André Conrado: São Conrado – A beleza de um bairro carioca – Parte 2

Foto histórica da Pedra da Gávea – Final séc XIX – Marc Ferrez – Arquivo Nacional

Surgimento da Comunidade da Rocinha

O nome da comunidade advém de uma fazenda, uma “roça” que, na década de 1920, foi tomada pela expansão da grande urbanização. Em 1927, a região foi loteada por Castro Guidas & Cia.

A Rocinha teve origem na divisão em chácaras da antiga Fazenda Quebra-cangalha, produtora de café. Adquiridas por imigrantes portugueses e espanhóis, tornaram-se, por volta da década de 1930, um centro fornecedor de frescas hortaliças para a feira da Praça Santos Dumont, na Gávea, que abastecia a Zona Sul da cidade. Aos moradores mais curiosos sobre a origem dos produtos, os vendedores informavam que provinham de uma “rocinha” instalada no alto do bairro da Gávea.

Foto histórica da Chácara originária da Comunidade da Rocinha - Anos 20 - crédito Rocinha Blog

“As pessoas ficavam admiradas com a qualidade das frutas e dos legumes vendidos na feira. Os produtores diziam que eles vinham lá da sua ‘rocinha’, e apontavam para o alto da Gávea. Daí veio o nome” conta o historiador Teixeira sobre a comunidade que nos séculos XVIII e XIX era a Fazenda Quebra-Cangalha.

A primeira casa da Rocinha é considerada a número 1 da Estrada da Gávea, erguida em 1932. Nos anos 1950, chegaram muitos nordestinos ao Rio de Janeiro e boa parte deles foi para a comunidade, característica que predomina por lá até os dias atuais.

Foto das moradias da Rocinha - Anos 30 - São Conrado - IBGE

Anos mais tarde, em meados dos anos 1950, a região passou a ser ocupada maciçamente e logo se tornou uma cidade dentro da cidade, contando até com “bairros” próprios.

Foto histórica da Rocinha - Anos 50 - Arquivo Nacional

Todo esse crescimento foi intensificado nas décadas de 1970 e 1980. Nesse período, a Rocinha ganhou status de bairro e passou a ter uma região administrativa própria.

Nesta época a comunidade obteve os primeiros progressos, resultado das reivindicações ao poder público, como a implantação de creches, escolas, jornal local, passarela, canalização de valas, agência dos correios etc. O primeiro posto foi criado em 1982, com muito esforço dos moradores, através da iniciativa da arquidiocese local, que ofertou à comunidade.

Foto da Comunidade da Rocinha - Anos 80 - Acervo O Globo

A grande proximidade da comunidade com as residências de classe alta marca um profundo contraste urbano na paisagem da região, sendo frequentemente citado como um dos exemplos da grande desigualdade social em nosso país.

Seu índice de desenvolvimento humano (IDH) no ano 2003 era de 0,732, o 120º colocado entre 126 regiões analisadas no município do Rio de Janeiro. De lá para cá não mudou muita coisa.

Um passeio pela trilha da Pedra Bonita

Assim como outras áreas do Parque Nacional da Tijuca, a Pedra Bonita foi desmatada ao longo do século XIX devido à demanda de madeira e carvão gerada pelo crescimento da cidade. Na época, havia pequenas propriedades rurais que cultivavam flores e alimentos.

A trilha da Pedra Bonita era usada pelos moradores da região para chegar até seus sítios: no início do caminho para a Pedra Bonita ainda se pode ver a pavimentação do tipo “pé de moleque” datada do século XVIII ou XIX.

Foto da Pedra Bonita e Fazenda Lagoinha - séc XIX - Biblioteca Nacional Digital

Além disso, o cume da Pedra Bonita fica exatamente em frente ao famoso rosto da Pedra da Gávea, que parece esculpido na rocha, conhecido Cabeça do Imperador. Diz a linguagem popular que ele “olha” para a Pedra Bonita.

Foto da Cabeça do Imperador - Pedra da Gávea - Atualidade - @aclubtur

De acordo com uma das lendas mais difundidas no folclore carioca, o rosto seria o que resta da efígie do Rei Fenício que teria tentado colonizar o Rio de Janeiro na antiguidade. Lendas à parte, a paisagem é encantadora!

 

O mirante das Canoas

Um pouco escondido do grande público, o Mirante das Canoas fica na pitoresca estrada das Canoas que liga o bairro de São Conrado ao bairro do Alto da Boa Vista. Cortando o Parque Nacional da Tijuca, a estrada – que já é muito bonita – ainda tem o mirante de onde se avista a Pedra da Gávea, a Pedra Bonita e a praia de São Conrado. Em alguns dias, as asas deltas coloridas, que partem de Pedra Bonita, parecem pássaros colorindo o céu.

De modo geral, as pessoas vão direto ao viaduto Bertha Schneiderman – o viaduto amarelo – e nem sempre entram à esquerda para conhecer o “verdadeiro mirante”. A vista é fantástica de qualquer lugar. 

Tem uma boa área para estacionar, mas é recomendável ir em grupo, de preferência quando tem outros carros estacionados ou um carro de polícia que, eventualmente, dá o ar da graça.  

Próximo ao viaduto, localiza-se a Casa das Canoas que foi projetada em 1951 por Oscar Niemeyer para ser sua residência. A belíssima vista é a mesma que se tem do mirante e do viaduto. Passando de carro pela estrada observa-se de relance a encantadora casa, mas no momento, ela não se encontra aberta à visitação devido a reformas. 

Foto do Mirante das Canoas - Divulgação - @aclubtour

No último capítulo, iremos falar de outros encantadores mirantes desse bairro cheio de beleza! Não percam!

 

Fontes:

@aclubtour

Arquivo Nacional Digital

Biblioteca Nacional Digital

Biblioteca IBGE

ICMBio

Instituto Moreira Salles

 

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