasileira contemporânea vigorosa e de nível internacional. Infelizmente persiste no Brasil o problema da formação do artista e do público no caso das artes visuais em geral e das artes plásticas em particular. Além disso, a política cultural conservadora e regressiva do atual governo federal é um desestímulo para a produção artística brasileira como um todo, estimulando a censura em variadas formas e reduzindo o incentivo financeiro do Estado e da iniciativa privada. Entretanto, “da adversidade vivemos”, como já dizia Hélio Oiticica. O futuro certamente pertence à Arte comprometida com a liberdade individual, com a busca do Novo através da criatividade e com a transgressão das normas caducas, finaliza o mega artista Enéas Valle.

Fotos: Arquivo Pessoal /Divulgação

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