Roberto Lúcio: Carluz Belo lança Passos no Escuro

Descrito como uma “Oração da Memória LGBTI, um Hino ao Amor e Contra a Homofobia”, “Passos no Escuro” é o mais recente single do cantor português Carluz Belo, que chega para dar sequência a uma série de vídeos promocionais do álbum “Menino da Praia”. O resultado reafirma seu estilo “pop sonhador” que tenta ser leve e afetuoso.

A Revista do Villa traz o jovem artista do Minho em uma entrevista dividida em duas partes, onde foi possível conferir que sua expressão um tanto etérea não é apenas uma persona dos clips e sim um comportamento espontâneo até mesmo quando fala sobre ativismo ou sobre pressões e liberdades de artistas independentes. Na segunda parte, ele surpreende ao demonstrar um enorme conhecimento sobre artistas brasileiros e fala de sua influência musical.

O músico cresceu em Fão, vila portuguesa de Esposende na Província do Minho, e aos 18 anos decidiu aprender piano de forma autodidata a fim de materializar as melodias que lhe vinham ao espírito, muitas vezes com poemas já incluídos. E desde então trilhou uma carreira que o levou a Lisboa estudar produção musical e não parou mais, participando do Festival RTP da Canção, apresentando seu próprio programa de rádio, sendo premiado no Festival de Música Moderna de Amares e agora tendo a satisfação de ver lançado seu primeiro álbum.

“Menino da Praia” está disponível no Spotify, iTunes, entre outras plataformas, e nas palavras de Carluz Belo “o álbum faz uma viagem por alguns dos meus territórios emocionais, com melodias sobreviventes ao longo de mais de uma década e que nem uma pandemia conseguiu travar. Quase todos os temas se encaixam numa espécie de estação do ano interior, dentro da alma.” “Há passeios à beira mar, amores e desencanto, infâncias coloridas, florestas místicas e pássaros esvoaçantes… Escutar este disco é hoje a melhor forma de me conhecer enquanto músico e ser humano.”  “Há uma matriz musical em mim que nasce nos anos 80, com destaque para a obra de Lena d’Água, António Variações, melodias da Eurovisão, jingles, canções infantis… Tudo isso me marcou em miúdo.”

Sobre o videoclipe e a faixa “Passos no Escuro”, ele afirma “prestar tributo às vítimas de crimes homofóbicos, cujas histórias de amor ficaram por viver.”  “É preciso cuidar destas feridas no nosso imaginário coletivo. Quis realizar o vídeo que eu próprio precisava ter visto quando era adolescente. A homofobia ainda está presente nos vários quadrantes da sociedade, em qualquer classe social e em diversas áreas profissionais. Por exemplo, o balneário desportivo sempre foi um espaço de homofobia. A reeducação é fundamental. Ainda hoje, é preciso coragem sempre que dois rapazes dão a mão ou se beijam nas ruas da sua vila ou cidade.”

Ainda sobre “Passos no Escuro”, ele continua: “Esta canção é a última faixa do disco e acaba por ser mais introspectiva, mais espiritual, meditativa de certa forma.” “Eu sou um artista independente, não tenho o apoio e nem a pressão de uma gravadora, portanto eu posso fazer aquilo que efetivamente me apetece fazer, o tom certo e a minha abordagem sobre o assunto. Talvez o Movimento LGBT possa ter uma atitude mais combativa, que está muito ligada ao ativismo e que faz todo o sentido porque se tivermos uma visão histórica, muitos direitos foram conquistados. Uma luta que é também contra o racismo, a xenofobia, a misoginia, uma série de lutas que precisamos ter ainda hoje em dia em nome dos direitos humanos.” “Essa canção trata de cuidar das feridas, principalmente de pessoas que vieram antes de nós. Ao retratar o início de uma história de amor entre dois rapazes, o vídeo acaba por fazer um pouco de ativismo.”

“Este é um disco feito do meu amor a música. O amor, a luminosidade e a leveza são conceitos muito importantes para mim e eu até costumo classificar as canções como “dream pop”. “Enquanto músico eu pretendo comunicar alguma leveza. Eu acho que o mundo está cheio de coisas pesadas como a violência. A pandemia trouxe uma série de consequências econômicas, também para a saúde física, saúde mental, a distância entre as pessoas. Nós ainda não sabemos o real impacto da pandemia.”

Na próxima semana, a coluna traz a segunda parte da entrevista.

Confira o vídeo de “Passos no Escuro”:

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4 Comentários

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