Rodrigo Alfer: 'Fala, Majeté! Sete chaves de Exu'

‘Fala, Majeté! Sete chaves de Exu’ foi o enredo que deu a primeira vitória ao povo de Caxias. A escola que já havia conquistado quatro vices campeonatos, finalmente pode gritar aos quatro ventos: É CAMPEÃ! , e assim, fincar seu nome no panteão das escolas de samba vencedoras do disputadíssimo carnaval carioca.

Desde o início da divulgação do enredo, a expectativa era enorme, pois nenhuma escola havia ousado apresentar na avenida a história de Exú, claro, ele já apareceu em várias escolas, e em diversos setores, como na comissão de frente da Beija Flor em 2020 e na “Ópera dos Malandros” do Salgueiro em 2016, mas falar deste orixá de maneira tão explicita foi a primeira vez. “Foi o enredo do ano” disse Milton Cunha ao final da apuração. Nosso país, apesar de laico, ainda precisa a aprender a respeitar as religiões de matriz africana, e parar de demonizar as crenças do povo preto, Exú não é o diabo, ok!

Os últimos dois anos não foram fáceis para o setor cultural, e para as escolas de samba não foi diferente. Sem os ensaios, disputas de samba, festas e feijoadas nas quadras, o dinheiro desapareceu. As escolas tiveram que demitir seus funcionários e fechar suas dependências.

Com a chegada da vacina uma luz no fim do túnel brilhou e o carnaval de 2022 foi confirmado, no entanto precisou ser transferido para abril.

Eu que tive a oportunidade de estar nos dois dias de festa na Sapucaí, digo que nem de longe parecia outono ou que não estávamos em fevereiro. O clima quente, os ambulantes, a multidão andando a caminho da passarela, seja para desfilar ou para aplaudir, fizeram do entorno um “mundo paralelo do samba”. Era verão, fevereiro, em pleno final de abril. Quanta felicidade, parecia a primeira vez de todos que ali estavam. Aliás, tanto o entorno, quanto nas dependências do sambódromo estavam melhores. Banheiros mais limpos, arquibancadas com espaços definidos, os camarote mais bonito que o outro, os operadores mais gentis, e a nova iluminação que foi um show à parte, parabéns a equipe de marketing da Liesa.

Voltando a falar da Grande Rio, ao meu ver, após o seu desfile arrebatador, o resultado ficou óbvio, após anos perder para ela mesma, fez um desfile tecnicamente perfeito e com um impacto visual pouco visto na Sapucaí. A grande injustiçada foi a Unidos da Tijuca que no pré-carnaval era apontada como uma das favoritas a cair para o grupo de acesso, mas que nos brindou com um lúdico enredo sobre a história do guaraná, na visão colorida dos eres. Pra mim deveria ter voltado nas campeãs.

Outra tristeza foi a escola da Zona Sul São Clemente ter caído. Infelizmente o enredo mais que merecido ao ator Paulo Gustavo não rendeu o esperado e caiu para o grupo de acesso.

Voltarão para o desfile das campeãs as seis primeiras colocadas, neste ano, a escola que vier faltando componentes, sem fantasias, alegorias quebradas receberão multas com valores bem altos. Isso se deve para que o desfile das campeãs tenha o mínimo de qualidade, o público merece!

A colocação final foi: 1o. Grande Rio, 2o. Beija-Flor, 3o. Viradouro, 4o. Vila Isabel, 5o. Portela, 6o. Salgueiro, 7o. Mangueira, 8o. Mocidade, 9o. Unidos da Tijuca, 10o. Imperatriz Leopoldinense, 11o. Paraíso do Tuiuti e 12o. São Clemente.

Concordou com as colocações? Qual escola foi a mais injustiçada?

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