Kenia Estevess: Vamos falar de BURNOUT? Por CLARICE SKALKOWICZ - Parte 1

CLARICE SKALKOWICZ

Olá queridos leitores,       

Nesse e no próximo domingo, quero abordar  um tema que acredito ser relevante para todos nós nos dias de hoje. 

O BURNOUT! 

E para que este seja relatado com a maior fidelidade possível, convidei  duas terapeutas experts no assunto. 

A primeira, vocês conhecem agora. 

Seja bem vinda,  Dra. CLARICE SKALKOWICZ. 

Psicóloga com Pós graduação em Psicoterapia de Casal e Família , Mestra e Doutora em Psicologia Clínica e habitué de nosso amado Extremo Sul da Bahia.  

Desejo à todos uma ótima leitura. 

“A vida moderna naturalizou a cobrança excessiva por produtividade e entrega. 

Cada vez mais dormimos cansados e acordamos exaustos. 

Quantas vezes nos cobramos e nos sentimos frustrados por não termos conseguido alcançar a produtividade tão almejada naquele dia? 

E tantas outras vezes que nos comparamos com um colega de trabalho e temos  a sensação de fracasso? 

Vivemos tempo de sociedade do cansaço, como bem colocou Byung-Chul Han, no livro “Sociedade do Cansaço”. Ele defende que a sociedade atual valoriza exageradamente o desempenho, alta performance e máxima produtividade.

CLARICE SKALKOWICZ

Sem dúvida, somos inquietos e hiperativos. 

Mudamos o foco o tempo todo.

Vivemos tempos de multitarefas e com isso perdemos o contemplativo. 

Talvez a melhor parte das nossas vidas. Estar no presente, vivendo e experimentando a felicidade nas pequenas coisas. 

E pior, não sabemos identificar o nosso limite. 

Ou seja, chega-se a um nível de cansaço tão alto que lidar com algumas tarefas profissionais ou do dia a dia se torna insuportável. 

Daí lidamos com ansiedade crônica, depressão, doenças psicossomática e Síndrome  de Burnout. 

Estudo recente do IBGE aponta que 98% dos brasileiros estão muito cansados e 49% dormem mal. 

Fazemos  um ciclo interminável de auto cobrança e passamos a nos sentir frustrados, fracassados, ansiosos e deprimidos. 

A Síndrome de Burnoult é um tipo de “infarto da alma”, um estado de exaustão prolongada, levando a incapacidade laboral e desinteresse pela vida de modo geral. 

CLARICE SKALKOWICZ

O contexto da pandemia, o home office  e a tecnologia de fato geraram a sensação de que as pessoas devem estar disponíveis para o trabalho o tempo todo.

Não é só a carga de trabalho que gera o esgotamento não, mas principalmente a forma com que a gente lida com o que faz. 

Será que não precisamos ser menos perfeccionistas? 

Precisamos mesmo competir o tempo todo? 

A percepção da Síndrome nem sempre é simples, uma vez que normalmente o profissional gosta do que faz e executa suas tarefas com prazer. 

Burnout envolve 3 componente principais: exaustão emocional, despersonalização e diminuição do envolvimento pessoal no trabalho.

Os sintomas são muito diversificados, variando de cansaço físico e mental excessivo, dores de cabeça constantes, insônia, dificuldade de concentração, alterações repentinas de humor, isolamento, dores musculares, problemas gastrointestinais a  alteração de batimentos cardíacos.   

Com isso, muitas vezes é difícil fechar o diagnóstico.  

A partir de janeiro de 2022, Burnout passou a ser considerada doença ocupacional.  Na prática, significa que agora estão previstos os mesmos direitos trabalhistas e previdenciários assegurados no caso das demais doenças relacionadas ao emprego. 

O tratamento é feito com afastamento temporário do trabalho, acompanhamento psicoterapêutico e muitas vezes tratamento medicamentoso. 

Existem alguns cuidados que podemos ter para minimizar a possibilidade de  Burnoult: 

– Trace planos profissionais a médio e longo prazo. 

– Invista  em tempo para lazer, inclusive familiar. 

– Conviva com pessoas positivas e que te apoiem. 

– Pratique atividade física regularmente. 

– Tire um tempo unicamente para descanso, permita-se o ócio ocasional. 

– Procure não trabalhar mais do que 8 horas por dia. Faça intervalos de 15 minutos a cada 2 horas. Tire férias. 

– Consulte um profissional de saúde mental, caso perceba que não está bem. 

Sabemos que a resiliência é o fator preponderantemente  que nos blinda do Burnout.  

Resiliência é adaptar-se.

Pense que você precisa trabalhar para viver e não viver para trabalhar, ok? 

Precisamos sim falar sobre Burnout, entender que qualquer um está suscetível a síndrome.  

Burnout não é um castigo ou fracasso não, e sim uma segunda chance para que você repense sua vida, suas escolhas, suas prioridades.”

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