Roberto Lúcio: Inês Apenas lança “Chamada não atendida”

A Revista do Villa traz uma entrevista inédita com a cantora portuguesa Inês Apenas que se prepara para o lançamento de seu primeiro EP e para a apresentação no “Festival Ti Milha”, em Pombal.

Inês Apenas: Eu tenho um nome é extremamente comum que é Inês. Aqui em Portugal há muitas na música. Eu falava com amigos que eu queria que fosse só um nome, sem apelido e ficou um pouco difícil. Até que eu cheguei no Inês Apenas, um nome um pouco narcisístico. Mas eu pensei que faz todo sentido porque sou eu, apenas eu, apenas a minha história, meus sentimentos. E depois as pessoas começaram a dizer Inês Apenas. Ficou assim e não faz sentido ser de outra maneira. E sou apenas isto.

Inês Apenas: Eu sou do signo de peixes. Os piscianos são sonhadores e eu me identifico com a parte da arte, de sermos muito sensíveis, de termos ilusões. Parece que estamos no nosso mundinho.

Meu ascendente é leão. Fogo e água são um contraste interessante. Em algumas vezes eu sou sensível e em outras vezes parece que só quero fazer as coisas, de forma impulsiva. Isso tem influência na minha música. Algumas vezes não sou nada peixes, sou a Inês Leão, fogo.

Inês Apenas: Vou lançar meu EP em breve. E o single “Bloqueada” fala sobre redes sociais e as pessoas vêm me dar suas próprias interpretações, me perguntam se é sobre isso, sobre aquilo. Mas na verdade, pode ter diferentes interpretações. Foi algo pessoal, algo recente que me deixou confusa. Estamos próximos e às vezes distantes. E só com um clique podemos desaparecer da vida de outra pessoa. A música traz várias sensações. Vemos um amor quase obsessivo, ao mesmo tempo raiva e questões sobre o que está acontecendo.

Eu pessoalmente nunca bloqueei ninguém e já fui bloqueada. Em um relacionamento mais recente tive a sensação de estranheza. Por que estou sentindo tanta coisa má? Só por que uma pessoa quer lidar com o seu luto e decidiu tirar-me do contato? Foi assustador. Então a música tem o poder de transmitir raiva e amor ao mesmo tempo.

Inês Apenas: “Chamada não atendida” é uma música bastante especial e tem um contexto diferente. Trata da partida de alguém especial. Nesse caso, a minha mãe. E aí está mais uma vez a influência dos telemóveis, da tecnologia. Isso surgiu porque eu estava à procura de um número e vi algumas chamadas não atendidas da minha mãe. E eu dava tudo para ouvir aquela voz. E aí vem a letra. E no fundo é uma chamada não atendida que pode estar ligada a relacionamentos. É uma música que me embala. Eu preferia não ter que lançar essa música, mas fiquei orgulhosa de conseguir transmitir. Os ouvintes falam comigo sobre encarar a morte com a música. A vida e a morte, tudo é uma passagem.

Inês Apenas: Um amigo me disse outro dia que eu cantava a falar. Se eu estivesse a chorar, a voz que eu transmitiria seria um choro e não uma canção. “Chamada não atendida” custou-me imenso a gravar. Quando ouço, até acho estranho porque minha voz está tão frágil.

Nós todos temos maneiras de falar. A voz é um meio de comunicação e falamos diferente. Quando estamos mais contentes, falamos mais agudo, quando mais triste, falamos mais grave.

Eu sinto que nas músicas gosto de incluir a fala. É algo que eu defendo. Eu não preciso cantar super bem, sei que poderia cantar um pouco melhor aqui e ali, fazer algo mais impressionante. Mas a minha prioridade é transmitir essa sensação, essa emoção.

Sempre cantei em coros. Eu sou pianista e estudei piano clássico desde os meus onze anos. Eu gostava muito de guitarra, mas no conservatório só havia uma vaga para um instrumento. Todas as minhas composições são feitas ao piano. Não há outra maneira de fazer porque é o meu instrumento de formação. Fiz licenciatura no Porto. E quando acabei veio a pandemia.

Durante a pandemia, senti vontade de explorar a minha voz e essa carreira que está seguindo melhor do que eu esperava. Eu vivi um processo de desenvolvimento, de autoconhecimento, algo espiritual. Eu pensei que precisava aproveitar isto. Talvez as pessoas possam se relacionar com o que eu estava sentindo. Parecia que o mundo estava em pausa. A incerteza de futuro era grande. Ninguém sabia o que poderia vir depois.

E eu dizia para meus amigos que 2021 seria o ano em que todos iriam lançar um álbum. Todos estiveram em casa a compor. Acho que houve uma grande motivação por parte dos artistas. Eu pensei: “É agora que nós precisamos motivar as pessoas”.

Quando o público sabe as letras e canta é sempre uma sensação maravilhosa. Vou abrir o “Festival Ti Milha” em Pombal, no dia 22 de julho. Podem esperar uma banda incrível, vamos fazer alguns arranjos novos para o álbum que irá sair. Podem vir colaborações, versões ao piano, uma bailarina comigo.

(entrevista realizada em abril de 2022)

Ouça Inês Apenas no spotify:

https://open.spotify.com/track/7aVGTP5kzxP0gT3eUszyEY

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