Sonia Belart: Palácio de Cristal a 360°, maravilhas da cidade do Porto

Apesar de já ter sido demolido, o Palácio de Cristal ficou eternamente na memória, mesmo daqueles que nunca visitaram este edifício. 

Quem vive no Porto fala, frequentemente, no Palácio de Cristal, referindo-se ao espaço onde, existiu efetivamente. Sua inauguração aconteceu em 1865, naquele que era conhecido como o campo da Torre da Marca, um promontório sobre o Rio Douro, localizado a Rua Dom Manuel I, Porto.

O exterior e o interior do Palácio eram imponentes. Por dentro, ele possuía uma enorme nave central, com uma abóbada em vidro e duas naves laterais, vitraux magníficos. No interior, havia teatros, como o Teatro Popular e o Teatro Gil Vicente (à época, um dos melhores do mundo), sala de bilhar, gabinete de leitura, exposições de arte… Já no exterior, havia barcos no lago, restaurante, estufas com plantas tropicais e os jardins. 

Em quatro anos, o edifício do Palácio de Cristal estava pronto. No cimo da sua fachada principal, exibia o mote de todo este projeto. 

Inspiração 

A principal influência de Dillen Jones foi o Crystal Palace londrino que albergou a famosa Exposição Universal de 1851, embora a versão portuense tivesse uma fachada granítica, ladeada por torreões monumentais. 

Os jardins 

Os jardins do Palácio de Cristal foram desenhados por Émile David, um jardineiro-paisagista alemão. Ali se encontravam diversos tipos de plantas e de árvores, nomeadamente tílias, plátanos e palmeiras. 

Como se tratava de jardins românticos, não faltavam grutas artificiais, torres, miradouros, uma pequena ilha no lago, um coreto, uma concha acústica, estátuas de ferro bronzeado, entre outros elementos, alguns dos quais resistem até aos dias de hoje. 

Em 1865, o Palácio de Cristal acolheu a Exposição Internacional do Porto, onde estiveram presentes Luís I e D. Maria Pia, o príncipe herdeiro, ministros e outras figuras de relevo.

Havia mais de 3000 expositores e estrangeiros como franceses, alemães, britânicos, belgas, brasileiros, espanhóis, dinamarqueses, russos, holandeses, turcos, americanos e japoneses. 

No início do século XX, a falta de dinheiro fez com que o edifício começasse a mostrar sinais de degradação. 

Em 1933, a Câmara Municipal do Porto comprou o espaço, para que aí se fizesse a 1ª Exposição Colonial Portuguesa (1934), evento que acolheu milhares de visitantes 

Apesar de ter sofrido uma intervenção em 1951, no ano seguinte, a Câmara Municipal do Porto acabou por decidir demolir o Palácio de Cristal, propondo a construção de um novo edifício, capaz de albergar o Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins.
Inicialmente chamado de Pavilhão dos Desportos, este espaço foi desenhado pelo arquiteto José Carlos Loureiro e tinha a forma de uma calota semi-esférica. 

Em 1991, recebeu o nome de Pavilhão Rosa Mota, e tendo recentemente sofrido obras de remodelação,  adotando o nome do seu patrocinador Super Bock Arena Pavilhão Rosa Mota. Mas hoje com um impasse judicial pelo nome, pois a ginasta Rosa Mota não gostou da idéia do seu nome ser associado a uma marca de bebidas alcoolicas.

Com o novo patrocinador veio uma série de mudanças, aliás para melhor, do novo espaço, que estava esquecido no tempo.

Há sempre um novo ângulo para ver a cidade do Porto Desta vez, a proposta é a de subir até à cúpula do Super Bock Arena – Pavilhão Rosa Mota e ver o Porto a 360º. Convém não ter vertigens e ter força para subir os 200 degraus até ao topo. E desfrutar. 

O atual Super Bock Arena – Pavilhão Rosa Mota, que recebe concertos e outros grandes eventos, como a Cimeira Social da União Europeia, no início de maio de 2021 

A quase literal “cereja no topo do bolo” fica, também ela, no topo do edifício. O miradouro de 360 graus que abre agora ao público oferece uma perspetiva única da cidade, “desde a Boavista ao Marquês, da Ribeira até à Foz”, está ali o Porto inteiro. São “vistas infinitas em todas as direções”. 

As visitas, feitas pela empresa Porto 360  são acompanhadas por um guia e têm a duração de 40 minutos, podendo levar grupos entre 1 e 13 pessoas. A idade mínima para participar é de 12 anos e a experiência não é acessível a pessoas em cadeiras de rodas.

O custo da visita guiada é de 12,50 €,  mas vale a pena subir e admirar a bela cidade do Porto.

Fonte: Ncultura e Portosecreto.pt

Fotos: Sonia Belart e Internet

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