Juan de la Plata: Igor Cotrim revela como seus personagens têm transformado sua vida pessoal

Igor revela que parou de beber após entrar para ‘Reis’.

Igor Cotrim iniciou sua carreira artística no teatro, mas foi na pele malvado Boca de Lixeira, da série ´Sandy & Junior´, que ele se mostrou para o grande público da TV e deu uma guinada em sua vida profissional. Com mais de 25 anos de profissão, e muitos trabalhos também no cinema, Igor já deu vida aos mais ecléticos tipos de personagens, não se fixando em um gênero nem em um estilo de interpretação, e sendo premiado por alguns desses papéis. Entre os trabalhos de maior destaque, o longa ´Elvis & Madona´ (2011), de Marcelo Laffitte, onde ele interpretou Madona, uma travesti que se apaixona por uma lésbica que lhe rendeu 6 prêmios como melhor ator: Festival de Cinema de Natal (2009), Amazonas Film Festival (2010), Prêmio ACIE de Cinema (2012), Prêmio Especial do Juri no Festival de Cinema de Fortaleza (For Rainbow, 2012), o reconhecimento no

Troféu Cláudia Celeste ASTRA RIO, Associação de Travestis e Pessoas Transexuais do RJ (2012) e Prêmio Guarani como ator revelação.

No último dia 22, o ator voltou à TV na nova superprodução bíblica da Record TV, a série ‘Reis’, com direção geral de Juan Pablo Pires. Ele interpreta Eliúde, um personagem ficcional criado por questões dramatúrgicas, que entra com um objetivo determinado na trama. Nesta entrevista, Igor conta mais sobre seu novo trabalho e outros que irão estrear em breve, fruto de suas atividades durante a pandemia, e como se relaciona com seus personagens na intimidade.

Coletiva de imprensa com grande elenco da série ‘Reis’.

Igor, conte um pouco mais sobre seu personagem na trama da nova série ‘Reis’.

Na primeira temporada da série, intitulada de ‘A Decepção’, eu encarno Eliúde, um israelita que se mostra decepcionado com certas condutas no Tabernáculo, no período em que Israel foi governado por juízes. A narrativa da série conta como o povo judeu através de seu último juiz, Samuel, é conduzido seguindo ordens de Deus até o exército babilônico o render. Ela também aborda a chegada de Davi ao poder, bem como de seu filho, Salomão.

Igor, com Vanessa Bueno, que vive sua esposa ‘Ábila’.

Poderia compartilhar qual será a trajetória de Eliúde na série?

Esse personagem vai mexer com as emoções do público. Eu fiz questão de fazer o começo mostrando o Eliúde bem. A sua derrocada se inicia quando ele começa a ver os filhos do juiz, alguns levitas roubando as ofertas, e isso vai fazê-lo pensar: ‘Isso está errado’. O problema é que ele se aparta de Deus nesse processo. Por causa dos homens, ele se aparta de Deus e vai buscar os outros deuses, das outras nações.

Você é reconhecido como um ator visceral pela intensidade com a qual dá vida a personagens tão diferentes. Conte como isso aconteceu no processo criativo para interpretar Eliúde.

Com Eliúde eu considero que eu alcancei uma grande maturidade ao saber dosar a minha entrega ao personagem. Quando eu fiz o ‘Boca’, eu carreguei uma certa rebeldia por décadas da minha vida, e isso não é preciso. Desta vez, eu consegui ver com distanciamento e entrar no canal da sua raiva e sair dele, mas aprendi muito com ele, ao perceber o que eu não devo fazer. Quando Eliúde entra em decadência após se afastar de Deus, ele vira o ‘contraexemplo’ para minha vida pessoal.

O que você acha que vai carregar para sua vida pessoal do Eliúde?

Eu parei de beber fazendo o personagem, e eu gosto de externar isso. Estou em um momento de fortalecer minhas relações, aproveitar essa tomada de consciência para receber as coisas de um jeito maravilhoso. Aliás, gostaria de fazer um agradecimento especial ao Eduardo Pradella, diretor de casting, e a Cacá Fonseca da DOM Agenciamento Artístico, que lutaram por mim e foram responsáveis por minha volta à Record TV na novela “Gênesis”, como Simeão.

Igor como Simeão e seus irmãos na novela Gênesis.

Falando em Simeão, temos um outro personagem embrutecido e carregado de camadas dramáticas. Conte um pouco como o Igor lidou com ele.

Simeão era o filho número dois de Jacó e ele acreditava com tanta veemência no direito da primogenitura, que junto com seus outros irmãos venderam um deles como escravo. Ele era o mais violento de todos e acabava sendo o mais influenciável e o mais instável. Busquei dar uma fragilidade para o personagem. Nos bastidores eu tentava aliviar o clima de tensão brincando com os colegas, pessoal da técnica e transporte, vociferando “Meus irmãos”. O vocativo virou um modo de me defender da dureza do Simeão, e acabou virando um bordão que já faz parte dos bastidores da nova série também.

Como foi viver personagens tão carregados de emoções negativas durante o isolamento social causado pela pandemia?

No meio das gravações de ‘Gênesis’ eu busquei apoio emocional profissional com a psicoterapia. Além disso, estava em vivendo um momento muito especial, onde mesmo em uma pandemia estava sendo abençoado com dois trabalhos, e, após anos, a Adriana Lessa cruzou novamente o caminho da minha vida. Ela tem muito mérito na minha recuperação, além de ter me orientado a buscar ferramentas de apoio emocional, além de me dedicar muito amor, é claro.

Igor com Adriana Lessa em ‘O Martelo e a Coroa’.

Para finalizar, você tem outros projetos em andamento ou futuros?

Sim, há dois trabalhos em finalização. Entre ambas as produções da Record TV, participei do longa-metragem ‘O Martelo e a Coroa’, do Bruno de Souza. É uma história de um suposto encontro, uma ficção de como teria sido uma viagem de trem com Dom Pedro II e Friedrich Nietzsche. Werner Schunneman faz o Dom Pedro e eu, o filósofo alemão. Ou seja, é um eterno retorno, tudo voltando, mas você tem que entender o presente para se desviar das coisas ruins e aceitar as boas.

Ainda durante a pandemia atuei em mais dois longas. Recebi um convite do Rony Guilherme Deus para fazer ´Rally: Paixão e Fúria no Sertão do Brasil´, um filme policial que tem como pano de fundo a competição. Com Jarbas Homem de Mello, Cacau Mello, Maximiliana Reis e a Adriana Lessa. E ´Amado´, de Eduardo Felistoque e Erik de Castro, outra trama policial que mostra a corrupção na polícia de Ceilândia em Brasília, com um trabalho belíssimo de Sérgio Menezes, Adriana Lessa, Brenda Lígia e Sérgio Cavalcante.

Igor com o elenco de ´Rally´.

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