Roberto Lúcio: Hugo Piló em seu mais novo trabalho: “Engaço”

“Engaço” é o mais novo EP de Hugo Piló e traz 5 faixas inéditas, incluindo “Faltas tu”. O artista português concedeu uma entrevista exclusiva e falou de sua carreira, a vida em Nazaré, pandemia, preocupações com a guerra na Ucrânia, entre outros temas.

Diretamente de Nazaré, um dos lugares mais intrigantes de Portugal, conhecido por ondas gigantes e por um carnaval bastante original, Hugo Piló vive uma fase bastante inspiradora.

Seu novo EP recebe o nome de “Engaço”, que é a parte dos cachos de uva que sustenta os frutos, os bagos.

Hugo Piló: “Engaço” é o nome do meu novo álbum, tentando representar, no fundo, a estrutura que me permite viver e tentar estar no mundo da música, fazer as minhas músicas e ser feliz como cantor. O “Engaço” é tudo que nos pode dar a sensação de certeza e essa segurança familiar na sociedade em que tu estás.

Vivemos o período da pandemia, acabamos por estar muito mais tempo em casa. Nossas vidas foram interrompidas. Numa fase inicial, o tempo a mais não me deu inspiração. Mas em alguma altura, eu percebi que ao fazer parte do grupo de pessoas que tenta animar os outros, seja cantando, dançando ou pintando, percebi que não poderia passar todo esse hiato de tempo sem fazer nada.

Acebei por representar em “Faltas Tu”, essa sensação de que nos faltou muita coisa durante muito tempo e nós não estávamos habituados a isso. Pode ser muita coisa, desde um sorriso, um amigo, um familiar que partiu… Tudo isso afetou a mim e ao invés de me mandar a baixo, a ideia aqui é voltar a ter energia e criar um engaço em que nós possamos vir a ter frutos outra vez. Pôr a bola para frente.

O álbum abre com um tema que se chama “Cassiopeia”. E o primeiro verso diz: “Vou buscar o Sol com um grande anzol.” Como que diz que eu vou conseguir puxar o Sol para iluminar a Malta toda outra vez. Quis dar aqui uma sensação de abrir a janela, que é o que nós precisamos.

Por exemplo, vive-se aqui na Europa, infelizmente, um período pior que o da pandemia. Essa sensação de guerra vai criar uma desglobalização. Esta guerra vai criar muitas fronteiras, vamos ver muitos jogos de força.

Essas letras falam da realidade. Desse sonho do que vai acontecer. E vai ser melhor, certamente. Eu tenho que ter esse espírito. Tenho duas filhas pequeninas. Temos que dar uma outra visão do mundo para que elas não fiquem adultas precocemente e venham a sofrer com essa estupidez que está a acontecer. E tento arquitetar essa magia que também vem das letras.

Hugo Piló: Passei por muitas fases na música e tento dar o meu cunho para que as pessoas percebam que sou eu que está a cantar. As balizas da minha música sempre foram o Rock e o Pop. Tentei ir atrás do que eu gosto e do que eu ouvia. Grunge, Rock, cena mais pesada americana e britânica. E também um pouco do Rock nacional de Portugal e do Brasil. Paralamas, Engenheiros do Havaí, Legião Urbana.

E sempre que meto minha voz ao pé do microfone, tento fazer bem, para que as minhas filhas possam ouvir bem, quando elas tiverem paciências. Vou tentando fazer as coisas com bom gosto.

E vou agora entrar numa fase “esse é o meu estilo de música” e partir para algo maior. Já sei o que eu quero, posso visitar outras zonas. Mas é um estilo voz, bateria, baixo, poucos sintetizadores, dar um pouco de sofisticação quando se deve dar. Mas a dureza e o orgânico têm que estar lá como uma bela banda de rock. Como eu gosto.

Hugo Piló: Já tenho concertos marcados. Vou começar em Nazaré.

Como músico, uma das fases do trabalho está feita. A fase do sonho. Mas quando as coisas acabam por ir para distribuição, fica tudo um bocado mais no vazio. Tenho que ter a noção de que fiz o meu trabalho, fiz o embrulho certo para que as pessoas agora possam ir a procura.

Agora tenho que ir com calma e passos firmes. E espero que as pessoas gostem da música. Eu quero ser feliz e cantar.

Hugo Piló: Sou licenciado em comunicação empresarial. Quando estive no Canadá, cheguei a apresentar notícias em um canal de televisão.

Já tive um programa de rádio. Gosto bastante dessa sensação da rádio, que consegue passar muita coisa com a voz. E a voz acaba por ser o meu instrumento primordial.

Quando vou às rádios vou contente, apesar de ser sempre de manhã e eu tenho dificuldade em acordar cedo.

A noite é meu mambo. O meu pai era o proprietário do Café de um dos café mais antigos da região histórica. E agora eu acabo por fazer a minha parte lá a noite. O Café Oceano de Nazaré, aberto desde 1938.

Café Oceano em Nazaré, Portugal.

Hugo Piló: Carnaval de Nazaré é Mágico.

Não é um Carnaval vistoso como no Rio de Janeiro. Mas a música vai dando esse cenário Mágico. Nós aqui em Nazaré fazemos as nossas próprias músicas, sempre no ritmo da marcha, com nossos dizeres.

Eu participo de uma sala de baile, o Mar Alto, e desde cedo comecei a fazer esse Carnaval a cantar. Com uma banda, nós enfrentávamos seis noites de bailes a cantar 8 horas numa cena incrível. Carnaval é a liberdade.

Conheça todas as faixas inéditas do álbum “Engaço” em:

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