Rodolfo Abreu entrevista a modelo Plus Size Melissa Pazos

A talentosa modelo Melissa Pazos – Divulgação

Linda e cheia de energia, Melissa Pazos é um exemplo. Com uma história de vida que passa pelo Turismo, Maquiagem e a Confeitaria Artesanal, Melissa se destaca ao iniciar sua carreira como modelo Plus Size, um segmento da moda que tem ganhado visibilidade nesses tempos de inclusão. E é sobre esse momento que a modelo conversa com Rodolfo Abreu para a Revista do Villa.

Melissa Pazos

Como foi seu caminho até se tornar Melissa Bee, modelo da área Plus Size?

Desde bem menina eu olhava aquelas revistas de moda, via os editoriais e dizia pra minha mãe: “como eu queria posar para fotos…” (amo fotografia e fotografar).

Depois estudei Maquiagem, pois tava ligada a área da beleza, e isso se tornou minha profissão por vários anos, por mais de 10 anos. Eu participava do mundo da moda por detrás das câmeras, através da maquiagem. Mas eu continuava me imaginando como modelo, na frente das câmeras. Na maquiagem eu mantive meu instagram com meus trabalhos e, além de me maquiar e maquiar minhas clientes, eu também postava fotos minhas produzidas como minha própria modelo.

Até que em 2016 eu passei por um processo difícil em relação a saúde e me dei conta que eu não podia mais permitir abrir mão do meu sonho.

Após me recuperar, eu fui estudar e procurar voltar a fazer o que eu mais gostava, nessa época o mercado de modelos Plus Size começava a aquecer, foi onde eu participei do Concurso Miss Plus Size RJ.

A experiência do concurso foi importante, pois me deu o gostinho desse mundo onde eu almejava entrar e fazer parte. Não foi minha primeira vez com um grande público, pois durante a infância e adolescência participei de diversas apresentações: de jazz, piano, teatro, na minha cidade natal. Elas aconteciam no SESC, que tinha um teatro muito bonito, com uma boa capacidade e público, além de um teatro em área externa. Mas o que foi diferente no concurso de Miss, foi a atenção da mídia com entrevistas, as experiências com foto, lições de passarela, os desfiles, apresentação de dança coreografada, toda uma direção mais profissional, com o atingimento de público realmente grande, que deu o gosto de me sentir modelo. Houveram sessões de fotos antes do concurso pra promover o evento, foi uma experiencia bastante enriquecedora. Além de estar ali junto de todas as meninas, vivenciando uma experiencia de empoderamento das mulheres, com todos os tipos de corpos podendo mostrar sua beleza. E a importância de como isso faz bem para sociedade e fortaleceu ainda mais minha vontade de estar no mundo da moda e da publicidade.

Do concurso até se tornar modelo agenciada, como aconteceu?

Mantive contato com modelos Plus Size desde o concurso. Também sempre admirei as modelos Mayara Russi e Fluvia Lacerda e a americana Ashley Graham, que fazem muito sucesso e eu acho o trabalho delas maravilhoso. São mulheres incríveis, poderosas, empoderadas. E em paralelo eu produzia conteúdo para o meu Instagram, sempre me arrumando e postando minhas fotos, tanto de dia-a-dia, quanto mais arrumada, até pela questão das minhas produções de maquiagens. E foi pelo Instagram que algumas fotos minhas chamaram atenção de algumas agências. Recebi elogios de olheiros e então uma agência me fez o convite para uma conversa e um teste. Fui aprovada e me tornei modelo agenciada da agência WMOOD (@WMOOD_OFICIAL), e mais recentemente também sendo agenciada pelas agências RANKMODEL (@RANKASSESSORIA) e FRONT MANAGEMENT (@FRONTMGT). Produzi fotos para meu portfolio e estou agora realizando mais uma vez um sonho meu.

O Mercado Plus Size está em evidência, considerando os novos tempos com a valorização de diferentes perfis que representem a variedade das pessoas. Como você vê esse movimento, agora que a indústria finalmente decidiu olhar para essa importante fatia de mercado?

Primeiramente os aspectos psicológicos e como o bem que isso faz pra sociedade como um todo, valorizando as mulheres além do seu peso, e que não existe padrão para beleza. Finalmente estão vendo que beleza é um conceito mais amplo. O mercado entendeu que as consumidoras precisavam se identificar com aquela mensagem e isso não estava mais acontecendo, e as pessoas estavam mesmo protestando à respeito dessa falta de representatividade e inclusão. Entenderam que quando as pessoas se identificam com pessoas e corpos como o delas, isso cria também uma maior identificação com essa marca, pois gera um sentimento de pertencimento, empatia, inclusão mesmo, as pessoas passam então a se identificarem. Por isso a publicidade com as modelos Plus Size torna aquele produto, roupa ou marca mais real, mais próximo à diversidade. Ficou mais que provado que aquele conceito de uma beleza padrão era irreal, e as pessoas não aceitavam mais serem levadas à buscarem se encaixar. Mas sim serem reconhecidas, respeitadas e ouvidas. O direito à moda e acessibilidade é para todos.

Melissa recebeu convites para modelar - Divulgação

Quais são os cuidados com sua beleza e sua saúde que você mantém?

Eu não abro mão dos cuidados com a pele, principalmente com a pele do rosto. É preciso cuidar com a rotina diária de limpeza, de hidratação e proteção. Esse é o famoso básico que funciona. Sempre falo nos meus cursos que antes de sair comprando um produto é preciso saber identificar seu tipo de pele, para só depois investir na compra. Das marcas nacionais e com representação no Brasil, as minhas preferias são Avon, Natura, Boticário e Eudora. Das internacionais, Lancôme, Dior, L’oreal, dentre outras. E cuidar da saúde como um todo, fazer os exames de rotina, melhorar o que for preciso, fazer atividades físicas regulares. Ser uma modelo Plus Size não significa não cuidar da saúde. Existe um peso estético e existe um peso saudável, e quanto a mim, eu estou em busca da minha melhor versão, sem comparações ou pressões. Eu faço acompanhamento médico com endocrinologista, nutricionista, faço meus exames regularmente, consulto nutricionistas, faço atividades físicas regulares, tenho uma alimentação saudável a maior parte do tempo, me permito comer o que gosto em situações que eu escolho. Busco sempre o equilíbrio.

Você trabalhou muitos anos com maquiagem. Conte essa experiência.

Eu já maquiava de forma amadora, mas para ser levado a sério, um profissional precisa se qualificar, então busquei a formação em maquiagem profissional, comecei no SENAC, depois vieram inúmeros cursos e congressos com os profissionais mais renomados do mercado. Ali eu comecei a me sentir no lugar certo, as coisas passaram a fazer mais sentido… atuei no mercado publicitário, noivas, debutantes, social, aulas de automaquiagem.

No mundo da maquiagem o meu queridinho foram os cursos de automaquiagem que ministrei. Foram inúmeras turmas, depois vieram as debutantes, noivas, madrinhas e o mercado publicitário. A minha paixão pela maquiagem se mantém e é algo que permanece no meu dia-a-dia, através dos meus tutoriais sobre beleza e vídeos no Instagram e no meu canal no Youtube. Desejo continuar produzindo conteúdos sobre beleza e maquiagem e fazer outros trabalhos nessa área.

O Despertar da Beleza e do Ser foi um seminário integrando beleza física e bem-estar emocional para o desenvolvimento da carreira e da personalidade, que surgiu através da maquiagem, pois eu percebei como a maquiagem ajudava na autoestima. Então me uni a profissionais de outras áreas (terapias diversas, consultoras de beleza) para desenvolver o projeto. Organizei Workshops com grupos maiores, o que foi um sucesso. Fiz parcerias com marcas e consultores de beleza para os eventos. Eu vejo hoje que esses processos da maquiagem e do projeto Despertar estão conectados também com meu trabalho de modelo e isso pode ser exemplo para várias pessoas.

Especialmente durante a pandemia você desenvolveu também outro dom que virou um negócio, que é a Confeitaria Artesanal. Como foi isso?

Minha paixão pela culinária e gastronomia aflorou durante o inicio da pandemia. Após um tempo pesquisando e estudando, comecei com os brigadeiros, logo vieram as primeiras encomendas. Vi que na pandemia esse trabalho poderia me ajudar na renda, já que todo o mercado de trabalho para moda e maquiagem estava parado. O diferencial da Doces da Mel (@docesdamelrj) é ser uma confeitaria artesanal, afetiva, com o cuidado em cada detalhe, desde as embalagens, até o atendimento completo, feito por mim. Os feedbacks dos clientes dizendo que nunca tinham comido um doce tão gostoso, foi motivo de maior incentivo para o crescimento da marca. Nos levou a buscar cada vez mais a oferecer a melhor experiência para nossos clientes. A Doces da Mel irá realizar a campanha para esta Páscoa,com seu tradicional e queridinho Ovo de Colher de Brownie e após a Páscoa iremos analisar a possibilidade de como conciliar os trabalhos com meu trabalho como modelo.

O que fez profissionalmente antes de seguir no mercado artístico?

Eu trabalhei por anos no mercado formal e corporativo, até que chegou um momento, que aquilo não estava de forma alguma me fazendo feliz, senti uma forte necessidade de voltar para o que eu amava, o mundo das artes.

Como foi a descoberta do seu lado artístico?

Eu sou formada em Turismo e Hotelaria, cursei por dois anos Comunicação Social. Meu grande sonho e a paixão da minha vida sempre foi o mundo das Artes. Aos 05 anos minha mãe me colocou na escola de música, porque eu comecei a tocar, de ouvido, “Parabéns pra você” e “Atirei o pau no gato”, no piano de brinquedo. Esse dom para as artes veio por parte de minha mãe, do meu avô, que era maestro e dono de escola de música. e da minha tia Gheisa, que também é pianista e cantora de coral. Minha mãe estudou piano, violino e acordeon e meu avô além de ser maestro tocava violino e acordeon… Por parte de pai, minha avó, era uma poetisa nata, mesmo com pouco estudo, e eu puxei isso dela e da minha mãe também, que é escritora e palestrante. Eu amo escrever, escrevo poemas e músicas desde criança. Então estudei piano clássico e popular dos cinco aos 18 anos, depois somente o popular até por volta de 22, 23 anos. Nesse período estudei canto, flauta, bateria, jazz, teatro, artes plásticas (pintura em tela, óleo e acrílico), dei aulas de pintura por um período, para adolescentes e crianças. Nessa época, na adolescência, eu já maquiava e cortava os cabelos das minhas amigas… comecei aos nove anos, eu arrumava o cabelo da minha tia pra ela sair…rss

Outra coisa que eu fazia era imitar a Fátima Bernardes… na minha casa tinha um daqueles bares com bancada sabe… eu sentava lá, com um microfone de brinquedo, e pedia para o meu irmão ser o câmera man rsss. Nas festas em casa, Natal, aniversários, eu tocava e cantava, hoje eu me lembro, teve uma vez, que minha tia avó Cida chorou muito após eu tocar uma música, acho que era London, London, dos Beatles. De alguma forma, aquilo tocou muito forte no coração dela, era Natal, ela se emocionou demais. Que saudades dela e da minha avó Terezinha, elas me incentivaram sempre, eram minhas maiores fãs. Nessa época eu cheguei também a cantar em grupo de música na Igreja, cantava salmos também, cheguei a estudar por um tempo canto gregoriano, já participei de corais… Minha família sempre me apoiou em tudo que era possível, mas todo artista sabe o quanto é difícil viver da arte, principalmente no Brasil.

Mas eu nunca desisti… mesmo conciliando com o mercado formal, eu sempre continuei insistindo.

Qual seu maior desejo, seu sonho enquanto artista?

Poder levar para as pessoas uma mensagem positiva, algo que agregue, que possa tornar melhor a vida delas, levar amor, a expressão da arte, na minha opinião, vai muito além do entretenimento. A arte tem o poder de mudar vidas. Daí a importância da acessibilidade das artes. Arte é uma expressão, onde através das emoções a gente tem um poder muito grande de tocar o coração das pessoas, então que seja para o bem. 

Você está iniciando também na Revista do Villa como colunista. Que assuntos pretende trazer para o público da revista?

E agora aqui com vocês, como Colunista de Turismo, na Revista do Villa, escrevendo, me comunicando com as pessoas, como contei antes, uma coisa que amo desde criança.

Escolhi me formar em Turismo e Hotelaria justamente por acreditar que o Brasil tem uma vocação natural para o Turismo, é algo que se melhor cuidado pelo poder publico pode ser fonte de renda e melhora de vida para toda uma população. E a Revista do Villa é uma janela para o Brasil, Portugal e Estados Unidos e pode contribuir mostrando atrações daqui, especialmente do Rio para o público da Revista, que já conta com excelentes matérias e eu quero agregar nesse time de colunistas multidisciplinares.

E o que você espera do futuro?

Bem, eu quero me firmar como modelo plus size, me tornar uma referência de profissional nesse mercado. Estou estudando, me preparando para novos projetos no mundo das artes também, vem coisa boa por aí futuramente… Mas principalmente espero poder levar para as pessoas, através das artes, emoções, que possam tornar melhor a vida delas, levar alegria, levar uma mensagem de amor, de paz e poder dizer para elas que a vida é uma dádiva, que vale a pena ser vivida. E a expressão das artes tem esse poder, tem essa missão, o impacto na vida das pessoas, mas friso a importância de que muito além de simples entretenimento.

A arte é a própria vida. E todos merecem a chance de poder ter acesso a uma vida boa, com acesso à arte, cultura, alegria.

Acho que é isso, A verdadeira arte é a alegria plena, é o combustível para uma vida plena… É o que eu amo, é o que sou, e o que eu quero poder fazer para o resto da minha vida. Quero deixar um legado, e que esse legado possa fazer diferença para bem na vida de todos que eu tocar através da Arte. Se uma vida puder ser transformada para melhor, através da Arte, já terá valido a pena!

Melissa Pazos

Instagram @melissapazos_mel

YouTube Mel Pazos:
https://www.youtube.com/channel/UCcCllHTO372M96ELSyCP9Bw

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