Roberto Lúcio: O cantor português Carluz Belo em entrevista exclusiva

“MENINO DA PRAIA”, o álbum de estreia do jovem cantor Carluz Belo já está disponível. A Revista do Villa traz a segunda parte de entrevista exclusiva concedida no início de fevereiro de 2022. Confira o pensamento e opinião desse jovem artista do Minho:

“Esse disco saiu no final de 2020, os singles foram saindo gradualmente. E agora que completou um ano, eu decidi que seria importante celebrar o aniversário com um novo single. ‘Passos no Escuro’ é a última faixa do álbum e acaba por ser uma canção mais introspectiva, mais espiritual. O amor, a luminosidade e a leveza são conceitos muito importantes para mim. E eu até costumo a classificar as canções como uma espécie de dream pop.”

“Enquanto músico, eu pretendo comunicar alguma leveza. Nós ainda não sabemos o real impacto da pandemia, há consequências e efeitos que só se sentem agora. É um momento que pode causar alguns traumas.”

“Eu posso dizer que venho do Norte, de uma família feliz, digamos assim, onde as pessoas se dão bem em regra geral. Eu tenho a sorte de ter um pai e uma mãe juntos há 40 anos e felizes. Isso passa já a não ser bastante comum. E também tenho outras pessoas da minha família como exemplo. O meu avô paterno tocava guitarra portuguesa. Ele até esteve imigrado no Brasil antes da Revolução Portuguesa, antes do 25 de abril, e falava com saudades.”

“Eu sou filho dos anos 80, cresci no litoral do Minho, estudei Belas Artes no Porto, vivi também em Lisboa, fiz formação em Teatro. E esse disco é o resultado dessas minhas vivências.”

“Menino da Praia é o título do disco e também de uma canção. São significados diferentes. Na canção, há um significado de celebrar os laços familiares. Não é muito fácil dizer que gostamos de nossos pais e nossos irmãos. Mas é importante celebrarmos esse amor nos momentos de consciência. Muitas vezes já é tarde demais quando nos lembramos de celebrar essa dádiva.”

“O disco Menino da Praia refere-se mais a liberdade que eu sinto quando componho e canto quase como se eu próprio voltasse a ser uma criança livre na praia, que brinca, que corre, que não tem restrições sociais, nem etiqueta…portanto é daí que vem a ideia quase infantil de liberdade. Celebrar a criança interior que nenhum de nós deveria esquecer ou deixar morrer.”

“Esta relação que eu falo sobre a praia tem a ver com o fato de eu poder pegar uma bicicleta e em 5 minutos estar na praia em qualquer época do ano, muitas vezes em uma praia deserta, em comunhão com a natureza. Muitas vezes a praia desbloqueia a própria criatividade e a composição, o surgimento de poesia, de letras de músicas. Trago a praia no sentido introspectivo, mas também no sentido de celebração, de estar com os amigos no verão. ‘Nortada’ é uma palavra para descrever o vento forte que temos aqui na Costa Norte do País.”

“Há de fato muitas canções mais calmas e introspectivas. Outras têm mais energia e até são dançáveis. Portanto vai ser interessante trazer as canções com mais recolhimento em auditórios pequenos e ao ar livre no verão dar uma cara de maior energia. Eu diria que me interessa um pouco esses dois mundos. Eu sou uma pessoa que gosta muito de dançar e ir a um bar com amigos. Mas também tenho esse lado de recolhimento que é importante para a composição.”

“Ouço muitas discografias. Eu não conhecia, por exemplo, uma figura enorme do Brasil, Elza Soares, estou agora a escutar sua obra. Tantos discos fantásticos. Mas posso dizer que desde a infância o meu fascínio por música apareceu com as melodias que tocavam na televisão, jingles, pequenas melodias dos comerciais, aberturas dos programas, das novelas, músicas infantis, tudo isso me despertava curiosidade. O Festival da Canção, o Eurovisão, tudo isso povoou o meu imaginário de criança.”

“Há dois artistas portugueses que são fundamentais: Lena d’Água e Antônio Variações. E uma referência gigante para mim enquanto adolescente vem de uma banda do Brasil chamada Legião Urbana. Influenciou-me muito e fez-me ter vontade de ser músico porque era um estilo em que eu não encontrava nenhum paralelismo com algum estilo português da época. Eu fiz uma versão curtinha de ‘Pais e Filhos’. Fabulosa, é uma canção que eu poderia ouvir em qualquer época da minha vida. ‘Teatro dos Vampiros’, ‘Vento no Litoral’, “Eduardo e Mônica”, há várias canções que me influenciaram.

“São 5 videoclipes, mas para dar mais destaques às canções vou lançar ‘lyric videos’, uma vez que não é possível fazer vídeos para todas as canções. Mas o disco foi feito com tanto carinho que vai sair um vídeo por mês nos próximos 6 meses.”

“Se houvesse possibilidade para já entrar em estúdio, teria material para um disco inteiro.” “O tempo do mercado não é o tempo da criação. Portanto a minha expectativa é poder celebrar esse disco e principalmente ao vivo. E começar a reunir material para um próximo trabalho.”

O álbum “MENINO DA PRAIA” está disponível em diversas plataformas e os videoclipes podem ser vistos no Youtube.

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