Sucesso de crítica e público, musical “Naked Boys Singing!” fica em cartaz no Rio até esse final de semana

Musical Naked Boys Singing no Rio de Janeiro

Sucesso de crítica e público, com duas temporadas de sucesso em São Paulo, o clássico off-Broadway, “Naked Boys Singing!” estreou dia 11 de março no palco do Teatro Claro Rio, em Copacabana. O espetáculo tem como protagonista o universo masculino e aborda questões como: Circuncisão, masturbação, HIV, ereção involuntária, corpo padrão, gordofobia, e claro, o amor.

Musical Naked Boys Singing no Rio de Janeiro

Naked Boys Singing! é um espetáculo de teatro musical, ícone da cultura gay, que estreou no Hollywood ‘s Celebration Theatre, em Los Angeles nos Estados Unidos, em 1998, e que posteriormente foi montado em New York, onde se tornou o segundo musical mais longevo off-Broadway. Produzido em mais de 20 países, desde a sua estreia sempre esteve em cartaz em algum lugar do mundo.

Com músicas tocadas ao vivo por um ator/pianista e defendido com energia e vitalidade por dez atores/cantores/bailarinos, além de uma equipe criativa com nove artistas, o espetáculo é dividido por 15 atos musicados, que abordam temas distintos relacionados ao corpo masculino, do cômico nonsense ao drama.

Segundo o diretor Rodrigo Alfer, a pele exposta, desta vez, no musical tem um significado mais amplo e poético, principalmente pelo momento de pandemia em que fomos obrigados a nos cobrir, e temermos o corpo e contato com o outro. O musical além de libertador é uma celebração à vida.

Musical Naked Boys Singing no Rio de Janeiro

O Musical

Naked Boys Singing! Possui a estrutura de um gênero que surgiu na França no século XV, o Vaudeville, nele artistas se apresentavam através de números musicais, de dança, acrobacias, mágicas, atletas, grupos ciganos e números com animais. No seu início, os espetáculos eram apenas dirigidos para homens, pois seus números eram considerados grosseiros e chulos. No século XIX nos EUA e Canadá ganhou contornos de comédia ligeira e tornou-se uma diversão para toda a família. No Brasil houve uma junção entre os termos que pode ser encontrada como opereta, variedade e teatro de revista.

Musical Naked Boys Singing no Rio de Janeiro

Entrevista com o ator e bailarino Victor Barreto, do elenco de “Naked Boys Singing!”

Como surgiu o convite para integrar esse musical?

Vi a chamada para as audições abertas no final de 2019 e, de cara, me apaixonei pelo projeto! Mandei meu material (um vídeo cantando uma música de livre escolha e o currículo artístico) e fiquei muito feliz de receber o convite pras audições presenciais. As audições, então, aconteceram em duas fases, as duas envolvendo canto, dança e atuação (e sim, na segunda fase das audições nós já ficamos pelados haha). Ao final do processo, recebi o sim da produção. Fiquei extasiado e sou muito grato por fazer parte desse musical incrível!

Houve alguma dificuldade para você em ficar nu com o elenco e na estréia do espetáculo?

Essa foi minha primeira experiência de nudez no palco, e tem sido uma experiência maravilhosa! No callback das audições já ficamos todos nus e, de início, houve um estranhamento, sim. Mas logo esse estranhamento passou, porque tínhamos tantas coisas pra pensar naquele momento em relação à audição em si (canto, dança, atuação) e também porque estávamos todos juntos e nus no palco. De alguma maneira, estarmos todos nus e juntos fez com que eu naturalizasse a nudez com certa rapidez. Com o processo de ensaios, essa naturalização aconteceu com ainda mais profundidade. As atividades propostas pelo nosso diretor e idealizador, Rodrigo Alfer, e pela preparadora de elenco e diretora de acting, Erika Altimeyer, fizeram com que nós formássemos um elo de confiança e parceria cênica muito forte entre os atores. Assim, quando chegamos ao dia da estreia, a nudez no palco, pra mim, já não era mais um desafio, mas um grande prazer! Minha dificuldade agora vai ser usar roupas nos próximos trabalhos, porque eu simplesmente amo fazer teatro pelado!

Fale um pouco dos seus trabalhos anteriores, seja no teatro, cinema, TV

Meus trabalhos mais recentes foram a peça “A Morte e a Donzela”, de Ariel Dorfman, com direção de Laerte Mello, que trata sobre as feridas dos regimes ditatoriais na América Latina que, infelizmente, permanecem abertas; a peça “Mistura e Manda”, escrita e dirigida pelo eterno Dzi Croquette Ciro Barcelos; e o espetáculo de dança contemporânea chamado “Sobre meus sapatos”, o qual co-coreografei, ao lado de Denise Passos, que também assina a direção do espetáculo contemplado pelo edital do SESI-SP 2021/2022.

No seu ponto de vista, qual o grande aprendizado que o musical deixa para o público?

O espetáculo tem formato de vaudeville, de modo que cada número trata de um tema específico e independente, tratando de tópicos variados relacionados ao corpo, à nudez e à sexualidade (masturbação, circuncisão, amor, ereções involuntárias, HIV, entre outros,). Mas, para além das importantes mensagens individuais de cada número, o grande aprendizado que fica para o público e que permeia o espetáculo todo, na minha opinião, é a desmistificação e a naturalização da nudez. No espetáculo, ficamos inteiramente (e orgulhosamente) nus quase que o tempo todo, e nosso elenco conta com uma linda pluralidade de corpos, de origens, de sotaques e inclusive de gênero, tendo dois integrantes do elenco que se identificam como pessoas trans não-binárias. O que fica, então, para mim, é a mensagem de que a nudez é natural, humana, plural, e que todes podem despir-se de pudores e barreiras e podem ser exatamente quem são, no palco e fora dele, independentemente de sua origem, tamanho, etnia, sexualidade ou identidade de gênero.

Ficha Técnica:

Idealização: Robert Schrock
Versionista: Rafael Oliveira
Direção: Rodrigo Alfer
Direção Musical: Ettore Veríssimo
Assistente de Direção Musical: Gabriel Fabbri
Direção Coreográfica: Alex Martins
Assistente de Coreografia: João Hespanholeto
Direção de Acting: Érika Altimayer
Cenário e Figurino: Daniele Desierrê
Desenho de Luz: Rodrigo Emanuel e Rodrigo Alfer
Operação de Luz: Rodrigo Emanuel
Desenho de Som: Leonardo Costa
Copista: Rafael Gamboa
Produção e Cenotecnia – Alexandre de Marco
Produção: Alexandre de Marco
Produção Bacana Produção Artísticas & Mosaico Produções
Elenco: André Lau, Aquiles, João Hespanholeto, Lucas Cordeiro, Ruan Rairo, Silvano Vieira, Victor Barreto, Naice, Tiago Prates, Rodrigo Serphan e Gabriel Fabbri – Pianista



Musical Naked Boys Singing no Rio de Janeiro

Serviço:

Naked Boys Singing!

Teatro Claro Rio (Rua Siqueira Campos, 143 – 2º Piso – Copacabana, Rio de Janeiro – RJ)

Sextas e sábados, às 20h; e domingos, às 19h 

Ingressos:

Plateia:  Entre R$:120,00 e R$: 60,00
Frisa: Entre R$:120,00 e R$: 60,00
Balcão: Entre R$: 45,00 e R$: 90,00

Site para vendas: https: https://bileto.sympla.com.br/event/71507

Temporada de 11 de março a 17 de abril
Duração: 80 min
Classificação indicativa: 16 anos 
Capacidade: 659 Lugares

Fonte: Naked Boys Singing / MD Assessoria
Imagens: Divulgação

Entrevista com Victor Barreto realizada por Rodolfo Abreu

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