Instalação Parada II, de Fabio Carvalho, será reaberta 7 de maio no Memorial Municipal Getúlio Vargas, no Rio

Instalação Parada II no Memorial Getúlio Vargas – Divulgação

Depois de mais de dois anos trancados no “bunker”, o Exército Monarca, de Fábio Carvalho, volta a levantar vôo no Memorial Municipal Getúlio Vargas a partir de 7 de maio, com a reabertura da instalação PARADA II.

PARADA II, do artista carioca Fábio Carvalho, é uma instalação com mais de 750 bandeirinhas de papel de seda com impressão de soldados portando fuzil, com asas de borboleta saindo das costas, que ocupará a área de exposições temporárias do Salão Principal do Memorial Municipal Getúlio Vargas, com curadoria de Shannon Botelho. A impressão das bandeirinhas foi feita uma a uma, com o uso de carimbos de borracha produzidos à mão pelo próprio artista, a partir de um desenho original de sua autoria.

Instalação Parada II no Memorial Getúlio Vargas - Divulgação.

O uso da imagem da borboleta monarca (Danaus plexippus) em vários dos trabalhos de Fábio Carvalho vai muito além do fato de borboletas serem normalmente associadas ao universo feminino, frágil e delicado, que em oposição aos símbolos usualmente aceitos como masculinos, de força e virilidade, como os militares, formam a principal dialética da sua produção artística, que procura levantar uma discussão sobre estereótipos de gênero, e questionar o senso comum de que força e fragilidade, virilidade e poesia, masculinidade e vulnerabilidade não podem coexistir.

Seu uso surge ainda como um contraponto à camuflagem dos uniformes militares. As borboletas monarca são tóxicas, e por isso evitadas pelos predadores. Há outras espécies de borboleta não venenosas que mimetizam o padrão exuberante da monarca, que assim são também evitadas pelos predadores. Camuflagem e mimetismo são estratégias opostas de sobrevivência e proteção, que objetivam confundir e enganar, ao se fingir ser algo que não se é.

Instalação Parada II no Memorial Getúlio Vargas - Divulgação

As linhas de bandeirinhas são dispostas perpendicularmente às duas paredes, em sequência ordenada, começando do alto, descendo suavemente a cada nova fileira, até ficarem na altura do chão ao final do corredor da galeria. Desta forma, até um certo ponto se poderá entrar na instalação, até que a massa de bandeirinhas te impeça de seguir.

PARADA II é sobre ordem, a imposição de uma certa ordem, que padroniza, anula diferenças, ignora a diversidade, dita um ritmo, uma regra arbitrária de ocupação dos espaços, cartesiana, regular, mas que apesar de todo o esforço de padronização, de robotização dos corpos e mentes, a menor e mais singela interferência (a entrada de pessoas do público na exposição) já desestabiliza esta ordem rígida e monótona, insere movimento, poesia, beleza (através do movimento de ar gerado pelo deslocamento das pessoas no interior da instalação).

Instalação Parada II no Memorial Getúlio Vargas - Divulgação

Pela primeira vez, desde que que os “Monarcas” surgiram em 2014, há algumas bandeirinhas vazias, em branco, em meio aos soldados alados. Seu significado, entretanto, o artista faz questão de manter em segredo – “eu acho muito mais interessante e rico que cada pessoa tente elaborar por si mesma o que seriam estes vazios, estas ausências”, afirmou Fábio Carvalho.

Outro detalhe, mais sutil, é que de imediato vemos essa ordem/rigor, mas se olharmos de perto, de dentro, é uma aparência, uma fachada (precária); há defeitos, emendas, rasgos, amassados; a vida real, suja, orgânica, entrópica, sempre se impõem à ordem rígida e artificial, arbitrária, que para ser preservada exige trabalho, esforço, reforço, força (violência).

Instalação Parada II no Memorial Getúlio Vargas - Divulgação

A exposição PARADA II foi originalmente inaugurada em 14/2/2020. Por causa da pandemia de Covid19, iniciada em março daquele ano, ela foi fechada pouco tempo depois, e permaneceu fechada até agora. Apesar da fragilidade material da obra, ela permaneceu praticamente intacta nestes 27 meses de “reclusão”.


Fábio Carvalho
, em atividade desde 1994, tem em seu curriculum 17 exposições individuais e mais de 150 coletivas, no Brasil e exterior. Integrou importantes projetos de mapeamento da produção emergente no Brasil nos anos 1990, e fez exposições por quase todo o território nacional, e já integrou mostras na Alemanha, Argentina, Cuba, Espanha, Equador, EUA, Inglaterra, Itália, Portugal, República Checa, entre outros. Participou de 7 Residências Artísticas em Portugal e 4 no Brasil.

Instalação Parada II no Memorial Getúlio Vargas - Divulgação

SERVIÇO:

Exposição PARADA II, de Fábio Carvalho
Curadoria Shannon Botelho
Memorial Municipal Getúlio Vargas
Praça Luís de Camões, s/n, subsolo – Glória – Rio de Janeiro
Abertura 7.05.2022 sábado 14-18h.
Visitação até 19.06.2022
Terça / domingo, 10h às 17h

Texto curatorial:
http://www.fabiocarvalho.art.br/paradaii-sb.htm

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