Sonia Belart: Porto: Histórias e lendas  (Estação de São Bento)

Muitas estações ferroviárias de Portugal não são apenas locais de partida e de chegada de passageiros…são espaços que se tornaram verdadeiros ícones de arte e que refletem, nas suas paredes, um pouco da história e das tradições de Portugal. A Estação de São Bento é um desses exemplos. 

Situada em pleno coração da cidade do Porto, na Praça Almeida Garret – junto à Avenida dos Aliados -, a Estação de São Bento foi considerada uma das mais bonitas estações ferroviárias do Mundo.

A linha ferroviária foi inaugurada em 1896, mas o primeiro comboio (Trem) que ali chegou ainda não tinha nenhuma estação à sua espera. Só em 1900 é que se iniciaram as obras da atual estação, da autoria do famoso arquiteto Marques Silva, que fez a sua formação no Porto e em Paris. O edifício foi inaugurado em 5 de outubro de 1916, na presença de uma eufórica multidão.

O edifício então inaugurado surpreendeu pela sua beleza. Se a gare ferroviária é uma obra-prima da arquitetura do ferro e que traz à memória a arquitetura parisiense do século XIX, o seu interior é de cortar a respiração. No átrio, as paredes estão cobertas por 20.000 azulejos pintados, da autoria de Jorge Colaço, que ilustram episódios da História de Portugal, assim como os usos e costumes das pessoas do Norte.

Hoje, a estação atende os comboios urbanos do Porto: a Linha de Aveiro, a Linha do Minho (com destino às magníficas cidades de Braga e Guimarães) e a Linha do Douro, que realiza o percurso turístico entre o Porto e Pocinho. A Linha do Douro acompanha a subida do rio e permite apreciar as extraordinárias paisagens oferecidas pelas encostas vinhateiras que se derramam sobre o Douro. Entre túneis, montes e cenários à beira-rio, a Linha do Douro é altamente recomendada aos visitantes e proporciona uma das mais famosas viagens de comboio em Portugal.

Mas o que muita gente não sabe, é que reza a lenda do fantasma da estação de São Bento. Um fantasma afável e discreto, mas teimoso em vida, e que, segundo a lenda, ainda percorre os corredores da estação de São Bento nas horas menos movimentadas. 

Mas vamos recuar um pouco no tempo…

A Estação de São Bento foi construída no local onde existiu, no passado, o convento beneditino de São Bento de Avé Maria. Este convento era bastante seletivo e apenas aceitava mulheres de determinada condição social, sobretudo nobres.

Em 1834 saiu o decreto de extinção das ordens religiosas em Portugal, da autoria de Joaquim António de Aguiar, mais conhecido por “mata frades”. Esse famoso decreto decretava a extinção imediata das ordens masculinas (e o confisco das suas propriedades) e a extinção dos conventos por morte da última freira que aí residisse. Mas a última freira do Convento de Avé Maria “apenas” morreu em 1892 (mais de 58 anos após a extinção das ordens religiosas), o que foi uma longa espera para a construção da estação de São Bento! Iniciou-se de imediato a demolição do convento. No entanto, ao longo dos anos, subsistiram histórias e relatos de que, em certos momentos, ainda é possível ouvir as rezas da última freira ecoando pelos corredores da estação! Uiii ainda bem que nunca ouvi e é só uma lenda, porque minha passagem por lá é frequente e não canso de admirar a sua beleza, que vale a pena ser contemplada.

Fonte: Douro.pt e Natgeo.pt

Fotos: Sonia Belart

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