Claudia Melo: Júlio Braga, o dom da arte por herança!

Escolhido pela arte, troca o desejo da medicina para seguir o dom de uma linhagem de artistas

Júlio Braga, 67 anos, curitibano, é o sétimo filho de uma família de artistas. E como Júlio gosta de dizer, acabou sendo  escolhido pela profissão, já que o seu desejo era fazer medicina.

A história com as artes começa com a mãe de Júlio, Zezé Braga que foi figurinista e costureira responsável por várias produções, tanto de cinema quanto de teatro. Todo o figurino da filha e atriz Sônia Braga em O beijo da mulher-aranha é de Dona Zezé. Com os Dzi Croquettes, morou dois anos na França, cuidando do figurino e fazendo também o papel de mãe de todos.

Além de Júlio e dos irmãos Hélio Braga (artista plástico), Maria Braga (produtora musical), Ana Braga (atriz), Sônia Braga (atriz), os sobrinhos Alice Braga (atriz), Rita Braga (produtora de cinema) e Fábio Braga (fotografo) também levam o sobrenome Braga adiante no cenário das artes.

Ator, produtor, diretor... talentos de sobra

Recentemente foi visto nas telinhas como Terá em Gênesis. Na quarta fase da novela bíblica, Julio assumiu o papel de Terá, pai de Harã, Naor e Abrão. Patriarca e homem poderosíssimo em Ur, um excelente negociante, homem de visão e que gosta de liderar e ser respeitado.

Júlio gravou as primeiras cenas no Marrocos, de onde voltou corrido por conta do início da pandemia do Covid 19 e depois disso foram quase seis meses de molho até a retomada das gravações no Brasil. A novela foi sucesso não só no Brasil, mas também na África do Sul, Europa, EUA, Canadá, Japão e Austrália.

No teatro participou de peças consagradas como  HAIR, Jesus Cristo Superstar, Godspell, Mãe Coragem, La Conquista, Piaf, Uma Rosa Para Hitler, Julius Cesar, dentro outros trabalhos.

Na Televisão, alguns destaques como Plantão de Polícia, Bandidos da Falange, Tereza Batista, Amazônia, Anjo Mal, Meu Bem Querer, Porto dos Milagres, O Clone, Desejos de Mulher, Malhação, O Beijo do Vampiro, Floribella, Páginas da Vida, Paraíso Tropical, José (Record), Além do Horizonte (Globo), Pecado Mortal, José do Egito, Vitória (Record), República do Peru, Insônia, Ribanceira, Bruna Surfistinha (série), Série Bíblica (Cesgranrio), Brasil à Bordo (standing), Apocalípse, Pega Pega, Tempo de Amar,  Novela  Jesus uma participação em Topíssima e  Gênesis.

O cinema também é uma paixão e foram várias produções: Rio Babilônia, Bar Esperança, O Sol dos Amantes, Matou a Família e foi ao Cinema, Cheque-Mate, O Homem Nú, Villa-Lobos, JK – Bela noite para voar, Julio César e Cleópatra, Até que a sorte nos separe, Casa da Mãe Joana 2, Sobre Anões e Cifrões(Curta), De repente Eu te Amo, Wilson Simonal, 91/2(curta), Comercial Antártica Coisa Boa,  Crô 2 e  Sai de Baixo – O Filme.

Julio também deu aulas de interpretação para crianças e adolescentes, descobrindo e lapidando vários talentos que hoje estão na mídia com grande repercussão profissional e reconhecimento nacional.

Um projeto muito bacana que Júlio participou e pelo qual tem um carinho muito especial é o projeto Teatro Até Você, que levou o teatro para as escolas carentes do Nordeste e do Sul.

Momento Parolagem:

1- Júlio, vc tem uma família totalmente envolvida com as artes e conta que sua vocação era pra medicina. Como vc seguiu a tradição familiar e abandonou o sonho de ser médico? Algum arrependimento?

R: O sonho de ser médico era coisa de criança. Mas a arte conseguiu me desviar para uma coisa mais forte, mais visceral. Não sinto nenhum arrependimento, só GRATIDÃO.

2- São muitos artistas na família, em três gerações diferentes. Vc acha que um foi influenciando o outro? O ambiente familiar sempre girou em torno da arte?

R: A arte na família foi como uma “gripe” que foi passando de um para o outro. Nada foi imposto, e sim opção.

3- Você já trabalhou com alguns dos seus irmãos ou sobrinhos? Se não, existe esse desejo?

R: Apesar de 50 anos de profissão, trabalhei somente com a Aninha em seu início de carreira, mas ainda tenho o sonho de trabalhar com todos. Fica a dica!

4- Você já fez de tudo um muito, certo? Onde vc mais se reconhece, atuando, produzindo, dirigindo, dando aulas?

R: O prazer está em poder estar vivendo e respirando arte. Me reconheço em todas as áreas.

5- Cinema, teatro ou TV?

R: Em todas e você esqueceu do Circo.

6- Não sabia que você tinha trabalhado em circo. Conta pra gente essa história de circo.

R: Nos anos 70 quando fui fazer Godspell, todo Godspell era feito numa estrutura de circo. Por esse trabalho e um curta do Jonas Bloch, aprendi a arte do circo. Depois fiz circo na TV Globo naqueles especiais de fim de ano, soltando fogo pela boca. Cheguei a fazer Cound também.

7- Seu último trabalho na Tv, foi em Gênesis como Terá. Como foi participar dessa obra tão grandiosa?

R: Terá foi um presente do Edgard Miranda , Diretor Geral da novela. Foi um personagem gratificante onde tive liberdade total de interpretação.

8- Soubemos que nos bastidores você era conhecido como um dos membros do “Quarteto Fantástico”. Conta pra gente essa história.

R: O quarteto vem da amizade entre Tião D’Avilla, Ricardo Blat, Zé Carlos Machado e eu, que nos conhecemos há 50 anos e não tínhamos trabalhos juntos ainda, mas nesse trabalho nossos caminhos se cruzaram e  foram muitas histórias ao longo das gravações.

9- Você viveu o momento de efervescência nas artes, certo? Como você enxerga o cenário atual?

R: A efervescência vinha de um momento de ditadura em que tínhamos que fazer algo para nos colocarmos, fazer a nossa resistência e também para não pirar; e assim vinham as ideias e realizações. Era uma questão de sobrevivência. Hoje tudo mudou, as relações e os meios estão diferentes. A “guerra” por um lugar, por um personagem cresceu muito. O número de artistas talentosos espalhados por esse Brasil é enorme e tem muita gente se juntando pra fazer coisas novas e de qualidade. Apesar da pandemia que foi devastadora para quem vive da arte, as coisas estão voltando a acontecer e com certeza iremos produzir muita coisa boa. Durante o período de quarentena mais rígido foi a arte que nos tirou da escuridão, que nos fez companhia no dia a dia, que nos permitiu sonhar com dias melhores.

10- Atuar é como respirar? É o que te move e te conecta com o mundo?

R: Sim. Acordar todos os dias e agradecer por ELE ter me colocado nessa estrada infinita de prazer. A arte me conecta com a vida.

11- Algum conselho pra quem quer seguir o seu caminho e se tornar um ator?

R: Quer ser artista? Se entregue a dura tarefa que nem sempre lhe traz prazer, mas com certeza sempre será uma aula para sua longa estrada. Humildade para aceitar pequenos papéis  e poder se tornar um GRANDE artista.

Júlio atuando na novela Gênesis

Agradeço a oportunidade de entrevistar um ator tão completo como o Júlio Braga, que nestas repostas nos mostra a arte de ser um artista de corpo e alma.

Fotos: Pino Gomes e acervo pessoal

Assessoria: Alessandra Drayrell

Coluna Claudia Melo @claudiamelooficial

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