Chico Vartulli: A minha convidada a talentosa e carismática artista plástica Lígia Teixeira. 

Foto exclusiva para a coluna da super artista plástica Lígia Teixeira

Desde criança, Lígia Teixeira já desenhava. Das paredes de casa aos cadernos escolares, sua mãe, surpreendida por uma garatuja que seria o seu portrait, passou a estimulá-la, e, aos doze anos de idade, Lígia já sabia o que queria ser quando crescesse – artista!  Além de frequentar com seus pais museus e galerias, ainda adolescente foi matriculada nos cursos do MAM, tendo como sua mentora a grande artista Anna Bella Geiger com quem teve sua estreia, ainda como aluna, na mostra Circumambulatio naquele Museu.  

Após graduar-se na Faculdade de Arquitetura na UFRJ, em um breve período em Paris,  cursa Urbanismo em Paris VIII, ao mesmo tempo em que complementa sua formação, em diversos cursos no Museu do Louvre e no Collège de France, onde assiste a palestras com Roland Barthes e Gilles Deleuze. Lígia retoma seus estudos de arte no Brasil, e, estimulada pela efervescência artística com a abertura democrática nos anos 80, ingressa nos cursos do Parque Lage onde mergulha de cabeça na pintura.

Em 1988 participa da Coletiva Novos Novos no Centro Empresarial Rio e Novíssimos no IBEU e diversos Salões de Arte. Em 1990 realiza sua primeira exposição individual na Galeria Cândido Mendes do Centro – Resíduos de Paisagens – brindada com um belo texto do saudoso crítico, professor e diretor do Parque Lage, Reynaldo Roels Jr.  Em 1995 realiza a individual Pietà na galeria Cândido Mendes de Ipanema, em que, motivada por uma dramática experiência pessoal – uma internação hospitalar de emergência do seu filho de apenas um ano –, o tema da Mulher é introduzido na obra da artista. 

Abordado sob vários enfoques, seja o da mater-dolorosa em Pietà, ou na relação amorosa em Eu Te Amo/Eu Te Odeio, no Paço Imperial, em 1998, ou nas mostras seguintes Nome de Guerra e Motel, em que o foco é o erotismo e a psiquê do desejo, até as recentes Teu Lado B é Meu Lado A e Divas Não Pedem Perdão, em 2018 /2019, no Centro Cultural Correios e CCJF, em que o universo feminino é abordado através do imaginário no coletivo social, o tema da Mulher perpassa toda a sua obra.  Ainda que os efeitos da pandemia sejam o mote do trabalho apresentado na sua mais recente exposição – Carne Crua – e o viés político seja evidente, o feminino se faz presente pelo apelo da própria da obra que se exibe sedutora e despudorada em toda a sua carnalidade em uma Vitrine. 

Sempre inquieta e investigativa e antenada com a contemporaneidade, Lígia já pensa em novos projetos, e o foco da sua nova pesquisa são as Bonecas Infláveis, substitutas cibernéticas às Divas e Musas Inspiradoras que sempre povoaram o imaginário em torno da mulher.

Após o período dificílimo por que passamos na pandemia, agravado pela indigência da política cultural e econômica do atual governo, Lígia, confiante, mira seus olhos num futuro próximo mais esperançoso para o nosso país.

E, daquela criança que rabiscava as paredes de casa e ainda está bem viva na sua alma, ela guarda o olhar inquieto e de assombro perante o mundo, que se renova todos dias. Lígia crê que essa é a matéria da arte e o que a faz ser artista.

Fotos:Arquivo pessoal/Divulgação 

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